Destaque

Igreja de S. João Novo
22 Maio, 2019 / , ,

Construída na escarpa que desce até ao Douro, num local designado de “Boa Vista”, encontra-se um dos edifícios religiosos mais significativos do centro histórico do Porto. A Igreja de S. João Novo foi construída em meados do século XVI e apresenta grandes semelhanças artísticas e arquitectónicas com a Igreja de S. Lourenço.

O edifício, com planta de cruz latina, foi construído um pouco acima da antiga ermida de S. João Belmonte. A construção aproveitou, ainda, a muralha, na qual ancorou a construção da igreja e respetivo mosteiro. No exterior, é possível observar partes da muralha e acompanhar o seu percurso. Já no interior da igreja, encontram-se vários altares de talha, do período barroco (século XVII) e azulejos da mesma época.

No altar-mor, enriquecido com retábulo, datado do período entre 1757 e 1766, encontra-se uma tela móvel reservada ao tema da Visão de Santo Agostinho. A obra é atribuída a João Glama Stroberle, pintor de origem alemã, que nasceu em Lisboa, no ano de 1708. No mesmo altar-mor é também possível observar um mausóleo que capta a atenção de qualquer um, pela sua magnífica decoração – o autor da obra é desconhecido.

O Coro Alto da igreja é composto por um cadeiral de uma só fila e do lado do Evangelho encontra-se um órgão de tubos. Destaque ainda para os azulejos alusivos à vida de Santa Rita de Cássia, da autoria de Bartolomeu Antunes, localizados no altar lateral de Santa Rita, a imagem de Santo Ovídeo e a imagem de Nossa Senhora da Guia, da autoria de Manuel Mirada, situada no altar colateral. Também de grande interesse é o altar do Senhor dos Passos, localizado no lado direito; a imagem da invocação de Jesus Cristo é de grandes dimensões e apresenta traços, profundamente, realistas.  Desta igreja saía a procissão do Senhor dos Passos, muito provavelmente seria a imagem que se encontra neste altar lateral que saía em procissão.

Em frente à igreja encontra-se o Palácio de S. João Novo, construído em finais do século XVIII, de estilo barroco e que muitos atribuem a Nicolau Nasoni. Embora se encontre encerrado há mais de uma década, o Palácio serviu de hospital durante o Cerco do Porto, nas Guerras Liberais e, mais tarde, de Museu de Etnografia.

Para além das semelhanças com a igreja do antigo Colégio Jesuítico de S. Lourenço, a Igreja de S. João Novo revela também a influência da Igreja dos Grilos, pela composição da fachada e pelo ordenamento interior.

O edifício está apto para pessoas com limitações físicas e embora esteja encerrada aos domingos, é possível visitar a Igreja de S. João Novo de segunda a sábado, gratuitamente.

Este ano, a Igreja de S. João Novo é um dos espaços da cidade do Porto que integra a programação do In Spiritum – o festival propõe a descoberta do património histórico através da música.

Na nossa cidade do Porto
29 Março, 2019 / , , ,

Na nossa cidade do Porto, burgo da maior ancestralidade, o desvendar das suas origens e a compreensão da sua malha urbana é, naturalmente, um extenso e interminável programa. O século XX dar-nos-ia um dos mais representativo e consistente cronista e investigador da história da cidade.

A 5 de Março de 1894 nasceria Artur de Magalhães Basto no número 556 da então denominada Rua Duquesa de Bragança, numa distinta e bem delineada moradia mandada construir por seu pai António José de Magalhães Basto, cerca de 1875, ao então arquitecto e professor da Academia Portuense de Belas Artes José Geraldo da Silva Sardinha.

A sua formação em Direito na Universidade lisboeta de pouco lhe iria servir no futuro, pois desde muito jovem o seu rumo em direcção à investigação e paleografia se iria declarar, nomeadamente com a sua carreira docente integrando ele a primeira faculdade de Letras da cidade, onde leccionaria entre 1922 e 1931. Para a Câmara Municipal do Porto de que fará parte até à sua morte, a 3 de Junho de 1960, chefiará, desde 1934, os Serviços de Paleografia e Manuscritos da biblioteca; desde 1938 será Director do Gabinete de História da Cidade e assumirá o cargo de chefe dos serviços culturais, também até 1960. Foi ainda Director do Arquivo Distrital do Porto, desde 1939, bem como chefe do grande Cartório da Santa Casa da Misericórdia do Porto, desde 1933.

Mas é como cronista da cidade que mais se vai destacar Magalhães Basto: da sua escrita jorrarão os mais diversos temas de história e da arte ligados sempre à cidade de que daremos apenas alguns exemplos: os indispensáveis ”Falam Velhos Manuscritos”, 1445 artigos semanais no jornal portuense O 1º de Janeiro” entre 1930 e 1960; e os seus fundamentais artigos na revista de História da cidade “ O Tripeiro”, da qual viria a ser director entre 1945 e 1960.Algumas das suas 160 obras publicadas são transcrições de conferências, uma das suas especialidades, quanto a nós digna de referência especial, pela urgência e estilo com que fazia chegar a todos, sem discriminação, de uma forma muito simples e directa, a sua narrativa histórica e os seus estudos sobre a Nossa Cidade do Porto. Aliás estas conferências seriam como que uma forma de contrariar o silêncio, a solidão da Poeira dos arquivos, sua natural rotina, como tão bem referiria num texto de Fevereiro de 1960:”- Como deve ser maçador passar uma vida, ou mesmo que seja um ano, um dia, ou até uma única hora, encafuado sozinho num arquivo a folhear, a ler, a decifrar papelada velha, amarrotada, amarelecida pelo tempo, roída dos ratos, picada da traça e a cheirar a bafio!”.
O nosso querido e liustre investigador morreria na sua última residência, no Porto, no nº 500 da rua de Gondarém, arriscando nós rematar com uma digna nota deixada pelo professor Luís Duarte no catálogo da exposição que ao mestre seria dedicada em 2005 na Galeria do Palácio :”percebemos que na história da nossa terra, houve um antes e um depois do magistério e do trabalho de Artur de Magalhães Basto”.

IGREJA DOS GRILOS – MUSEU DE ARTE SACRA E ARQUEOLOGIA
4 Fevereiro, 2019 / , , ,

Igreja de S. Lourenço ou Igreja dos Grilos, uma visita a não perder e com uma vista panorâmica sobre o rio Douro, a Invicta e a margem de Gaia

Um passeio a pé pelo centro da cidade com destino à Sé do Porto é um roteiro habitual dos turistas que visitam a invicta. Descobrir a baixa da cidade é uma aventura. À medida que caminhamos pelas ruas estreitas da cidade antiga vamos descobrindo os seus segredos e as suas curiosidades.

Convidamos hoje o turista a aventurar-se pelo Bairro da Sé adentro. A Sé, imponente, é o ponto de partida para a nossa aventura. Logo a poucos metros, num beco que parece não ter saída, surge a Igreja de S. Lourenço, mais conhecida por Igreja dos Grilos que, em conjunto com o Colégio homónimo, está classificada como Monumento Nacional.

Começou a ser edificada pelos jesuítas no século XVI e só foi terminada no século XVIII. Se a maioria das Igrejas ostenta uma riqueza e opulência muitas vezes exagerada, a Igreja dos Grilos surpreende pelas suas linhas simples que deixam as paredes desnudas e sem adornos.

Na Igreja destacam-se o lindíssimo altar de Nossa Senhora da Purificação, o fantástico órgão com 1500 tubos que, segundo os registos foi construído em finais do séc. XVIII e o presépio, uma construção única, datado do século XVIII e cuja autoria é atribuída a Machado de Castro. Na altura do Natal, a par da tradição de tantas outras igrejas da cidade, é possível apreciar este raríssimo presépio composto por largas dezenas de figuras e que é colocado logo à entrada do monumento.

A Igreja dos Grilos, apesar de correctamente se designar por Igreja de S. Lourenço, foi inicialmente a Igreja e o Colégio dos Jesuítas. Com a extinção e expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, no século XVIII, a Igreja é doada à Universidade de Coimbra e mais tarde comprada pelos Frades Descalços de Santo Agostinho, que por terem a sua residência principal em Lisboa, na Calçada dos Grilos, eram vulgarmente chamados por Padres Grilos. E é assim, que se começa a chamar a esta Igreja, a Igreja dos Grilos, e apesar de estes já aí não residirem.

O Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto – com acesso por uma porta contígua à esquerda da Igreja – expõe uma coleção de peças interessantes desde a estatuária de santos, à ourivesaria religiosa e outras peças litúrgicas. É também aqui no Museu que, da magnífica varanda, se pode ter uma vista ímpar sobre o Porto e Gaia e sobre o rio Douro. Uma vista deslumbrante que não poderá perder!

O Porto Escondido
9 Janeiro, 2019 / , , ,

As cidades constroem-se por cima das cidades. Esta é uma ideia que quer os arqueólogos, quer os arquitectos pressentem na realidade do seu trabalho cotidiano, que os condiciona, que os motiva e que está na raiz do futuro de qualquer cidade.

Desde que o Homem se sedentarizou, isto é, desde que os bandos de caçadores recolectores nómadas em busca dos melhores terrenos de caça deram origem ao assentamento permanente em aldeias cujos habitantes passaram a viver da agricultura e da criação de gado, que o tipo de habitação se modificou e passou a ter um carácter estável, com a adoção de materiais como o adobe, o tijolo e a pedra, para além da madeira, utilizada desde sempre.

Constatamos isso em povoados tão antigos como Çatal Hüyük (Anatólia, sul da Turquia) ou Jericó (Palestina), talvez as cidades mais antigas que se conhecem, construídas entre 8.000 e 7.000 a.C., e onde as construções se foram sucedendo, sendo as cidades ampliadas horizontalmente, mas também à custa dos derrubes das construções anteriores, aproveitando-se muitas vezes os seus alicerces para sobre eles se erguerem novas construções.

O Porto não terá sido diferente. Mas quem o sobrevoa, quem chega da outra margem ou quem percorre as suas ruas e observa o seu casario, não tem essa percepção, vê apenas aquilo que os seus olhos captam, as ruas, as casas, os prédios, as infra estruturas, não se lembrando que esta é apenas a nossa cidade, não a dos nossos avós e outros ancestrais.

Essas, as cidades deles, estão por vezes enterradas debaixo da nossa e, num momento em que o Porto vibra com a sua recuperação, sobretudo com a recuperação do seu Centro Histórico, os sinais dessas “cidades” que nos antecederam vêm ao de cima.

Talvez os vestígios mais antigos se encontrem no edifício da Rua D. Hugo, nº5, por detrás da Sé, onde foi possível sequenciar uma ocupação com vestígios desde o século VIII a.C., com casas de planta redonda. A que se sobrepõem casas já do período romano, de planta quadrangular.

Outro fantástico exemplo da forma como a cidade se foi construindo, é-nos fornecido pelas escavações arqueológicas da Casa do Infante, já numa zona baixa da cidade, em que a uma grande e luxuosa casa romana e tardo-romana (Séc. IV-VI) se sobrepõem as construções medievais, com a edificação dos armazéns do Rei, da Alfândega Régia e da Casa da Moeda, perdurando a sua ocupação e sucessivas ampliações ao longa da Idade Moderna e Contemporânea.

Mas o exemplo que vamos dar é igualmente representativo: numas obras dum edifício com frentes para a rua de S. Francisco e para a Rua Nova da Alfândega, onde esteve sedeada a antiga empresa de trânsitos A. J. Gonçalves de Moraes, em escavações aí realizadas apareceram vestígios da cidade oitocentista, mais concretamente o antigo quarteirão dos Banhos.

Aterrado quando das grandes transformações urbanísticas inerentes à construção do edifício da Alfândega Nova (1860-1870), construção da Rua Nova da Alfândega e da Rua Ferreira Borges, que implicou a destruição do Mosteiro de S. Domingos, o velho quarteirão dos Banhos ficou sepultado sob 5 metros de entulho.

As escavações mostraram uma outra faceta da cidade, uma zona ribeirinha e mal-afamada, que começava no areal já descrito por Ranulfo de Granville em 1147 e onde se situavam uns dos balneários da cidade, junto ao postigo dos Banhos e à Rua dos Banhos.

Fui uma dessas vielas, ainda com edifícios dos dois lados que foi posta a descoberto. Uma das casas, defronte da porta de entrada ladeada por janelas com grades de ferro, tinha um pátio lajeado.

Numa zona contígua, por debaixo cerca de um metro, o forte alicerce do que pode ter sido o edifício medieval dos banhos públicos. A escavação ficou por aí.

Mas o achado de materiais de construção romanos pode indiciar a presença de vestígios bem mais antigos…

 

Marcelo Mendes Pinto – Arqueólogo. Investigador CITCEM

A magia do Natal na Lapa
5 Dezembro, 2018 / , , ,

Se perguntarmos a diferentes pessoas o que é o Natal no Porto, receberemos diferentes respostas. Dirão que é a beleza da árvore de Natal dos Aliados, a cor das iluminações da baixa, o frenesim de Sta. Catarina, o bolo rei de diferentes pastelarias tradicionais ou o bacalhau de determinada mercearia conceituada por anos de infalível serviço ao palato dos portuenses. Tudo isto é verdade, e haveria mais a acrescentar. Contudo, tudo isto faz parte de algo infinitamente mais importante, tudo isto sublinha a alegria do que é realmente o Natal, mas não o esgota nem ofusca. O Natal é o nascimento de Cristo, o anúncio da redenção, a celebração da suprema confiança de Deus no Seu Povo.

Viver, ou estar no Porto, nesta data torna obrigatório testemunhar o modo como a cidade vive este momento central da sua espiritualidade. Atrevo-me a dizer que, pelo menos uma vez na vida, para não roubar público às outras paróquias, é obrigatório participar na extraordinária Missa do Galo na Lapa. O Natal também é magia, e a magia não é incompatível com a solenidade. A experiência da Missa do Galo na Lapa é isso mesmo, mágica e solene. Alí o espírito é desperto através dos diferentes sentidos de modo sublime. Enquanto os olhos se maravilham com a riqueza artística da Igreja e com o rigor estético da celebração, o cheiro do tradicional incenso reforça a intensidade do momento e a música de extraordinária execução e delicada escolha preenche o tempo entre as palavras que dão sentido a tudo o resto. É uma experiência única!

O cuidado muito especial posto nesta Missa, a observância estrita de uma tradição que se reforça a cada ano que passa, tem tido o condão de atrair cada vez mais gente, dando mais sentido ao Natal de cada um dos que escolhe aderir a esta celebração. Pode-se dizer que há pompa, rigor, encenação até, mas sem nunca se perder de vista o essencial. Todos dão o seu melhor para receber o Cristo chegado. Diria que é o ouro, o incenso e a mirra que o Porto tem para oferecer ao Menino.

 

Ousaria dizer que este não é um momento exclusivo dos crentes, seria um terrível egoismo. Este é tembém um momento para quem não crê, mas gosta de alimentar o seu espírito com a beleza da criatividade e com o poder sublime da arte em diferentes formas, a arquitectura, a pintura, a escultura, a música, a palavra. Crentes e não crentes, por diferentes razões, algumas delas comuns, saem dali de alma cheia e com a clara noção do privilégio da participação num momento tão especial. E o Natal acontece.

Francisco de Sá Carneiro – Frontal na Vida e na Política
7 Novembro, 2018 / , , ,

Se chegou ao Porto, aterrando no Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, ou se, passeando pelas Antas, se cruzou com a sua estátua na praça com o mesmo nome, este artigo é para si!

Nascido e criado no Porto em 1934, Francisco de Sá Carneiro é um advogado e político português que se destacou desde cedo na oposição ao regime ditatorial então vigente, de que é expoente máximo a luta pelo regresso ao país do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (cuja estátua poderá admirar-se junto à Igreja dos Clérigos), exilado pelo Estado Novo de Salazar.

Em 1969, como independente, é eleito para a Assembleia Nacional e cedo se torna o rosto da chamada Ala Liberal, sendo responsável por várias iniciativas que visavam a transição pacífica e progressiva de Portugal para um regime democrático e livre.

Perante o fracasso da implementação da sua visão democrata, personalista e humanista, resigna ao cargo de deputado e regressa ao Porto, onde ajuda a germinar a ideia de criar um partido social democrata, o qual veria a luz do dia após a revolução do 25 de abril de 1974, que pôs fim ao regime ditatorial. Nasce, assim, em 6 de maio de 1974, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata (PSD), de que é co-fundador e principal impulsionador Francisco Sá Carneiro.

Como Presidente do PPD, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte (1975) que haveria de preparar e aprovar a primeira Constituição da República do regime democrático.

Em finais de 1979, cria a Aliança Democrática, a qual veio a vencer as eleições legislativas seguintes. Na liderança da maior coligação governamental desde o 25 de abril de 1974, Sá Carneiro é nomeado Primeiro-Ministro em janeiro de 1980, cargo que exerce até ao seu inesperado e trágico desaparecimento em 4 de dezembro de 1980, quando o avião em que se deslocava para o Porto se despenhou em Camarate, em circunstâncias que até hoje não foi possível apurar.

O seu lado público não o impediu de viver a sua própria vida e arriscar a crítica, num país tradicionalista e onde o divórcio não era, sequer, permitido, quando se separou para se juntar à fundadora da editora D. Quixote, Snu Abecassis, que viria também a perder a vida no acidente de Camarate. Lapidar e frontal, como sempre na vida, cedo esclareceu: “Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo”.

Um verdadeiro homem-bom da sua cidade e do seu país, com uma nobreza e retidão de carácter ímpares,  a morte de Francisco de Sá Carneiro constituiu uma perda irreparável para a vida pública portuguesa e a sua memória é, ainda hoje, inspiradora para todos quantos reconhecem, no seu exemplo, a forma maior de ser e estar na politica, para todos quantos sabem como ele que “acima da Social-Democracia, a Democracia, e acima da Democracia, o Povo Português”.

Erasmus – Universidade do Porto abre-se ao mundo
6 Outubro, 2018 / ,

A Universidade do Porto recebe cada vez mais alunos estrangeiros. Atraídos por uma instituição de ensino de referência e por uma cidade acolhedora e encantadora, todos os anos chegam ao Porto milhares de estudantes. Alguns acabam por ficar para sempre.

Há 20 anos, no ano letivo 1988/1989, chegava à Universidade do Porto o primeiro estudante no âmbito do programa Erasmus+. Tinha passado apenas um ano desde que o programa arrancara em todo a Europa e, desde então, foram muitos os jovens que escolheram o Porto para terem um percurso académico mais completo e uma experiência de vida inesquecível.

Em média, a Universidade do Porto recebe mais de 4 mil estudantes internacionais por ano. Este ano letivo prevê-se que seja atingido o maior número de sempre, com a chegada de mais de 4500 estudantes vindos de mais de 100 países.

Espanha, Itália e Polónia são os países de onde chegam mais estudantes para passar alguns meses no Porto. Por outro lado, os estudantes estrangeiros que estão na Universidade do Porto para completarem um ciclo de estudos são maioritariamente vindos do Brasil.

Segundo a Comissão Europeia, Portugal é o 7º país que mais estudantes recebe no conjunto dos 33 países participantes no Programa, atrás da Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Polónia.

o Porto?

A qualidade do ensino da Universidade do Porto, a beleza da cidade, o custo de vida reduzido, a oferta cultural e o clima ameno são algumas das razões que atraem estudantes de todo o mundo à cidade do Porto.

O facto de a Universidade ter uma ligação estreita com as empresas da região, o prestígio que a instituição possui e a forma como apoia a investigação e a inovação contribuem para que a Universidade do Porto esteja no top 100 da Europa no que se refere a taxas de empregabilidade.

A hospitalidade dos portuenses e a multiculturalidade da escola e da cidade são igualmente importantes para atrair estudantes vindos de todo o mundo.

Porto de Leixões
5 Setembro, 2018 / , ,

Um porto essencial para o país, um edifício marcante e premiado. O Porto de Leixões e o Terminal de Cruzeiros são essenciais para melhor conhecer o Porto e o Norte.

Sendo esta uma região atlântica e com uma localização estratégica, a chegada de mercadorias por via marítima foi, desde sempre, essencial para o desenvolvimento desta zona do país. Mas o mar está também ligado ao lazer e ao turismo e Leixões quer ser, cada vez mais, uma porta de entrada para quem chega ao Porto por via marítima.

O Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, inaugurado em 2015, marca uma nova era na história do Porto de Leixões: o número de barcos e de passageiros tem aumentado todos os anos (só este ano são esperadas 113 escalas e mais de 120 mil passageiros) e quem chega tem melhores condições de acolhimento.

O edifício é uma estrutura em espiral com 40 metros de altura, revestida de cerca de um milhão de azulejos brancos fabricados pela Vista Alegre. A sua silhueta única destaca-se na paisagem à beira-mar e desperta a curiosidade de quem passeia pelas marginais do Porto ou de Matosinhos. No interior, a luz natural e as linhas curvas tornam o espaço mais acolhedor. Foi o edifício do Ano 2017 na categoria de Arquitetura Pública para o website ArchDail.

O Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões foi considerado, pela Cruises News, como um dos melhores terminais do Mundo. Este edifício alberga também o Parque de Ciência e Tecnologias do Mar da Universidade do Porto e várias unidades de investigação com vocação marítima (da Biologia à Robótica. É também a sede do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha da Universidade do Porto.

O Dia do Porto de Leixões

A 15 de setembro o Porto de Leixões abre as portas entre as 10h00 e as 19h00, com iniciativas para todas as idades. Para além de mostrar aos visitantes o dia-a-dia do porto, estão previstas visitas a embarcações e uma regata.

Avenida da Liberdade, Matosinhos

GPS: 41.190507246926, -8.6861515045166

Transportes públicos: Autocarro: STCP – 505, STCP – 507

Metro:  Linha A

www.apdl.pt

 

Visitas guiadas:

Domingos: das 9h30 às 12:00 e das 14:30 às 17:00

Bilhete normal: 5€; grátis para crianças até aos 12 anos; descontos para famílias,> 65 anos, estudantes.

Forte de São João Baptista
3 Setembro, 2018 / , , ,

Também conhecida por Castelo de São João da Foz, esta fortaleza foi construída para proteger a cidade dos ataques de piratas e navios de países inimigos.

Erguido na margem direita da Barra do Douro, a génese deste forte foi a residência do bispo da Diocese de Viseu, elaborada segundo o projeto de um arquiteto italiano. Considerada a primeira manifestação de arquitetura renascentista no norte de Portugal, esta casa, bem como os edifícios adjacentes – como a Igreja de São João Baptista e capela-farol de São Miguel-o-Anjo, foi rodeada de muralhas no reinado de D. Sebastião (1567). A localização estratégica, fundamental para a defesa da cidade e da região, justificaria várias intervenções feitas ao longo dos anos, procurando evitar ataques de piratas e de navios provenientes das nações com quem Portugal esteve em guerra ao longo da sua História.

Quando a independência portuguesa foi restaurada após 60 anos de domínio espanhol (1580-1640), D. João I quis inteirar-se do estado das fortalezas nacionais e da necessidade de construir mais fortes. O engenheiro francês Charles Lassart foi enviado ao Porto para definir as obras necessárias no forte; foi decidido demolir a igreja e a residência, tornando a fortaleza mais segura. Depois de concluídas as obras, foi reforçada a presença de tropas no local. No século XVIII a fortaleza era descrita como tendo quatro baluartes, um revelim, 18 peças de artilharia, mas no final deste século concluiu-se que seria necessário reforçar a segurança, nomeadamente com a finalização do fosso e com a construção de duas baterias. Em 1798 foi também projetado um portal em estilo neoclássico, com ponte levadiça, que substituiu a primitiva porta de armas.

A evolução do armamento e da capacidade de defesa fez com que este forte fosse perdendo importância durante o século XIX. Em meados do século XX estava ao abandono, mas acabou por ser considerado Monumento de Interesse Público e nos anos 80 e 90 foi alvo de trabalhos de limpeza e consolidação.

Curiosidades:

No século XVI as obras foram pagas com a verba angariada pelo imposto sobre o sal.

Durante a Guerra Peninsular (1808-1814), a 6 de junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou as instalações do forte. Na madrugada seguinte fez hastear no seu mastro a bandeira portuguesa. Foi o primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleónica.

Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), protegeu, durante o cerco do Porto (1832-1833), o desembarque de mantimentos para as tropas liberais na cidade.

No século XIX serviu como prisão política

A poetisa Florbela Espanca, casada com um dos oficiais, viveu no forte no início dos anos 20

 

Coordenadas GPS: 41.148445879541, -8.6748862266541

Horário: de Segunda a sexta-feira 9:00-17:00

CORTEJO DO TRAJE DE PAPEL NA FOZ DO DOURO
9 Agosto, 2018 / , , , ,

Os verões na zona mais ocidental do concelho do Porto têm anualmente uma animação cultural muito característica e peculiar – mas, sobretudo, única. De meados de junho a meados de setembro, a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde recebe as Festas de São Bartolomeu, um conjunto de atividades que anima as ruas e une populações e visitantes.

O Cortejo do Traje de Papel é, reconhecidamente, o momento mais esperado das festividades, com uma história que ultrapassa já a centena e meia de anos e que na última década tem ganho especial relevo na cidade.

 

São meses de trabalho e preparação, com um foco permanente nas raízes, na história e nas estórias da região. A 2ª Invasão Francesa de 1809 e a Libertação da Cidade do Porto é o tema para o Cortejo do Traje de Papel em 2018, que decorrerá no dia 26 de agosto. São metros e metros de papel, cirurgicamente trabalhados por mãos dedicadas que mantêm vivo este momento festivo da cidade.

Só em figurantes, a edição deste ano conta com 350, oriundos de coletividades e associações da União de Freguesias, que se juntam às restantes centenas que visitam a Foz do Douro para viver esta experiência ímpar.

O formato atual tem 75 anos e integra um percurso que procura chegar aos principais centros nevrálgicos da história da Foz do Douro. O desfile de trajes inicia-se pelas 10h30 e passa pela Cantareira, rica pela sua tradição piscatória.

Depois da passagem inevitável pelo carismático Jardim do Passeio Alegre, espaço cúmplice de muitos intelectuais que preenchem a cultura da Foz do Douro e do Porto, o Cortejo prossegue até à Praia do Ourigo, na qual se realizam os Banhos de Mar, um dos momentos mais marcantes das Festas de São Bartolomeu.

Estes banhos estão repletos de tradição e lendas. Também conhecidos como “banhos santos”, estes mergulhos nas águas do Atlântico – sete, como manda a tradição – representam uma forma de agradecer os favores de São Bartolomeu no ano transato e de livrar e expurgar as maleitas ao longo dos próximos doze meses.

Os participantes da edição deste ano provêm do Bloco da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, da Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira – Previdência, da Associação de Moradores do Bairro Social de Aldoar e do Orfeão da Foz do Douro.

Muitas são as personalidades da cidade e não só que se juntam a esta tradição, mostrando que a cidade é feita de todos e com todos, mesmo na mais popular das suas tradições.