Destaque

Porto é a cidade das Camélias
23 Março, 2021 / ,

O Porto é um vasto jardim de Camélias junto ao Douro plantado.

Estas flores dão vida e alegria à cidade do Porto, durante dias tristes e cinzentos de inverno.

Até nos cemitérios portuenses há Camélias.

Como forma de celebrar esta flor, todos os anos o Porto é invadido pela Semana das Camélias na 2ª semana de Março, o que infelizmente este ano não pode acontecer.

Organizada pela primeira vez em 1984, no Mercado Ferreira Borges, esta exposição tem percorrido vários espaços da cidade, como a Biblioteca Municipal, o Mosteiro de São Bento da Vitória, Serralves, ou o Palácio da Bolsa.

Este evento desperta ano após ano a curiosidade e o entusiasmo de muitos admiradores, coleccionadores e produtores de camélias, e convida o público a conhecer e apreciar as diferentes espécies desta flor do inverno, que hoje abunda e espalha cores pelos vários jardins da cidade.

Os principais criadores que, ao longo dos anos, aperfeiçoaram o cultivo desta flor, multiplicando-a nas mais variadas espécies, salpicaram de colorido e formas os jardins da cidade do Porto.

As camélias são uma herança natural e cultural portuense.

O Porto é um rio entre camélias.

Aqui ficam alguns locais onde pode encontrar Camélias:

– Jardim Botânico
– Casa Burmester do lado direito
– Palácio de Cristal – Jardins e Biblioteca
– Museu Romântico
– Casa Tait
– Jardim S Lazaro
– Rotunda da Boavista
– Antiga Igreja de Cedofeita
– Jardim do Marquês
– Parque da Cidade
– Cemitérios de Agramonte e Prado do Repouso
– Jardim Serralves

O Jardim dedicado às mulheres
20 Janeiro, 2021 / ,

Inaugurado em 1834, o Jardim Marques de Oliveira, é de concepção romântica, podendo destacar-se a sombra das suas grandes magnólias, as suas imponentes tílias, o colorido das suas camélias e os sons do lago central.

O Jardim de São Lázaro, é o mais antigo jardim municipal da cidade do Porto.
A sua designação advém da antiga gafaria medieval, aí instalada no princípio do século XVI, e que veio a ser demolida no século XVIII.

Este fresco jardim é uma agradável surpresa para quem passa, pois está muito bem cuidado e frondoso.
Foi desenhado por João José Gomes, o primeiro jardineiro municipal do Porto, e apresenta ainda hoje o seu desenho original.

Destacam-se a fonte, o coreto, e as esculturas espalhadas pelo jardim, de vários artistas de renome nacional como Soares dos Reis.

Durante a Guerra Civil portuguesa, o Porto esteve rodeado por um cerco entre Julho de 1832 e Agosto de 1833. Foi um cerco pesadíssimo para os portuenses: às investidas das tropas miguelistas, somavam-se inimigos silenciosos como a cólera, o tifo, a fome e o frio, que transformou as belas árvores da invicta em lenha para a população.

A 27 de Janeiro de 1833, D. Pedro IV ordenou a construção do Jardim de S. Lázaro, dedicado às mulheres desta cidade, para de alguma forma as compensar pelas duras provações enfrentadas durante o Cerco. Pretendia-se que este fosse um recanto das senhoras portuenses!
Embora modesto em tamanho e parco de vistas, rapidamente se tornou popular entre a fina sociedade – um lugar obrigatório de reunião das famílias do Porto. Durante 30 anos, esta miniatura de Passeio Publico, foi o centro do janotismo e da moda da cidade.

Sem vista para a barra do Douro, sem passeios largos e arejados, encerra contudo um suave perfume, que contrasta com o ambiente urbano em que se insere.

É o ponto de encontro dos reformados que jogam cartas, ponto de passagem de muitos locais, um lugar de repouso para os turistas. Próximo da Faculdade de Belas Artes, é também muito frequentado por estudantes.

A nascente do jardim está a Biblioteca Pública Municipal e, a sul, a magnífica fachada barroca do antigo convento de São Lázaro, atribuído a Nicolau Nasoni.

O jardim é o único da cidade que ainda está envolvido por um gradeamento. É um dos mais bonitos jardins românticos do Porto.

A tradição da Ceia de Natal no Porto
9 Dezembro, 2020 / , ,

As tradições natalícias sempre tiveram um significado muito especial no seio das famílias tripeiras, mas há 100 anos era tudo um pouco diferente

A ceia de natal (jantar de dia 24 de Dezembro) apenas existia no norte. A sul do Porto, a partir do Advento, as famílias faziam jejum de carne, e este dia era passado em rigoroso jejum. Só depois da Missa do Galo, é que a ceia era servida.

O Porto já seguia a tradição da Idade Média, com o Bacalhau de Natal. A família reunia-se à mesa para celebrar em conjunto a consoada (que vem do verbo consolar).

Como não se podia comer carne, e o bacalhau era o peixe mais barato, o repasto era constituído por bacalhau cozido, acompanhado com couves e batatas cozidas, regados por um bom azeite nacional extra virgem; os pastéis de bacalhau, o polvo guisado, ou o arroz de polvo eram outros dos pratos sem carne mais escolhidos.

Mas a partir da II Guerra Mundial, apenas as famílias mais ricas continuaram a poder consumir bacalhau com regularidade, e para essas o bacalhau passou a ser só para os dias festivos.

Há uma lenda que diz que em Toledo, antes das 12 badaladas, os lavradores matavam um galo, que levavam para a igreja para dar aos mais pobres, para terem um Natal mais feliz. Assim a carne estava reservada para o Dia de Natal (25 de dezembro) sendo o peru recheado o rei deste dia.
A missa do galo não fazia parte das tradições portuenses, pois o convívio familiar não se devia interromper. No norte ninguém rezava pelo menino jesus à meia-noite, pois a essa hora toda a gente estava à volta do polvo e do bacalhau.

Para a sobremesa destacavam-se as broas de natal, e mais tarde o famoso Bolo-rei, de forma redonda, com um buraco ao meio. Tradicionalmente, no interior do bolo havia uma fava seca, e um pequeno brinde feito de metal ou cerâmica. A quem saísse a fatia com a fava tinha o dever de pagar o próximo bolo-rei, já o brinde dava sorte a quem o encontrasse.

Por trás deste bolo existe uma simbologia com cerca de 2000 anos. A lenda diz que o bolo representa os presentes que os Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus. A coroa simboliza o ouro, as frutas cristalizadas e secas são a mirra, e o aroma do bolo o incenso.

Esta tradição foi importada de França, da corte de Luis XIV, onde se fazia este bolo para as festas de Ano Novo e do dia de Reis. Ao Porto o Bolo-rei chegou em 1890 pela Confeitaria Cascais.

Outra sobremesa que um portuense não dispensa na consoada é a Aletria. Tem origem árabe e era feita com massa fina, leite de amêndoas e mel. É normalmente coberta com desenhos feitos em canela.

Também as Rabanadas são iguaria doce na casa dos portuenses, no natal. Na invicta é habitual embebedá-las com vinho do Porto. No sul chamam-se fatias douradas.
As primeiras receitas remontam a 1611. No início do séc.XX eram muito comuns em Madrid, sendo de lá que nos chegou a receita.

O Vinho do Porto é o néctar do natal portuense, e é sempre uma boa altura para beber, comprar e oferecer. Sem nunca esquecer a escolha dos melhores vinhos para pôr à mesa nestas festividades.

Hospital Santo António -250 anos do hospital da cidade
6 Novembro, 2020 / , ,

Localizado no Centro Histórico do Porto, mais propriamente no Largo do Professor Abel Salazar, o Hospital de Santo António completou, em 2020, 250 anos desde que foi lançada a primeira pedra.

A história do Hospital de Santo António surge como saga de determinação, arrojo e altruísmo. Desde logo, a sua construção, que, independentemente da megalomania do projeto e do erro da localização, muito pantanoso, constituía necessidade premente da cidade em transformação.

No entanto, ficou demonstrado que, para edificarem e manterem o seu Hospital, os portuenses e a sua Misericórdia viram-se, muitas vezes, sozinhos e desapoiados pelo poder que, em momentos decisivos, tratava o Porto com a sobranceria de um centralismo que só nos meados do século XX começaria a olhar a cidade na justa medida das suas carências hospitalares.

A 15 de julho de 1770, os terrenos desocupados nos arredores do Largo davam lugar à construção do Hospital, mas a proposta apresentada pelo arquiteto inglês John Carr não chegou a executar-se na totalidade, tamanha era a sua dimensão, grandiosidade e custo. O início da construção deparou-se com uma dificuldade inesperada, o terreno que era muito húmido e pantanoso, dificultando a construção dos alicerces que iriam suportar o edifício. John Carr, que nunca veio ao Porto, projetou os interiores em tijolo. A opção pelo granito onerou e prolongou construção.

Para além dos problemas geográficos, os primeiros anos de construção foram marcados pela “turbulência” das invasões francesas, entre a década de 1770 e o início do século XIX, fazendo com que apenas fossem executados dois terços do projeto.

Mais à frente na História, e já após a inauguração da unidade, que aconteceu só em 1824, o país travou a guerra civil entre absolutistas e liberais e, depois, ainda, enfrentou a peste bubónica e a gripe espanhola de 1918.

É também em 1825 que fica associado ao hospital, a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, antepassado da Faculdade de Medicina do Porto que ali funcionou até ao final do ano de 1959, mudando-se para o recém-construído Hospital São João.

Passados 20 anos, em 1979, o hospital volta a receber alunos do 4º ano do curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, garantido a regência da maioria das unidades curriculares. Atualmente, a média de ingresso é a mais elevada entre os 7 mestrados integrados em Medicina das universidades portuguesas.

O edifício é o mais palladiano dos edifícios portugueses, e o maior, construído fora das ilhas britânicas, desenvolvendo-se em vários andares, de modo sóbrio, simples e simétrico, mas com volumes bem definidos animando a superfície.

Foi se convertendo no “hospital da cidade” e, desde 1910, é considerado Monumento Nacional. Hoje o Hospital de Santo António é a âncora do Centro Hospitalar Universitário do Porto, que incorpora também Centro de Genética Médica Jacinto de Magalhães e o Centro Materno-Infantil do Norte Albino Aroso, resultante da fusão da Maternidade Júlio Dinis e do Hospital de Crianças Maria Pia, bem como o património humano e cultural do Hospital de Doenças Infeciosas Joaquim Urbano. O CHUP dedica-se à assistência, ao ensino, aos internatos médicos, à formação, à inovação e à investigação clínica e científica. A área direta de referenciação vai da orla marítima cosmopolita às velhas ilhas do Porto, passando pela cidade, bairros operários e aldeias de Gondomar. Tem cerca de 4400 trabalhadores, de dezenas de profissões. Em cada dia que passa, tem cerca de 100 internamentos, 2900 consultas, 140 cirurgias programadas, 420 episódios de urgência, 300 episódios de hospital de dia e 10 partos. A cada semana, acolhe um novo ensaio clínico multicêntrico internacional e coloca quatro artigos científicos em base internacionais. A biblioteca tem numerosos recursos de pesquisa e obtenção de bibliografia. O Museu da Medicina e da Farmácia, está integrado na Rede Portuguesa de Museus, ligando o hospital à cidade e aos turistas.

 

 

Roteiro dos escritores, pelo Porto ( Camilo Castelo Branco )
1 Outubro, 2020 / , ,

Apesar de ter nascido em Lisboa (1825) filho ilegítimo de um aristocrata com a sua criada, com 5 anos veio viver para o norte – Vila Real, órfão mãe. Com apenas 16 anos casou-se, e em 1843, 2 anos depois, foi pai. Nesse mesmo ano veio para o Porto viver sozinho, para a Rua Escura, no histórico e pitoresco bairro da sé, para estudar medicina. Mais tarde viveu no hotel Paris, na Rua da Fábrica.

Era um homem elegante, foi um reputado jornalística e escritor. Em 1850, matriculou-se no Seminário do Porto, onde estudou teologia e fundou 2 jornais de caracter religioso.

A vida de Camilo pelo Porto foi intensa, polémica e boémia e causou alguns escândalos de natureza amorosa. Ficou celebre pela paixão por Ana Plácido e consequente prisão na Cadeia da Relação. Destes acontecimentos nasceu a sua obra mais célebre “O amor de perdição” que foi imortalizado por uma estátua dos dois, que pode ser vista junto à cadeia onde ambos estiveram presos.

Em 1868, Camilo voltou ao Porto para viver na rua de Santa Catarina e rua de S. Lázaro, depois de casar com Ana Plácido e com ela fundou e dirigiu a Gazeta Literária da cidade.

Os anos 80 foram muito turbulentos pois já via muito mal e mantinha relações polémicas com variados senhores da sociedade. Foi várias vezes ameaçado fisicamente e comprou um revolver para se defender. Ironicamente 7 anos depois viria a usa-lo para se suicidar após perceber que a sua cegueira não tinha cura.

Camilo foi sepultado no cemitério da Lapa.

Até hoje, encontram-se na Ordem da Lapa manuscritos da correspondência entre Camilo, Ana Plácido e Freitas Fortuna e numerosos objectos camilianos, como o revólver com que se suicidou, uma caixa de prata para rapé, com a última anotação que utilizou, a luneta, a pena e a lapiseira-pena que lhe serviram nos últimos tempos, um livro de Droz que Camilo começou a traduzir na Cadeia da Relação, um búzio que serviu a Camilo de pisa-papéis e o seu tinteiro predilecto.

Golfe no Porto e Norte
25 Setembro, 2020 / , , ,

O golfe em Portugal também tem uma história e é exatamente pelo início que vamos começar este artigo.

Tudo começou em 1890, com a abertura do Oporto Golfe Club. Pela mão de ingleses, aristocratas ligados à Industria, que viviam no Douro.

O Norte português é uma região com muitas diversidades e com todas as razões para acreditar só possuir qualidades. A chuva, por norma mais abundante nesta região do Pais, é uma característica essencial para a criação e manutenção de campos de golfe.

Sem esquecer o calor das suas gentes e a gastronomia forte e diversificada, aliando tradições seculares e o ‘twist’ das novas tendências, o Norte detém a produção de alguns dos melhores vinhos do mundo, dos quais não podemos deixar de destacar o único e exclusivo, Vinho do Porto.

A tudo isto tem vindo a juntar-se o golfe, campos de desenho único que se aliam a praias e montanhas em perfeita harmonia.

Qualquer golfista oriundo de qualquer canto do mundo, e que já tenha tido a experiencia de jogar num destes maravilhosos campos, sabe bem que vale a pena voltar.

Roteiro dos escritores, pelo Porto ( Júlio Dinis )
21 Setembro, 2020 / , ,

Júlio Dinis (1839-1871), nasceu e foi baptizado no Porto, na freguesia de S.Nicolau.

Estudou em Miragaia onde escreveu os primeiros textos literários, e estudou Medicina na Universidade do Porto. Em 1852 e 1853, residiu na aldeia de Noêda, freguesia de Campanhã. Em 1874 o escritor foi habitar com a família do seu primo, para a Rua de Costa Cabral, na freguesia de Paranhos, onde viria a falecer de tuberculose – tinha 32 anos.

Quando frequentava o primeiro ano da Academia Politécnica, travou conhecimento e manteve uma íntima amizade com o poeta Soares de Passos, e desta circunstância intensificou o amor às belas letras. Participou ainda em núcleos de teatro e colaborou com o Jornal do Porto.

Nos seus livros “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, “A Morgadinha dos Canaviais” e “Uma Família Inglesa” podem encontrar-se muitas referências à cidade onde nasceu, viveu e morreu.

Um conjunto escultórico, constituído por uma figura feminina que coloca uma coroa de flores junto do busto do poeta, em baixo-relevo. Foi sepultado no cemitério de Cedofeita, juntamente com o seu irmão.

Ao longo dos anos, 71 localidades em Portugal deram o nome de Julio Dinis a uma ou mais artérias.

A cidade do Porto mostra a importância deste escritor na sua história, dando o seu nome a uma Rua, uma Maternidade e um cinema.

O Sol Voltou ao Porto – As Praias do Porto
4 Agosto, 2020 / , ,

Os dias de sol e de calor convidam a uma ida à praia e no Porto não é preciso ir muito longe para encontrar um lugar tranquilo à beira-mar para apanhar sol, passear, saborear um deliciosa refeição ou uma bebida fresca.

Ter praia na cidade é um sonho fácil de concretizar para quem está no Porto. Conheça as nove praias com Bandeira Azul onde pode desfrutar do Verão sem abdicar da vida na cidade.

Praia das Pastoras
O areal é delimitado por dois molhes, o que a protege do vento. É neste local que o Rio Douro desagua no Oceano Atlântico. Tem este nome porque era costume as pastoras trazerem aqui os seus carneiros a pastar as ervas e a maresia.

Praia do Ourigo
A tradição dos banhos na Praia do Ourigo já remonta ao século XVI, quando se acreditava que estas águas curavam doenças.

Praia do Carneiro
Tem um areal extenso e já é bastante frequentada desde o século XIX. Há alguns séculos aquela era uma zona de pastoreio. Diz a lenda popular que foi ali que um desses carneiros se perdeu do rebanho. A imagem do carneiro ficou eternizada em cima do Chalé Suíço (um quiosque que ainda hoje existe na Rua do Passeio Alegre).

Praia do Homem do Leme
Ideal para quem tem crianças, já que dispõe de dois parques infantis. É uma praia rochosa, com um areal de 374 metros. O nome vem da estátua de bronze, colocada na Avenida de Montevideu, que presta homenagem aos pescadores.

Praia dos Ingleses
Tal como o nome indica, era a praia preferida pela comunidade britânica do Porto. Tem um areal com 86 metros, uma zona de declives bastante suaves e areia fina.

Praia de Gondarém
Praia com 115 metros de extensão. O nome desta praia deriva do Latim e significa algo como “descanso na batalha”. Tem um paredão de pedra que é encoberto para preia-mar, tornando-a mais segura para crianças.

Praia da Luz
Um pequeno areal enquadrado por rochas e por uma zona ajardinada na Avenida do Brasil. Quando a maré está baixa podem ver-se dois pontões de apoio aos banhos do século XIX.

Praia do Molhe
Tem uma extensão de 168 metros e deve o seu nome à estrutura costeira, semelhante a um pontão, que avança para o mar e que delimita a zona de banhos. A paisagem é embelezada pela Pérgola da Foz, uma balaustrada de cimento construída nos anos 30 que funciona como um miradouro privilegiado sobre o mar. A escadaria e a zona envolvente fazem com que seja uma das praias mais bonitas do Porto.

Praia do Castelo do Queijo
Situada junto ao Castelo do Queijo. É uma zona rochosa, bastante procurada por pescadores e por pessoas que procuram aproveitar as propriedades medicinais das rochas.

O Coliseu do Porto ou as mil e uma vidas de um clássico
5 Março, 2020 / ,

No imaginário dos portuenses o Coliseu do Porto ocupa um lugar muito especial e é, sem desprimor para as restantes, a primeira sala de espectáculos da cidade, talvez porque regularmente e desde o início esteve envolvido entre polémicas.

Quem está no centro da cidade e atravessa a praça D João I, do lado nascente avista a rua Passos Manuel. Subindo pelo lado esquerdo depara-se com um edifício modernista cujo exterior não deixa entrever a singularidade do seu interior. Trata-se do Coliseu do Porto.

Durante décadas esta zona da cidade foi o centro de animação e da vida nocturna do Porto. Na vizinhança foram existindo, e coexistindo, a generalidade das casas de espetáculos da cidade: Desde o tristemente célebre teatro Bachet na rua de Sto António, que no dia 20 de Março de 1888 ardeu em pavoroso incendio durante uma récita com mais de cem vítimas mortais; O posterior teatro de Sá da Bandeira, reerguido no mesmo local do Bachet e que ainda continua com as portas abertas; O teatro de S. João à Batalha, também vitima de outro incêndio, desta vez vazio, no ano de 1909, e mais tarde reconstruído com risco do arq Marques da Silva; e ainda o curioso salão Jardim Passos Manuel, inaugurado no ano de 1908 e construído logo abaixo do Coliseu, na rua do mesmo nome e que teve vida efémera durante três décadas.

A ideia da construção de uma grande sala de espectáculos no Porto remonta ao início do século XX, mas só no início dos anos trinta, um conjunto de notáveis da cidade animou a administração da Companhia de Seguros Garantia a projectar e materializar o Coliseu.

Sobre o desmantelamento do Jardim Passos Manuel em 1938 é que se edificou o Coliseu. Os primeiros estudos arquitectónicos são da autoria de José Porto. Artista sem formação académica mas com conhecimentos ecléticos de construção. O risco da sala principal é da sua autoria. Depois seguiu-se a colaboração de Yan Wills, holandês e pertencente ao movimento modernista De Stijl. Embora tenha elaborado diversos estudos, nenhum foi executado em obra.

Hesitações iniciais de programa e um chumbo da Comissão de Estética da Câmara Municipal do Porto levaram ao afastamento do terceiro projectista -Arq Júlio de Brito- que havia substituído os colegas José Porto e Yan Wills, entretanto já consumidos na voragem de alterações ao projecto e variações de linguagem.

No ano de 1939 a companhia de seguros Garantia contrata os serviços do Arqº Cassiano Branco (1897-1970), então uma estrela em ascensão no mundo da arquitectura portuguesa dos anos 30. No curto espaço de dois anos Cassiano terminou a obra, ainda que em desacordo com o promotor, que o despediu por carta em 10 de outubro de 1940, por “erros e deficiências gravíssimas patentes nas obras”. Sem prejuízo foi Cassiano quem mais marcou a imagem geral e sobretudo a imagem exterior do Coliseu. A sua prestação para o conjunto da obra foi decisiva ao ponto de se lhe poder atribuir a autoria do edifício que lá está.

Entretanto e a convite de Cassiano Branco, também o francês Charles Siclis colaborou introduzindo algumas alterações no interior do edifício, designadamente do desenho das portas e candeeiros.

O último arquitecto a trabalhar no Coliseu foi Mário de Abreu. Que procedeu a alterações de vários elementos, nomeadamente da alteração da torre desenhada por Cassiano, que inicialmente previa a montagem de elementos de iluminação de néon colorido e que este retirou.

Finalmente, no dia 19 de Dezembro de 1941, escassos dois anos após o início dos trabalhos, Joaquim José de Carvalho, presidente do conselho de administração da companhia de seguros Garantia, inaugurou solenemente o Coliseu, com a récita de um concerto da Orquestra da Emissora Nacional dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco. Depois seguiu-se um baile no Átrio. Sobre a data o articulista n’O Comércio do Porto escrevia: “o pendor moderno, confortável, elegante e bem conseguido do edifício”. E ainda “a fachada a que Cassiano deixa o seu nome ligado contribui para que o Coliseu seja uma grande caixa de surpresas”.

A planta do edifício manifesta afinidades com a organização do célebre Teatro Total de Walter Gropius. Há, também, afinidades formais com o movimento funcionalista alemão e europeu do pós primeira guerra mundial. A sala tem capacidade para 3000 lugares sentados. Em complemento tem um grande bar junto à plateia no piso térreo, uma sala complementar, com capacidade para trezentas pessoas e vocacionada para eventos de média dimensão, e no último piso, um restaurante com um terraço donde se avista uma boa panorâmica sobre a cidade.

O interior do Coliseu é magnífico nas suas formas fluidas e circulação orgânica. A sedução da sala circular é difícil de descrever em palavras, mas evidente para quem a visita. As frisas e camarotes sucedem-se em vários pisos, terminando na geral superior, envolvendo na vertical a plateia circular do piso térreo.

Entre tantos artistas que lá se apresentaram, destacam-se: A fadista Amália, o pianista Sviatoslav Richer; o melhor palhaço do mundo Popov; Rudolf Nureyev; o pai do rock português Rui Veloso; Miles Davis ou ainda a diva Claudia Schiffer.

Em 1991 assinalou-se o cinquentenário da Sala com a realização de um grande concerto de homenagem, no qual foi replicado o concerto inaugural. Foi solista a pianista e professora Helena de Sá e Costa, acompanhada de Pedro Burmester e pelo maestro Jan Koenig dirigindo a Orquestra Porto Regie-sinfonia.

Em meados dos anos 90 o proprietário do Coliseu do Porto era a Empresa Artística SA/ grupo Aliança -UAP.    Há necessidade de obras de melhoramento, assim como, fazer face a cada vez maiores despesas correntes de manutenção de um edifício tão grande. Neste quadro, vem a público notícias de eventual venda do Coliseu à IURD, vulgo Igreja Universal do Reino de Deus, com raizes no Brasil e que recentemente havia comprado o em Lisboa o emblemático cinema Império, para o converter em catedral, na passividade geral dos lisboetas.

Portuenses anónimos e os agentes artísticos da cidade uniram-se espontaneamente e, num gesto único, saem à rua numa manha de agosto, manifestando-se ruidosamente contra o negócio e o fecho da Sala, gritando “o Coliseu é nosso”. Na memória colectiva ficou a imagem do cantor Pedro Abrunhosa algemado às grades do Coliseu, rodeado de uma pequena multidão ululante na recusa do negócio. Todos não foram demais para continuar o Coliseu.

Cavalgando a onda de solidariedade que se gerou, os proprietários deixaram cair o negócio da IURD. Em sua vez, no dia 17 de novembro de 1995, foi constituída a Associação Amigos do Coliseu do Porto, presidida pelo Sr Eng José António Barros, em representação dos proprietários, agregando na nova associação inúmeras instituições e cidadãos anónimos da Cidade.

Foi entretanto feita a escritura de compra e venda ficando a ser propriedade da associação Amigos do Coliseu do Porto. Poucos dias depois, após um desfile do Portugal Fashion, ocorreu um incêndio no palco, destruindo-o por completo. Gera-se nova onda de solidariedade, com amplas contribuições monetárias de instituições e particulares, que permitiram a re-abertura do Coliseu ainda nesse mesmo ano.

Foram entretanto realizadas novas obras de manutenção introduzindo alguns melhoramentos técnicos nas infra-estruturas de palco. Assim, no dia 24 de novembro de 1998 foi re-aberto o Coliseu do Porto, dando uma récita da ópera Carmen, de Georges Bizet.

Com este historial de quase oitenta anos decerto que o Coliseu permanecerá no futuro como a grande sala de espectáculos do Porto. Esperemos que afastado de polémicas, como aconteceu no passado. Certamente perdurará no coração dos portuenses.

Presépios
23 Dezembro, 2019 / , ,

Joaquim Machado de Castro (Coimbra, 1731 – 1822) foi um dos mais relevantes escultores portugueses de renome, tendo igualmente sido um dos que tiveram maior influência na Europa do século XVIII e princípio do século XIX. Foram vários os Presépios de Natal que produziu, tanto que o mais antigo Presépio da cidade do Porto, que remonta ao séc. XVIII, é da sua autoria, sendo possível visitá-lo na Igreja de São José das Taipas. Mas, também, na Igreja de Corpo Santo de Massarelos é possível ver mais um dos seus belos Presépios, sendo que a sua obra se espalha pelo país.