Monumento

Igreja São Pedro de Miragaia
9 Outubro, 2018 / , ,

Bem perto do Douro, e em plena zona histórica, esta igreja com um interior ricamente decorado constitui um sinal de devoção dos pescadores a São Pedro.

A atual igreja, reconstruida no século XVIII, surgiu no lugar onde anteriormente existia outro templo de origem medieval. Miragaia, junto ao Rio Douro, foi uma das primeiras zonas habitadas na cidade. Nascida no coração de uma comunidade piscatória bastante devota, esta igreja foi consagrada a São Pedro, santo padroeiro dos pescadores.

O anterior templo deu lugar, em 1740, a um templo com uma estrutura simples, com uma nave única. No entanto, a riqueza da decoração interior compensa este despojamento. A capela-mor é totalmente revestida de talha dourada. Um trabalho que se prolongou por vários anos e que fez com que esta decoração reflita a evolução da estética de diferentes períodos.   O teto e o tríptico na Capela do Espírito Santo, atribuído ao pintor flamengo Van Orley, merecem igualmente um olhar atento.   No exterior, destacam-se os azulejos simples  – colocados no século XIX- na fachada e na torre sineira e os ornamentos barrocos nas pilastras laterais.

Largo de S. Pedro de Miragaia, Porto

Horário: Ter-Sab 15:30-19:00 Dom 10:00-11:30 Encerrado: segunda-feira

Os grilos e a sua igreja ( O TRIPEIRO)
19 Setembro, 2018 / , , ,

Diz a lenda que, no local onde foi construída a , ouvia-se o constante cantar dos grilos. Por isso, a igreja é, ainda hoje, conhecida como a Igreja dos Grilos.

A lenda, que há muito é conhecida na cidade, conta que o templo jesuíta foi edificado no local onde existiam as hortas do Bispo do Porto, que doou estes terrenos à Companhia de Jesus. Um local que, devido à enorme abundância destes insetos cantores, era conhecido como o Campo dos Grilos. Assim, os portuenses nunca adotaram a designação oficial de Igreja de São Lourenço e desde que foi construído, no século XVI, este templo foi sempre conhecido como … Igreja dos Grilos.

Outra explicação, mais fundamentada com factos históricos, está relacionada com a expulsão dos Jesuítas do país, em 1759. A igreja e o colégio passaram a pertencer à Universidade de Coimbra, que acabaria por vender os edifícios à congregação dos Agostinhos Descalços, também conhecidos como “Padres grilos”, uma vez que a sua sede ficava na Calçada do Grilo.

A história do nome pode não ser consensual, mas a imponência da fachada e a riqueza do seu interior justificam uma visita.

Fonte: O Tripeiro 7ª Série Ano XXXIV número 5  – Maio 2015

Capela dos Alfaiates
13 Setembro, 2018 / , ,

Discretamente situada no ângulo de duas ruas e com uma arquitetura aparentemente simples, esta capela merece ser visitada.

Embora seja conhecida por Capela dos Alfaiates, uma vez que foi mandada construir pela Irmandade dos Alfaiates, esta pequena igreja é designada como Capela de Nossa Senhora de Agosto, tendo na fachada uma imagem de barro desta santa.

Foi construída em 1554 bem perto da Sé do Porto, mas devido à abertura do Terreiro da Sé, foi retirada do local e em 1953 reedificada no local onde está atualmente. É Monumento Nacional desde 1927.

Nossa Senhora de Agosto é padroeira dos Alfaiates, daí a veneração que levou a que decidissem construir este pequeno monumento cuja arquitetura faz a transição do Gótico tardio para o Maneirismo de inspiração flamenga.

No interior, para além de imagem em calcário da santa e de S. Bom Homem (séc. XVII), destaca-se o retábulo de Nossa Senhora de Agosto, feito em talha dourada do séc. XVII e em estilo maneirista. É composto por um conjunto de oito tábuas com episódios da vida da Virgem e do Menino Jesus: Anunciação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Reis Magos, Assunção da Virgem e o Menino entre os Doutores. O remate é feito pela Coroação da Virgem, ladeada pela Visitação e pela Fuga para o Egipto. As pinturas terão sido feitas entre 1590 e 1600.

Rua do Sol / Rua S. Luís, Porto

Horário: Seg-Sex 15:00-17:00

GPS: 41.143277204857, -8.6074742674828

 

Porto de Leixões
5 Setembro, 2018 / , ,

Um porto essencial para o país, um edifício marcante e premiado. O Porto de Leixões e o Terminal de Cruzeiros são essenciais para melhor conhecer o Porto e o Norte.

Sendo esta uma região atlântica e com uma localização estratégica, a chegada de mercadorias por via marítima foi, desde sempre, essencial para o desenvolvimento desta zona do país. Mas o mar está também ligado ao lazer e ao turismo e Leixões quer ser, cada vez mais, uma porta de entrada para quem chega ao Porto por via marítima.

O Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, inaugurado em 2015, marca uma nova era na história do Porto de Leixões: o número de barcos e de passageiros tem aumentado todos os anos (só este ano são esperadas 113 escalas e mais de 120 mil passageiros) e quem chega tem melhores condições de acolhimento.

O edifício é uma estrutura em espiral com 40 metros de altura, revestida de cerca de um milhão de azulejos brancos fabricados pela Vista Alegre. A sua silhueta única destaca-se na paisagem à beira-mar e desperta a curiosidade de quem passeia pelas marginais do Porto ou de Matosinhos. No interior, a luz natural e as linhas curvas tornam o espaço mais acolhedor. Foi o edifício do Ano 2017 na categoria de Arquitetura Pública para o website ArchDail.

O Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões foi considerado, pela Cruises News, como um dos melhores terminais do Mundo. Este edifício alberga também o Parque de Ciência e Tecnologias do Mar da Universidade do Porto e várias unidades de investigação com vocação marítima (da Biologia à Robótica. É também a sede do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha da Universidade do Porto.

O Dia do Porto de Leixões

A 15 de setembro o Porto de Leixões abre as portas entre as 10h00 e as 19h00, com iniciativas para todas as idades. Para além de mostrar aos visitantes o dia-a-dia do porto, estão previstas visitas a embarcações e uma regata.

Avenida da Liberdade, Matosinhos

GPS: 41.190507246926, -8.6861515045166

Transportes públicos: Autocarro: STCP – 505, STCP – 507

Metro:  Linha A

www.apdl.pt

 

Visitas guiadas:

Domingos: das 9h30 às 12:00 e das 14:30 às 17:00

Bilhete normal: 5€; grátis para crianças até aos 12 anos; descontos para famílias,> 65 anos, estudantes.

Forte de São João Baptista
3 Setembro, 2018 / , , ,

Também conhecida por Castelo de São João da Foz, esta fortaleza foi construída para proteger a cidade dos ataques de piratas e navios de países inimigos.

Erguido na margem direita da Barra do Douro, a génese deste forte foi a residência do bispo da Diocese de Viseu, elaborada segundo o projeto de um arquiteto italiano. Considerada a primeira manifestação de arquitetura renascentista no norte de Portugal, esta casa, bem como os edifícios adjacentes – como a Igreja de São João Baptista e capela-farol de São Miguel-o-Anjo, foi rodeada de muralhas no reinado de D. Sebastião (1567). A localização estratégica, fundamental para a defesa da cidade e da região, justificaria várias intervenções feitas ao longo dos anos, procurando evitar ataques de piratas e de navios provenientes das nações com quem Portugal esteve em guerra ao longo da sua História.

Quando a independência portuguesa foi restaurada após 60 anos de domínio espanhol (1580-1640), D. João I quis inteirar-se do estado das fortalezas nacionais e da necessidade de construir mais fortes. O engenheiro francês Charles Lassart foi enviado ao Porto para definir as obras necessárias no forte; foi decidido demolir a igreja e a residência, tornando a fortaleza mais segura. Depois de concluídas as obras, foi reforçada a presença de tropas no local. No século XVIII a fortaleza era descrita como tendo quatro baluartes, um revelim, 18 peças de artilharia, mas no final deste século concluiu-se que seria necessário reforçar a segurança, nomeadamente com a finalização do fosso e com a construção de duas baterias. Em 1798 foi também projetado um portal em estilo neoclássico, com ponte levadiça, que substituiu a primitiva porta de armas.

A evolução do armamento e da capacidade de defesa fez com que este forte fosse perdendo importância durante o século XIX. Em meados do século XX estava ao abandono, mas acabou por ser considerado Monumento de Interesse Público e nos anos 80 e 90 foi alvo de trabalhos de limpeza e consolidação.

Curiosidades:

No século XVI as obras foram pagas com a verba angariada pelo imposto sobre o sal.

Durante a Guerra Peninsular (1808-1814), a 6 de junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou as instalações do forte. Na madrugada seguinte fez hastear no seu mastro a bandeira portuguesa. Foi o primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleónica.

Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), protegeu, durante o cerco do Porto (1832-1833), o desembarque de mantimentos para as tropas liberais na cidade.

No século XIX serviu como prisão política

A poetisa Florbela Espanca, casada com um dos oficiais, viveu no forte no início dos anos 20

 

Coordenadas GPS: 41.148445879541, -8.6748862266541

Horário: de Segunda a sexta-feira 9:00-17:00

Igreja Senhora da Conceição
20 Julho, 2018 /

É uma das igrejas mais recentes do Porto e, para além de uma arquitetura ímpar, oferece, a partir da sua torre, uma vista privilegiada sobre o Porto e cidades circundantes.

Consagrada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, é conhecida entre os portuenses simplesmente como Igreja do Marquês, nome da praça onde se encontra.

A criação da Paróquia da Senhora da Conceição, em 1927, tornou necessária a construção de uma igreja que pudesse receber os habitantes daquela zona da cidade, que se tornava cada vez mais populosa. O projeto foi entregue ao monge beneditino Paul Bellot. A primeira pedra foi colocada em 1938, mas, devido a dificuldades económicas e à II Guerra Mundial a obra só ficaria concluída em 1947.

A arquitetura tem influências góticas, bizantina e árabe. No interior, destacam-se os vitrais com cenas de vida de Cristo e da Virgem Maria e um órgão de 39 registos. Uma das torres tem 18 sinos, que podem tocar 120 músicas diferentes. Subindo a torre, que é um dos pontos mais altos da cidade, é também possível desfrutar de uma vista deslumbrante.

Praça do Marquês de Pombal, 111, Porto
Visitas: das 10h30 às 12h00 e das 15h00 às 17h00

Igreja St James Anglican Church
6 Junho, 2018 / , ,

Numa cidade com tão fortes ligações à comunidade britânica, conhecer a St James Anglican Church e o Cemitério dos Ingleses é ficar a saber um pouco mais sobre esta relação que dura há séculos.

As ligações entre o Porto e os britânicos são antigas e tornaram-se ainda mais intensas graças ao comércio do Vinho do Porto. Foi em 1671 que a Capelania do Porto foi fundada, mas como nessa época os Protestantes não podiam ter locais de culto nem celebrar abertamente serviços religiosos, as famílias inglesas residentes no Porto reuniam-se discretamente em casas particulares. Não podiam também ser enterrados nos cemitérios católicos, pelo que eram sepultados nas margens do Douro.

Em 1787, o cônsul-britânico John Whitehead foi autorizado a comprar um terreno, fora dos limites da cidade, para ser usado como cemitério. Em 1815 começou a ser construída a igreja, que ficaria concluída três anos depois. De cariz Neoclássico, teve obras de ampliação em 1866/67, aumentando a nave e passando a ter a forma de cruz.

Cercada por um muro – uma exigência das autoridades portuguesas aquando da sua construção – a propriedade inclui também o cemitério, onde estão sepultados, por exemplo, elementos da família Forrester, os aviadores ingleses que perderam a vida quando sobrevoavam território português durante a II Guerra Mundial ou o cônsul John Whitehead. A igreja e o cemitério podem ser visitados.

Informações:

Largo da Maternidade Júlio Dinis, 45

Site: www.stjamesoporto.org

 

Jardim do Infante Dom Henrique: Uma homenagem aos Descobrimentos
6 Junho, 2018 / , ,

Esta praça, situada em pleno centro histórico, é o sítio ideal para relaxar entre as caminhadas pelas ruelas da cidade e as visitas aos pontos de interesse que rodeiam este jardim.

Erguida no topo de um pedestal, encontra-se a estátua inaugurada em 1900 que deu o nome a este jardim. O Infante Dom Henrique (1394-1460) foi um nobre navegador e importante figura da Era dos Descobrimentos. Terá nascido nas proximidades, na Casa do Infante.

As Ruas de Ferreira Borges, Infante D. Henrique, Mouzinho da Silveira e da Bolsa delimitam esta praça, que anteriormente era parte integrante da cerca do Convento de São Domingos.

A localização privilegiada desta praça permite vistas surpreendentes para os edifícios emblemáticos circundantes, como o Palácio da Bolsa, o Mercado Ferreira Borges, Igreja de São Francisco e a Igreja Paroquial de São Nicolau.

Rua do Infante Dom Henrique, Porto

Como chegar:

Autocarro:  1M, 500, 900, 901, 906, ZH, ZM, ZR e 10M

Elétrico: STCP – Infante – Passeio Alegre

Esta torre tem uma lenda?
6 Junho, 2018 / ,

Perto do Palácio de Cristal, uma torre medieval lembra uma história de arrogância e ganância que acabou mal.

Pertencente à casa brasonada que fica nas esquinas das ruas D. Manuel II e Júlio Dinis, esta torre medieval, classificada como Monumento Nacional, é também conhecida como Torre de Pedro Sem, recordando a lenda de um homem muito rico, que acabou os seus dias sem nada e a pedir esmola.

Segundo a lenda, no século XVI este palácio era habitado por um homem riquíssimo, proprietário de várias naus usadas para o comércio de especiarias e metais preciosos. Conta-se também que parte da sua riqueza tinha sido obtida emprestando dinheiro a juros elevados, arrastando muita gente para a pobreza.

Certo dia, ansioso pela chegada das suas naus, subiu à torre para dali poder avistar os barcos à entrada da Barra do Douro. Eufórico, terá gritado que a sua riqueza era tão grande que nem Deus seria capaz de o fazer pobre. Nesse momento, levantou-se uma tempestade que afundou todas as suas naus. E o castigo pela blasfémia foi ainda maior: um raio atingiu a torre, destruindo a casa e todos os seus bens.  Pedro Sem perdeu tudo e acabou os seus dias como mendigo.

Um monumento, mais de 40 anos de construção
6 Junho, 2018 / ,

Destinado a recordar o Centenário das Guerras Peninsulares, o monumento situado no centro da Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) começou a ser construído durante a Monarquia, mas só ficou concluído mais de 40 anos depois, já durante a República.

A ideia de homenagear a forma como as tropas e o povo nortenho derrotaram o exército de Napoleão – simbolizados na forma como o leão se sobrepunha à águia imperial – surgiu em 1908. A primeira pedra seria colocada em 1909, por D. Manuel II, que viria a ser o último rei português. Foi lançado um concurso para o projeto, mas o vencedor só seria conhecido em 1911, quando Portugal era já uma República.

O arquiteto Marques da Silva e o escultor Alves de Sousa foram escolhidos para uma obra que acabaria por só estar terminada já depois da morte de ambos. Alves de Sousa faleceu em 1922 e Marques da Silva, que tudo fez para que a construção fosse concluída, acabaria também por morrer, em 1947, sem que o monumento fosse inaugurado. Foi pelas mãos da sua filha e do seu genro, e já com contributos dos escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas, que este ex-libris da cidade viria a ficar pronto. Foi inaugurado a 27 de maio de 1952.

Fonte: O Tripeiro, 7ª série, Ano XXVIII, Número 5 – Maio 2009