Perfil

D. António Ferreira Gomes: procurar o bem sem temer a pena
15 Dezembro, 2018 / ,

Seria desonesto, e mesmo bizarro, negar a dimensão e o impacto político de uma figura como o antigo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906 – 1989) identificado como um crítico do regime ditatorial do Estado Novo em Portugal que vigorou de 1933 até 25 de abril de 1974. Mas é fácil desfocar o olhar e diminuir a pessoa quando afunilamos a perspetiva a partir da qual a procuramos compreender. Entender que em Deus se pode encontrar a força libertadora, a confiança que dá aos gestos e às palavras a emancipação de todos os poderes que passam (sobretudo dos que se creem eternos), preveniria muitos enganos. É um engano reduzir D. António a um ator político e ler a partir daí os seus gestos e as suas intenções.

O Bispo do Porto foi um homem de Deus, movido pelo desejo de fidelidade à Igreja e à sua Doutrina Social. Não quis estar à frente do seu tempo. Foi por ser um homem do seu tempo que soube ler os dramas humanos, sociais e religiosos dos dias que vivia. Por isso, gerou tantas resistências. A carta que escreveu a Salazar, e acabou por contribuir para o seu exílio de dez anos (1959 – 1969), revela essa sua capacidade de compreender a realidade. Escritas a 13 de julho de 1958, aquelas linhas pretendiam preparar um encontro com Salazar. Tratava-se de um “pró-memória” através do qual D. António quis apresentar ao Presidente do Conselho os temas e as questões que gostaria de discutir no encontro que deveriam ter.

A carta era reveladora da sua sensibilidade à injustiça. Seguindo a Doutrina da Igreja, falava da necessidade dos frutos do trabalho serem equitativamente distribuídos, reconhecia o Direito à greve, denunciava misérias humanas e abria a possibilidade de se criarem partidos. Desejava para os católicos uma formação política e cívica que lhes possibilitasse uma participação consciente e livre na vida social. A carta acabaria por ser revelada publicamente. O Bispo do Porto negou sempre qualquer responsabilidade neste incidente.

O que movia D. António Ferreira Gomes não eram jogos infrutíferos ou a procura de protagonismos. A partir da leitura profunda e exigente da realidade, liberto de medos, porque fundado em Deus, desejou o bem e a justiça.

Esta raiz espiritual é muitas vezes difícil de captar. São poucos os que são capazes de compreender o ser humano a partir de convicções e motivações tão profundas. Mas apenas estas sustentam os homens livres. E só quem é livre encontra o desapego de procurar o bem sem temer a pena.

Francisco de Sá Carneiro – Frontal na Vida e na Política
7 Novembro, 2018 / , , ,

Se chegou ao Porto, aterrando no Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, ou se, passeando pelas Antas, se cruzou com a sua estátua na praça com o mesmo nome, este artigo é para si!

Nascido e criado no Porto em 1934, Francisco de Sá Carneiro é um advogado e político português que se destacou desde cedo na oposição ao regime ditatorial então vigente, de que é expoente máximo a luta pelo regresso ao país do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (cuja estátua poderá admirar-se junto à Igreja dos Clérigos), exilado pelo Estado Novo de Salazar.

Em 1969, como independente, é eleito para a Assembleia Nacional e cedo se torna o rosto da chamada Ala Liberal, sendo responsável por várias iniciativas que visavam a transição pacífica e progressiva de Portugal para um regime democrático e livre.

Perante o fracasso da implementação da sua visão democrata, personalista e humanista, resigna ao cargo de deputado e regressa ao Porto, onde ajuda a germinar a ideia de criar um partido social democrata, o qual veria a luz do dia após a revolução do 25 de abril de 1974, que pôs fim ao regime ditatorial. Nasce, assim, em 6 de maio de 1974, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata (PSD), de que é co-fundador e principal impulsionador Francisco Sá Carneiro.

Como Presidente do PPD, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte (1975) que haveria de preparar e aprovar a primeira Constituição da República do regime democrático.

Em finais de 1979, cria a Aliança Democrática, a qual veio a vencer as eleições legislativas seguintes. Na liderança da maior coligação governamental desde o 25 de abril de 1974, Sá Carneiro é nomeado Primeiro-Ministro em janeiro de 1980, cargo que exerce até ao seu inesperado e trágico desaparecimento em 4 de dezembro de 1980, quando o avião em que se deslocava para o Porto se despenhou em Camarate, em circunstâncias que até hoje não foi possível apurar.

O seu lado público não o impediu de viver a sua própria vida e arriscar a crítica, num país tradicionalista e onde o divórcio não era, sequer, permitido, quando se separou para se juntar à fundadora da editora D. Quixote, Snu Abecassis, que viria também a perder a vida no acidente de Camarate. Lapidar e frontal, como sempre na vida, cedo esclareceu: “Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo”.

Um verdadeiro homem-bom da sua cidade e do seu país, com uma nobreza e retidão de carácter ímpares,  a morte de Francisco de Sá Carneiro constituiu uma perda irreparável para a vida pública portuguesa e a sua memória é, ainda hoje, inspiradora para todos quantos reconhecem, no seu exemplo, a forma maior de ser e estar na politica, para todos quantos sabem como ele que “acima da Social-Democracia, a Democracia, e acima da Democracia, o Povo Português”.

António de Sousa Pereira – 20.º Reitor da Universidade do Porto
7 Outubro, 2018 / ,

Licenciado, mestre e doutor em Medicina pelo ICBAS, foi nesta faculdade da Universidade do Porto que desenvolveu toda a sua carreira académica. Em abril deste ano foi eleito pelo Conselho Geral como Reitor da Universidade do Porto para o quadriénio 2018-2022.

António Manuel de Sousa Pereira nasceu a 17 de outubro de 1961, na freguesia de Ramalde, Porto. Licenciado, mestre e doutor em Medicina pelo ICBAS, foi nesta faculdade da Universidade do Porto que desenvolveu toda a sua carreira académica, tendo prestado as provas de agregação na área de Anatomia no ano 2000. Quatro anos mais tarde, e já na qualidade de Professor Catedrático, viria a ser eleito pela primeira vez como diretor da faculdade.

É membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida eleito pela Assembleia da República, Vice-Presidente do Conselho Estratégico do Instituto Português de Oncologia do Porto, membro do Conselho Diretivo do Centro Académico Clínico ICBAS/Centro Hospitalar do Porto e do Conselho estratégico do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Entre os cargos que exerceu, dentro e fora da academia, incluem-se ainda os de Presidente do Conselho Nacional de Ensino e Educação Médica da Ordem dos Médicos, consultor do Governo da República Dominicana para a avaliação da Reforma das Escolas de Medicina (2016-2017), ou membro do Conselho de Administração da ORPHEUS – Organisation of PhD Education in Biomedicine and Health Sciences in European System (2013-2016).

Enquanto investigador, colaborou, no âmbito da sua tese de doutoramento, com a organização e informatização de um Registo Oncológico de Base Populacional, que constituiu o primeiro registo oncológico de base populacional feito em Portugal. Nos últimos anos, desenvolveu a sua atividade de investigação na área da gestão universitária e políticas de saúde. Entre outros projetos internacionais, coordenou e participou no estudo “Guidelines for Accreditation and Quality Assurance of Health Care Units Used for Teaching in Undergraduate Medicine”, em parceria com o Imperial College.

Fora da Universidade, António de Sousa Pereira, de 56 anos, continua a ser um homem bastante ligado ao Porto, cidade onde nasceu e estudou quase sempre: em jovens estudou no Liceu Alexandre Herculano e posteriormente ICBAS da U. Porto para a licenciatura, mestrado e doutoramento. É simpatizante do FC Porto, embora admita que não vai muitas vezes ao Estádio do Dragão; entre os pratos preferidos estão as “Tripas à moda do Porto”, especialmente se forem confecionadas pela mãe.

Casado, pais de dois filhos, vive perto do Rio Douro e ocupa os tempos livres com uma paixão antiga: coleção de máquinas fotográficas. Foi praticante de xadrez e ainda é atleta federado de tiro de pistola.

Manuel Pinheiro
19 Setembro, 2018 / ,

O Presidente da Comissão Executiva da CVRVV – Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes gosta passear para descobrir a cidade onde nasceu. Apesar de ser um apaixonado pelos automóveis antigos, é a pé que gosta de percorrer o Porto.

Manuel Pinheiro nasceu em 1966 na Sé, uma das mais típicas freguesias do Porto e foi também na sua terra natal que estudou Direito na Universidade Católica. A Pós-Graduação em Administração foi feita no Collége d´Europe em Brugge, Bélgica, mas regressaria ao Porto para trabalhar.

É presidente da ANDOVI – Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas, entidade que reúne as Regiões Demarcadas Portuguesas e membro do Conselho Consultivo do Instituto da Vinha e do Vinho. Foi vice-presidente do CEPV, Conselho Europeu Profissional do Vinho, membro do Conselho Interprofissional da CIRDD e do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e secretário-geral da ANCEVE. É presidente da CVRVV desde 2000.

Os automóveis antigos são uma das suas paixões. “Gosto de trabalhar neles e de os conduzir com a calma que hoje, na azáfama do dia-a-dia, já não conhecemos”, revela. Em 1995 esta paixão levou-o a abrir, na Rua da Constituição, a Ascari (http://www.ascari.pt), que ainda hoje é a única livraria especializada em temas de automóveis, motos e técnica.

Nos seus tempos livres, o presidente da CVRVV também adora caminhar: “O Porto tem imensas opções para o caminhante. Seja o centro da cidade, a zona histórica com vielas e escadarias por descobrir, sejam as avenidas como a Boavista ou a Marechal Gomes da Gosta com imponentes moradias. Um dos percursos mais interessantes é a marginal do Douro, desde o centro histórico até às praias da Foz. São duas cidades numa só: o centro urbano e a zona da costa, antigamente local de veraneio dos portuenses e hoje uma zona residencial e de restaurantes excelentes”, aconselha.

Restaurante

O Porto tem cada vez mais oferta de comidas de todos os sabores e origens. Vamos portanto regressar a dois locais que preservam a gastronomia tradicional Portuense e cujas salas se enchem de clientes locais. O Morfeu Marginal, na rua do Ouro 400, quase sob a ponte da Arrábida, com ementa que varia todos os dias (não perca o cozido à sexta!) e a Cozinha do Martinho, no outro extremo da cidade, na Areosa (Rua de Costa Cabral 2598), que preserva uma ementa tradicional que seduziu o Anthony Bourdain na sua última visita ao Porto.

Bar

De copo na mão, de pé a conversar e a ver a cidade passar, o Aduela (Rua das Oliveiras, 36 ) é um bom ponto de encontro informal.

 Local/Passeio na cidade

Vá para o extremo menos turístico da cidade, em Campanhã, e faça a ecovia sobre o Douro que começa junto à Pousada do Freixo/Museu de Imprensa e vai até um ótimo local para almoçar com uma visita inesquecível, a Casa Lindo. Esta ecovia segue sempre sobre o rio, muito serena acompanhando as curvas da margem. Perfeito para um fim de tarde também.

Um segredo da cidade 

Todos os visitantes ao Porto passam pela Sé Catedral, edifício central da cidade datado do século XII. Se o visitante estiver na porta da Sé e olhar em frente com atenção, verá uma seta amarela marcada na pedra. Caminhe até essa seta e procure outra. Siga as setas pela cidade fora e diga-nos onde elas o levaram.

 Onde beber um vinho verde

Mesmo ao lado do Porto, Matosinhos, facilmente acessível a pé ou de metro, tem uma oferta imensa de restaurantes com peixe fresco a cada dia. É o ambiente ideal para provar o melhor da gastronomia Portuguesa com um ótimo Vinho Verde.

 

Agustina Bessa-Luís
14 Setembro, 2018 / ,

“Vivo aqui, mas o Porto não é para mim um lugar; é um sentimento”

Agustina Bessa-Luís é uma das mulheres mais emblemáticas da cultura portuguesa. Com dezenas de obras publicadas e dona de uma personalidade única, tem uma enorme paixão pelo Porto.

Nasceu em Vila-Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922, mas durante a infância e adolescência viveu em várias cidades, mantendo, contudo, uma forte ligação à região do Douro, notória em muitas das suas obras. A biblioteca do avô materno permitiu-lhe o primeiro contacto com a literatura francesa e inglesa, que a influenciaria.

Na adolescência chegou a escrever romances sob pseudónimo, mas foi em 1948 que publicou o primeiro livro, Mundo Fechado. Três anos antes casara com Alberto Luís; conheceu o marido através de um anúncio que publicou num jornal em que procurava uma pessoa culta com quem trocar correspondência, o que revela bem o seu temperamento independente e determinado. Em 1953, com o premiado romance, A Sibila, Agustina Bessa-Luís ganhou um enorme reconhecimento.

Desde então, e até aos primeiros anos do século XXI, publicou dezenas de obras, algumas delas adaptadas ao cinema por Manoel de Oliveira. Apesar de muitas vezes não ter ficado satisfeita com estas adaptações, esta colaboração foi longa e profícua. Agustina escreveu mesmo o texto que acompanha o filme Visita ou Memórias e Confissões, feito para ser exibido após a morte do realizador. A Corte do Norte também foi adaptada ao cinema por João Botelho e várias obras foram adaptadas ao palco. Além de romances, escreveu também peças de teatro, biografias, ensaios e livros infantis. Entre 1986 e 1987 foi diretora do jornal  O Primeiro de Janeiro e entre 1990 e 1993 esteve na direção do Teatro Nacional de D. Maria II.

É membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris) e da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa. Entre as distinções recebidas contam-se a Ordem de Sant’Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres, do Governo francês (1989). Tem obras traduzidas para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, grego, italiano e romeno.

Destemida, inteligente, sarcástica e sem medo de desafiar convenções e poderes, Agustina-Bessa Luís nunca temeu dizer o que pensava nem se deixou intimidar pelo facto de ser mulher ou de não pertencer aos círculos do poder. Por razões de saúde, está afastada da vida pública e literária há vários anos.

Pedro Abrunhosa
13 Agosto, 2018 / ,

É um dos grandes nomes da música portuguesa. Foi com o álbum “Viagens”, de 1994, que se deu a conhecer ao grande público, tendo aí conquistado o sucesso e o carinho de muitos que manteve até hoje através de, no total, 7 trabalhos de originais: a esse primeiro, que contou com a participação especial de Maceo Parker, saxofonista de James Brown, seguiram-se o “Tempo” (1996), “Silêncio” (1999), “Momento” (2002), “Luz” (2007), “Longe” (2010) e “Contramão” (2013). Nos primeiros 5 discos de estúdio, foi acompanhado pela banda ‘Bandemónio’; nos últimos 2, pelos ‘Comité Caviar’. Todas as músicas foram escritas e compostas por ele.

Ele é Pedro Abrunhosa. Nasceu em 1960, começou pelos estudos musicais clássicos, foi professor (a partir dos seus 16 anos) e contrabaixista de Jazz, tendo fundado a Escola de Jazz do Porto e a sua Orquestra. É conhecido por nunca largar os seus óculos de sol, mas principalmente por muitos sucessos dos últimos 25 anos da música portuguesa, como por exemplo “Tudo o que eu te dou”, “Momento”, “Se eu fosse um dia o teu olhar” – música composta para banda sonora do filme “Adão e Eva” de Joaquim Leitão – “Toma conta de mim” ou “Fazer o que ainda não foi feito”. As suas canções são interpretadas no Brasil por nomes como Caetano Veloso (que o convidou para apresentar um espectáculo em conjunto na Expo98), Maria Bethânia, entre muitos outros. Compôs também para outros músicos, como por exemplo Ana Moura, Carlos do Carmo ou Camané. Em 2004 foi um dos artistas que encerrou o Rock in Rio, que pela primeira vez se realizou em Lisboa. Para além dos 7 discos de estúdio lançou dois DVD’s: o “Intimidade”, em 2005, e o “Coliseu”, em 2011.

 

 

Para além de escritor de canções, Pedro Abrunhosa já contracenou com Chiara Mastroianni no filme de Manoel de Oliveira “A Carta”, de 1999, e é um habitual cronista em vários meios de comunicação social. Em 2005 fundou os BoomStudios, estúdios de gravação para si mesmo e para outros nomes da música nacional e internacional. Venceu vários prémios: 3 Globos de Ouro, o Prémio Bordallo de Imprensa, o Prémio SPA – ‘Pedro Osório’, 4 Prémios Blitz, entre outros. Em 2016, Pedro Abrunhosa, enquanto autor, foi responsável pelo cântico de apoio à Seleção Nacional de Futebol no Euro2016, em França, com uma adaptação da canção “Tudo o que eu te dou”. Mas Pedro Abrunhosa é também um homem de causas. E se hoje a cidade vibra com a programação cultural do Coliseu, está seguramente na memória dos Portuenses a imagem de Pedro Abrunhosa algemado às portas simbolizando a oposição da cidade à venda do espaço. Por isso e por tudo o mais, Pedro é um homem da cidade do Porto e o Porto é a cidade de Pedro Abrunhosa.

Souto Moura
20 Julho, 2018 /

Vencedor do Prémio Pritzker de Arquitetura (2011), Eduardo Souto Moura é um dos expoentes da chamada “Escola do Porto”.

Eduardo Elísio Machado Souto de Moura nasceu no Porto em 25 de Julho de 1952 e estudou na Escola Superior de Belas Artes do Porto e na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, tendo colaborado, ainda enquanto estudante, com Siza Vieira. A influência de Siza (que recebeu também um Pritzker (1992) é reconhecida por Souto Moura, mas os dois arquitetos são também amigos e fizeram projetos em conjunto.

Souto Moura recebeu o primeiro prémio da sua carreira logo no ano em que concluiu a licenciatura. No ano seguinte começaria a dar aulas no curso de Arquitetura da Universidade do Porto, mas ao longo da sua carreira também lecionou na Faculdade de Arquitetura de Paris-Belleville, escolas de Arquitetura de Harvard e de Dublin (1989), ETH de Zurich e Escola de Arquitetura de Lausanne.

Para além dos projetos de construção, Souto Moura tem-se destacado também em intervenções realizadas em edifícios históricos, intervenções territoriais e, mais recentemente, trabalhos na área do Design de Produto. Para além do Pritzker, foi o único arquiteto a vencer o Prémio Pessoa. Do seu vasto palmarés destaca-se o recente Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza. Vive no Porto com a família, numa moradia que ele próprio projetou. É vizinho de Siza Vieira e trabalha perto de casa, num edifício que partilha com Siza Vieira e Rogério Cavaca.

Algumas obras emblemáticas:

  • Casa das Artes, Porto
  • Ponte dell’Accademia, Bienal de Veneza, Itália
  • Reconversão do Convento de Santa Maria do Bouro
  • Burgo Empreendimento – edifícios de escritórios e galeria comercial, na Avenida da Boavista, Porto
  • Bloco de habitação na Rua do Teatro, Porto
  • Biblioteca infantil e auditório para a Biblioteca Pública Municipal do Porto
  • Remodelação e valorização do Museu Grão Vasco, Viseu
  • Reconversão do edifício da Alfândega do Porto em Museu dos Transportes e Comunicações
  • Reconversão da Faixa Marginal de Matosinhos Sul
  • Centro Português de Fotografia, edifício da Cadeia da Relação do Porto
  • Projeto de arquitetura para o Metro do Porto
  • Casa do Cinema Manoel de Oliveira
  • Estádio Municipal de Braga
  • Casa das Histórias Paula Rego, Cascais
Vasco Graça Moura
6 Junho, 2018 /

Escritor, poeta e tradutor, Vasco Graça Moura foi uma das figuras mais marcantes da vida cultural portuguesa mais recente. Licenciado em Direito, fez das Letras a sua grande paixão, mas teve igualmente uma grande intervenção na política.

Nascido na Foz do Douro, no Porto, em 3 de janeiro de 1942, Vasco Graça Moura ainda terá sentido o apelo das Belas Artes, mas acabou por seguir o curso de Direito que era, aliás, uma tradição na sua família.

A primeira obra que publicou foi Modo Mudando, em 1963. Ao longo da sua vida, foi autor de mais de 100 obras, entre poemas, romances ou ensaios. Destacar-se-ia também na tradução, dedicando-se a autores como Rilke, Shakespeare ou Dante. A tradução de “A Divina Comédia” valeu-lhe mesmo a Medalha de Ouro da Cidade de Florença (Itália). A esta distinção junta também condecorações recebidas no Brasil e as mais prestigiadas condecorações atribuídas em Portugal.

Entre os vários prémios recebidos destacam-se o Prémio Pessoa (1995), o Prémio Internacional “La cultura del mar”, em Itália  (2002), a Coroa de Ouro do Struga Poetry Evenings (Macedónia, 2004) ou o Prémio Vergílio Ferreira (2007).

Para além de uma vasta carreira literária, Vasco Graça Moura destacou-se também na política: integrou, enquanto Secretário de Estado, dois governos. Foi diretor de programas da televisão pública portuguesa (RTP) em 1978 e nesse ano passou também a administrar a parte editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Entre 1988 e 1995 foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988-1992).

Em 1999, foi eleito deputado ao Parlamento Europeu, cargo que viria a exercer durante dez anos. Em 2012 foi nomeado para a presidência da Fundação Centro Cultural de Belém. Morreu em Lisboa a 27 de abril de 2014.

José Rodrigues – O escultor que deixou a sua marca no Porto
18 Abril, 2018 /

José Rodrigues, um dos maiores escultores portugueses, faleceu no passado dia 10 de setembro, mas as suas obras continuam a marcar a paisagem da cidade.

Nascido em Luanda, Angola, em 1936, José Rodrigues mostrou desde cedo o gosto pela escultura e já em criança gostava de moldar barro. Já em Portugal, estudou Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde mais tarde viria a ser professor.

Foi fundador e presidente da Cooperativa de Ensino Artístico Árvore e fundador da Bienal de Cerveira.

Além da escultura dedicou-se igualmente a outras expressões artísticas. Faz Ilustração para livros de escritores e poetas, produziu cerâmica e medalhística, realizou cenografias e desenhou o cenário da cerimónia de classificação do Porto como Património da Humanidade.

A sua fundação, localizada numa antiga fábrica de chapéus, acolhia o seu atelier, mas é também um local para divulgação das artes, com salas de exposições e um auditório, acolhendo igualmente uma companhia de bailado e de teatro.

Entre as suas obras mais famosas estão o Cubo da Praça da Ribeira (1976) ou ao monumento ao empresário, de 1992.

Alexandre Quintanilha
15 Março, 2018 / ,

Cientista internacionalmente reconhecido, Alexandre Quintanilha nasceu em África e viveu nos Estados Unidos, antes de se radicar no Porto, onde dirigiu Instituto de Biologia Molecular e Celular e onde deu aluas até se jubilar. Atualmente é deputado na Assembleia República.

Nasceu em Moçambique a 9 de agosto de 1945, filho de um açoriano e de uma alemã. O pai era um biólogo famoso, mas Alexandre começou por estudar física. Licenciou-se em Física Teórica na Universidade de Joanesburgo, na África do Sul. Viajou mais tarde para os Estados Unidos, estudou na prestigiada Universidade de Berkeley, na Califórnia. Foi durante este período, quando enquanto vivia em San Francisco, que conheceu Richard Zimler, na altura estudante. Zimler, com quem viria a casar já em Portugal, é hoje um escritor famoso, sendo também professor universitário.

Entre 1983 e 1990 foi diretor assistente da secção de Energia e Ambiente no Laboratório Nacional Lawrence. Nos anos 90 foi desafiado a regressar a Portugal e ajudar a fundar o  Instituto de Biologia Molecular e Celular, do qual viria a ser diretor.  A vinda para o Porto aconteceu a convite do neurologista Corino de Andrade, que na altura estava já a pensa criar o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Seria ali que Alxenadre Quintanilha daria aulas até se jubilar. É autor de publicações nas áreas de Biologia, Ambiente e Física Aplicada. É o único português membro do Conselho para Investigação e Exploração da National Geographic Society. Publicou perto de 100 artigos em várias revistas científicas de nível mundial, foi editor e autor de seis volumes em áreas da Biologia e Ambiente. Mais do que um cientista, Alexandre Quintanilha é um apaixonado pelo conhecimento. Viveu em três continentes, fala quatro línguas e gosta de questionar permanente o que parece certo. Se no início sentiu algumas dificuldades de adaptação à cidade, rapidamente se deixou contagiar pela beleza do Porto e pela forma cordial como foi recebido.