Destaque

Roteiro dos escritores, pelo Porto ( Camilo Castelo Branco )
1 Outubro, 2020 / , ,

Apesar de ter nascido em Lisboa (1825) filho ilegítimo de um aristocrata com a sua criada, com 5 anos veio viver para o norte – Vila Real, órfão mãe. Com apenas 16 anos casou-se, e em 1843, 2 anos depois, foi pai. Nesse mesmo ano veio para o Porto viver sozinho, para a Rua Escura, no histórico e pitoresco bairro da sé, para estudar medicina. Mais tarde viveu no hotel Paris, na Rua da Fábrica.

Era um homem elegante, foi um reputado jornalística e escritor. Em 1850, matriculou-se no Seminário do Porto, onde estudou teologia e fundou 2 jornais de caracter religioso.

A vida de Camilo pelo Porto foi intensa, polémica e boémia e causou alguns escândalos de natureza amorosa. Ficou celebre pela paixão por Ana Plácido e consequente prisão na Cadeia da Relação. Destes acontecimentos nasceu a sua obra mais célebre “O amor de perdição” que foi imortalizado por uma estátua dos dois, que pode ser vista junto à cadeia onde ambos estiveram presos.

Em 1868, Camilo voltou ao Porto para viver na rua de Santa Catarina e rua de S. Lázaro, depois de casar com Ana Plácido e com ela fundou e dirigiu a Gazeta Literária da cidade.

Os anos 80 foram muito turbulentos pois já via muito mal e mantinha relações polémicas com variados senhores da sociedade. Foi várias vezes ameaçado fisicamente e comprou um revolver para se defender. Ironicamente 7 anos depois viria a usa-lo para se suicidar após perceber que a sua cegueira não tinha cura.

Camilo foi sepultado no cemitério da Lapa.

Até hoje, encontram-se na Ordem da Lapa manuscritos da correspondência entre Camilo, Ana Plácido e Freitas Fortuna e numerosos objectos camilianos, como o revólver com que se suicidou, uma caixa de prata para rapé, com a última anotação que utilizou, a luneta, a pena e a lapiseira-pena que lhe serviram nos últimos tempos, um livro de Droz que Camilo começou a traduzir na Cadeia da Relação, um búzio que serviu a Camilo de pisa-papéis e o seu tinteiro predilecto.

Golfe no Porto e Norte
25 Setembro, 2020 / , , ,

O golfe em Portugal também tem uma história e é exatamente pelo início que vamos começar este artigo.

Tudo começou em 1890, com a abertura do Oporto Golfe Club. Pela mão de ingleses, aristocratas ligados à Industria, que viviam no Douro.

O Norte português é uma região com muitas diversidades e com todas as razões para acreditar só possuir qualidades. A chuva, por norma mais abundante nesta região do Pais, é uma característica essencial para a criação e manutenção de campos de golfe.

Sem esquecer o calor das suas gentes e a gastronomia forte e diversificada, aliando tradições seculares e o ‘twist’ das novas tendências, o Norte detém a produção de alguns dos melhores vinhos do mundo, dos quais não podemos deixar de destacar o único e exclusivo, Vinho do Porto.

A tudo isto tem vindo a juntar-se o golfe, campos de desenho único que se aliam a praias e montanhas em perfeita harmonia.

Qualquer golfista oriundo de qualquer canto do mundo, e que já tenha tido a experiencia de jogar num destes maravilhosos campos, sabe bem que vale a pena voltar.

Roteiro dos escritores, pelo Porto ( Júlio Dinis )
21 Setembro, 2020 / , ,

Júlio Dinis (1839-1871), nasceu e foi baptizado no Porto, na freguesia de S.Nicolau.

Estudou em Miragaia onde escreveu os primeiros textos literários, e estudou Medicina na Universidade do Porto. Em 1852 e 1853, residiu na aldeia de Noêda, freguesia de Campanhã. Em 1874 o escritor foi habitar com a família do seu primo, para a Rua de Costa Cabral, na freguesia de Paranhos, onde viria a falecer de tuberculose – tinha 32 anos.

Quando frequentava o primeiro ano da Academia Politécnica, travou conhecimento e manteve uma íntima amizade com o poeta Soares de Passos, e desta circunstância intensificou o amor às belas letras. Participou ainda em núcleos de teatro e colaborou com o Jornal do Porto.

Nos seus livros “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, “A Morgadinha dos Canaviais” e “Uma Família Inglesa” podem encontrar-se muitas referências à cidade onde nasceu, viveu e morreu.

Um conjunto escultórico, constituído por uma figura feminina que coloca uma coroa de flores junto do busto do poeta, em baixo-relevo. Foi sepultado no cemitério de Cedofeita, juntamente com o seu irmão.

Ao longo dos anos, 71 localidades em Portugal deram o nome de Julio Dinis a uma ou mais artérias.

A cidade do Porto mostra a importância deste escritor na sua história, dando o seu nome a uma Rua, uma Maternidade e um cinema.

O Sol Voltou ao Porto – As Praias do Porto
4 Agosto, 2020 / , ,

Os dias de sol e de calor convidam a uma ida à praia e no Porto não é preciso ir muito longe para encontrar um lugar tranquilo à beira-mar para apanhar sol, passear, saborear um deliciosa refeição ou uma bebida fresca.

Ter praia na cidade é um sonho fácil de concretizar para quem está no Porto. Conheça as nove praias com Bandeira Azul onde pode desfrutar do Verão sem abdicar da vida na cidade.

Praia das Pastoras
O areal é delimitado por dois molhes, o que a protege do vento. É neste local que o Rio Douro desagua no Oceano Atlântico. Tem este nome porque era costume as pastoras trazerem aqui os seus carneiros a pastar as ervas e a maresia.

Praia do Ourigo
A tradição dos banhos na Praia do Ourigo já remonta ao século XVI, quando se acreditava que estas águas curavam doenças.

Praia do Carneiro
Tem um areal extenso e já é bastante frequentada desde o século XIX. Há alguns séculos aquela era uma zona de pastoreio. Diz a lenda popular que foi ali que um desses carneiros se perdeu do rebanho. A imagem do carneiro ficou eternizada em cima do Chalé Suíço (um quiosque que ainda hoje existe na Rua do Passeio Alegre).

Praia do Homem do Leme
Ideal para quem tem crianças, já que dispõe de dois parques infantis. É uma praia rochosa, com um areal de 374 metros. O nome vem da estátua de bronze, colocada na Avenida de Montevideu, que presta homenagem aos pescadores.

Praia dos Ingleses
Tal como o nome indica, era a praia preferida pela comunidade britânica do Porto. Tem um areal com 86 metros, uma zona de declives bastante suaves e areia fina.

Praia de Gondarém
Praia com 115 metros de extensão. O nome desta praia deriva do Latim e significa algo como “descanso na batalha”. Tem um paredão de pedra que é encoberto para preia-mar, tornando-a mais segura para crianças.

Praia da Luz
Um pequeno areal enquadrado por rochas e por uma zona ajardinada na Avenida do Brasil. Quando a maré está baixa podem ver-se dois pontões de apoio aos banhos do século XIX.

Praia do Molhe
Tem uma extensão de 168 metros e deve o seu nome à estrutura costeira, semelhante a um pontão, que avança para o mar e que delimita a zona de banhos. A paisagem é embelezada pela Pérgola da Foz, uma balaustrada de cimento construída nos anos 30 que funciona como um miradouro privilegiado sobre o mar. A escadaria e a zona envolvente fazem com que seja uma das praias mais bonitas do Porto.

Praia do Castelo do Queijo
Situada junto ao Castelo do Queijo. É uma zona rochosa, bastante procurada por pescadores e por pessoas que procuram aproveitar as propriedades medicinais das rochas.

O Coliseu do Porto ou as mil e uma vidas de um clássico
5 Março, 2020 / ,

No imaginário dos portuenses o Coliseu do Porto ocupa um lugar muito especial e é, sem desprimor para as restantes, a primeira sala de espectáculos da cidade, talvez porque regularmente e desde o início esteve envolvido entre polémicas.

Quem está no centro da cidade e atravessa a praça D João I, do lado nascente avista a rua Passos Manuel. Subindo pelo lado esquerdo depara-se com um edifício modernista cujo exterior não deixa entrever a singularidade do seu interior. Trata-se do Coliseu do Porto.

Durante décadas esta zona da cidade foi o centro de animação e da vida nocturna do Porto. Na vizinhança foram existindo, e coexistindo, a generalidade das casas de espetáculos da cidade: Desde o tristemente célebre teatro Bachet na rua de Sto António, que no dia 20 de Março de 1888 ardeu em pavoroso incendio durante uma récita com mais de cem vítimas mortais; O posterior teatro de Sá da Bandeira, reerguido no mesmo local do Bachet e que ainda continua com as portas abertas; O teatro de S. João à Batalha, também vitima de outro incêndio, desta vez vazio, no ano de 1909, e mais tarde reconstruído com risco do arq Marques da Silva; e ainda o curioso salão Jardim Passos Manuel, inaugurado no ano de 1908 e construído logo abaixo do Coliseu, na rua do mesmo nome e que teve vida efémera durante três décadas.

A ideia da construção de uma grande sala de espectáculos no Porto remonta ao início do século XX, mas só no início dos anos trinta, um conjunto de notáveis da cidade animou a administração da Companhia de Seguros Garantia a projectar e materializar o Coliseu.

Sobre o desmantelamento do Jardim Passos Manuel em 1938 é que se edificou o Coliseu. Os primeiros estudos arquitectónicos são da autoria de José Porto. Artista sem formação académica mas com conhecimentos ecléticos de construção. O risco da sala principal é da sua autoria. Depois seguiu-se a colaboração de Yan Wills, holandês e pertencente ao movimento modernista De Stijl. Embora tenha elaborado diversos estudos, nenhum foi executado em obra.

Hesitações iniciais de programa e um chumbo da Comissão de Estética da Câmara Municipal do Porto levaram ao afastamento do terceiro projectista -Arq Júlio de Brito- que havia substituído os colegas José Porto e Yan Wills, entretanto já consumidos na voragem de alterações ao projecto e variações de linguagem.

No ano de 1939 a companhia de seguros Garantia contrata os serviços do Arqº Cassiano Branco (1897-1970), então uma estrela em ascensão no mundo da arquitectura portuguesa dos anos 30. No curto espaço de dois anos Cassiano terminou a obra, ainda que em desacordo com o promotor, que o despediu por carta em 10 de outubro de 1940, por “erros e deficiências gravíssimas patentes nas obras”. Sem prejuízo foi Cassiano quem mais marcou a imagem geral e sobretudo a imagem exterior do Coliseu. A sua prestação para o conjunto da obra foi decisiva ao ponto de se lhe poder atribuir a autoria do edifício que lá está.

Entretanto e a convite de Cassiano Branco, também o francês Charles Siclis colaborou introduzindo algumas alterações no interior do edifício, designadamente do desenho das portas e candeeiros.

O último arquitecto a trabalhar no Coliseu foi Mário de Abreu. Que procedeu a alterações de vários elementos, nomeadamente da alteração da torre desenhada por Cassiano, que inicialmente previa a montagem de elementos de iluminação de néon colorido e que este retirou.

Finalmente, no dia 19 de Dezembro de 1941, escassos dois anos após o início dos trabalhos, Joaquim José de Carvalho, presidente do conselho de administração da companhia de seguros Garantia, inaugurou solenemente o Coliseu, com a récita de um concerto da Orquestra da Emissora Nacional dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco. Depois seguiu-se um baile no Átrio. Sobre a data o articulista n’O Comércio do Porto escrevia: “o pendor moderno, confortável, elegante e bem conseguido do edifício”. E ainda “a fachada a que Cassiano deixa o seu nome ligado contribui para que o Coliseu seja uma grande caixa de surpresas”.

A planta do edifício manifesta afinidades com a organização do célebre Teatro Total de Walter Gropius. Há, também, afinidades formais com o movimento funcionalista alemão e europeu do pós primeira guerra mundial. A sala tem capacidade para 3000 lugares sentados. Em complemento tem um grande bar junto à plateia no piso térreo, uma sala complementar, com capacidade para trezentas pessoas e vocacionada para eventos de média dimensão, e no último piso, um restaurante com um terraço donde se avista uma boa panorâmica sobre a cidade.

O interior do Coliseu é magnífico nas suas formas fluidas e circulação orgânica. A sedução da sala circular é difícil de descrever em palavras, mas evidente para quem a visita. As frisas e camarotes sucedem-se em vários pisos, terminando na geral superior, envolvendo na vertical a plateia circular do piso térreo.

Entre tantos artistas que lá se apresentaram, destacam-se: A fadista Amália, o pianista Sviatoslav Richer; o melhor palhaço do mundo Popov; Rudolf Nureyev; o pai do rock português Rui Veloso; Miles Davis ou ainda a diva Claudia Schiffer.

Em 1991 assinalou-se o cinquentenário da Sala com a realização de um grande concerto de homenagem, no qual foi replicado o concerto inaugural. Foi solista a pianista e professora Helena de Sá e Costa, acompanhada de Pedro Burmester e pelo maestro Jan Koenig dirigindo a Orquestra Porto Regie-sinfonia.

Em meados dos anos 90 o proprietário do Coliseu do Porto era a Empresa Artística SA/ grupo Aliança -UAP.    Há necessidade de obras de melhoramento, assim como, fazer face a cada vez maiores despesas correntes de manutenção de um edifício tão grande. Neste quadro, vem a público notícias de eventual venda do Coliseu à IURD, vulgo Igreja Universal do Reino de Deus, com raizes no Brasil e que recentemente havia comprado o em Lisboa o emblemático cinema Império, para o converter em catedral, na passividade geral dos lisboetas.

Portuenses anónimos e os agentes artísticos da cidade uniram-se espontaneamente e, num gesto único, saem à rua numa manha de agosto, manifestando-se ruidosamente contra o negócio e o fecho da Sala, gritando “o Coliseu é nosso”. Na memória colectiva ficou a imagem do cantor Pedro Abrunhosa algemado às grades do Coliseu, rodeado de uma pequena multidão ululante na recusa do negócio. Todos não foram demais para continuar o Coliseu.

Cavalgando a onda de solidariedade que se gerou, os proprietários deixaram cair o negócio da IURD. Em sua vez, no dia 17 de novembro de 1995, foi constituída a Associação Amigos do Coliseu do Porto, presidida pelo Sr Eng José António Barros, em representação dos proprietários, agregando na nova associação inúmeras instituições e cidadãos anónimos da Cidade.

Foi entretanto feita a escritura de compra e venda ficando a ser propriedade da associação Amigos do Coliseu do Porto. Poucos dias depois, após um desfile do Portugal Fashion, ocorreu um incêndio no palco, destruindo-o por completo. Gera-se nova onda de solidariedade, com amplas contribuições monetárias de instituições e particulares, que permitiram a re-abertura do Coliseu ainda nesse mesmo ano.

Foram entretanto realizadas novas obras de manutenção introduzindo alguns melhoramentos técnicos nas infra-estruturas de palco. Assim, no dia 24 de novembro de 1998 foi re-aberto o Coliseu do Porto, dando uma récita da ópera Carmen, de Georges Bizet.

Com este historial de quase oitenta anos decerto que o Coliseu permanecerá no futuro como a grande sala de espectáculos do Porto. Esperemos que afastado de polémicas, como aconteceu no passado. Certamente perdurará no coração dos portuenses.

Presépios
23 Dezembro, 2019 / , ,

Joaquim Machado de Castro (Coimbra, 1731 – 1822) foi um dos mais relevantes escultores portugueses de renome, tendo igualmente sido um dos que tiveram maior influência na Europa do século XVIII e princípio do século XIX. Foram vários os Presépios de Natal que produziu, tanto que o mais antigo Presépio da cidade do Porto, que remonta ao séc. XVIII, é da sua autoria, sendo possível visitá-lo na Igreja de São José das Taipas. Mas, também, na Igreja de Corpo Santo de Massarelos é possível ver mais um dos seus belos Presépios, sendo que a sua obra se espalha pelo país.

São Gonçalo de Amarante
16 Dezembro, 2019 / , ,

A Igreja, o Convento e a Ponte de São Gonçalo, são o “ex libris” da cidade de Amarante, indissociáveis da figura que lhes dá o nome. A miríade de lendas e crenças, que gravitam em torno deste local, esbatem a realidade numa encruzilhada de tal nebulosidade, que nos atira para a impossibilidade de discernir com rigor onde acabam umas e começa a outra. “Gonçalo foi Santo, e admirável Santo, na primeira idade de menino; santo, e admirável, na segunda de mancebo; santo, e admirável na terceira de varão; santo, e admirável na quarta de velho; e finalmente Santo, e admirável, na quinta, depois de morto” (excerto de sermão do Padre António Vieira no Brasil).

São Gonçalo de Amarante, nasceu por volta de 1190, na freguesia de S. Salvador de Tagilde, no concelho de Vizela, no seio de uma família nobre (os Pereiras). Sob a proteção do arcebispo da Arquidiocese de Braga, Gonçalo cursou as disciplinas eclesiásticas na escola-catedral da Sé arquiepiscopal, vindo a ser ordenado sacerdote e nomeado pároco da freguesia de S. Paio (ou S. Pelágio) de Riba-Vizela. Parte em peregrinação primeiro a Roma donde passou a Jerusalém, onde se demorou 14 anos, deixando os paroquianos ao cuidado dum sobrinho sacerdote. De regresso a Portugal, é escorraçado pelo mesmo que mediante uma trama teria sido nomeado como pároco da freguesia. Resignado, deixa S. Paio de Riba-Vizela, ingressa na vida conventual da Ordem dos Pregadores, recentemente fundada por S. Domingos, construindo uma pequena ermida que dedicou a Nossa Senhora da Assunção, nas margens do rio Tâmega. no local onde hoje se ergue a Igreja e Convento de São Gonçalo, em Amarante. O processo de beatificação foi promulgado em 16 de setembro de 1561. A devoção ao santo mais popular dos santos portugueses, depois de Santo António de Lisboa, espalhou-se por Portugal e Brasil. Em 1540 João III de Portugal e D. Catarina de Áustria, deliberaram a construção de um novo templo e convento dominicano no local, sob a invocação de Gonçalo de Amarante. As obras iniciaram-se em 1543, tendo-se prolongado até ao século XVIII, com intervenções no século XX.

São Gonçalo, no sec. XIII, inicia a construção de uma travessia entre as duas margens (é durante este período que surge uma imensidade de lendas). A ponte desmoronou-se no século XVIII devido às cheias, tendo sido recuperada posteriormente. A famosa defesa da Ponte de Amarante ocorreu em 1809 e foi um dos momentos mais marcantes das segundas invasões francesas. A heroica defesa da ponte, como ficou conhecido o episódio, aconteceu já após as tropas francesas terem ocupado a Igreja de São Gonçalo, tendo sido impedidas de atravessar o Tâmega. Passaram-se mais de 200 anos, mas as marcas de bala de canhão e mosquete ainda perduram na fachada do edifício.

 

 

Estação de Campanhã
7 Novembro, 2019 / ,

“O silvo dos comboios, o seu matraquear sobre a ponte além do monte fronteiro, diziam-lhe as horas, denunciavam-lhe a direcção do vento e o tempo provável para o amanhã”. É assim que a nossa Agustína se refere a esse pulsante ruído quando o comboio rasga a cidade. Vivia-se aquela paz podre de fim de século. Estancadas as feridas da nação, degladiada por sucessivas guerras civis, a modernização era o desígnio e o caminho-de-ferro um dos seus principais símbolos. A Estação de Campanhã foi inaugurada a 5 de Novembro de 1877, juntamente com a Ponte Maria Pia. Era o produto final de uma série de obras no local da antiga Quinta do Pinheiro. Foi um dos motores do êxodo rural que viria a suceder-se com a fixação em Campanhã de uma larga massa de gente provida do interior do país e que viria a povoar a freguesia.

Do comboio ao autocarro, do autocarro ao metro, a Estação de Campanhã encontra o futuro da intermodalidade num Porto que se vai convertendo numa cidade inteligente. De traçado neoclássico, viria a ser alvo de mudanças ao longo do século XX, culminando no actual terminal, que supera em muito a área da velha estação, nesta pacata convivência entre o novo e o velho, marca cada vez mais firmada da invicta cidade. E eis-nos revivendo as palavras de Ramalho: “apeamo-nos finalmente na estação de Campanhã.”

 

 

Igreja de São Francisco de Assis
7 Outubro, 2019 / , ,

A construção da Igreja de São Francisco de Assis começou no século XIV, durante o reinado de D. Fernando, no local onde já existia um templo modesto pertencente à Ordem dos Franciscanos, que se tinha estabelecido na cidade do Porto em 1223.

Com uma estrutura que obedece às regras do estilo gótico mendicante, ou seja, uma igreja de três naves, transepto saliente e cabeceira tripartida, com a capela-mor num plano mais profundo, a Igreja de São Francisco de Assis é o principal templo de estilo gótico da cidade do Porto.

No século XVI, João de Castilho projetou a Capela de São João Batista, mas foi no decorrer do século XVII que este templo adquiriu o esplendor barroco, estilo que é preservado até aos dias de hoje através do seu interior coberto de ouro.

A exuberância de dourado fez com que o Conde de Raczyński se referisse à Igreja de São Francisco de Assis como a “a igreja de oiro”. Acredita-se que a revestir as três naves da igreja estejam cerca de 300 quilogramas de pó de ouro. Esta abundância de ouro chegou a fazer com que a igreja fosse fechada ao culto por ser muito ostentosa para a pobreza que a rodeava.

No retábulo da capela-mor, poderá encontrar uma das maiores atrações deste templo: a Árvore de Jessé, uma escultura de madeira policromada, que é considerada uma das melhores do mundo dentro do género.

Outra das grandes atrações da Igreja de São Francisco de Assis é o Cemitério Catacumbal, onde estão as sepulturas de irmãos da Ordem dos Franciscanos, assim como algumas das famílias nobres da cidade.

Para além das sepulturas, é possível ver ainda um ossário com milhares de ossos humanos através de um vidro colocado no chão.

A Igreja de São Francisco de Assis é classificada como Monumento Nacional desde 1910 e como Património Cultural da Humanidade da UNESCO desde 1996.

Desfile de trajes de papel está de volta à Foz do Douro
7 Agosto, 2019 / , ,

Há quase dois mil anos atrás, São Bartolomeu morreu esfolado na Turquia e hoje inspira uma curiosa festividade celebrada anualmente, em Agosto, na cidade do Porto.

As festas de São Bartolomeu são um dos eventos mais esperados da cidade, com atividades gastronómicas, animação e espetáculos musicais garantidos até ao início de setembro.
A tradição remonta ao século XVI, quando as populações locais tomavam banhos na expectativa de curar doenças como a gaguez, a gota ou a epilepsia.
Oficialmente, as festas de São Bartolomeu existem desde o século XIX.

As festividades em honra de São Bartolomeu têm como ponto alto o Cortejo do Traje de Papel. Com muito trabalho e meses de preparação, folhas coloridas de papel transformam-se em
autênticos fatos e adereços que enchem as ruas do Porto de cor e alegria.
O desfile termina, como é habitual, com um mergulho nas águas do Atlântico. Manda a tradição que o ritual “banho santo” inclua sempre sete mergulhos. Só assim os participantes poderão agradecer os favores de São Bartolomeu e esperar amplos benefícios de cura e proteção proporcionados pelo santo para o ano seguinte.
O desfile realiza-se já no próximo dia 25 de agosto e o tema da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde será uma Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen no seu Centenário.
Este é um dos eventos mais originais da cidade e do país, e uma tradição única no mundo que, ano após ano, atrai um número crescente de participantes, tanto nacionais como internacionais