Monumento

Forte de São João Baptista
3 Setembro, 2018 / , , ,

Também conhecida por Castelo de São João da Foz, esta fortaleza foi construída para proteger a cidade dos ataques de piratas e navios de países inimigos.

Erguido na margem direita da Barra do Douro, a génese deste forte foi a residência do bispo da Diocese de Viseu, elaborada segundo o projeto de um arquiteto italiano. Considerada a primeira manifestação de arquitetura renascentista no norte de Portugal, esta casa, bem como os edifícios adjacentes – como a Igreja de São João Baptista e capela-farol de São Miguel-o-Anjo, foi rodeada de muralhas no reinado de D. Sebastião (1567). A localização estratégica, fundamental para a defesa da cidade e da região, justificaria várias intervenções feitas ao longo dos anos, procurando evitar ataques de piratas e de navios provenientes das nações com quem Portugal esteve em guerra ao longo da sua História.

Quando a independência portuguesa foi restaurada após 60 anos de domínio espanhol (1580-1640), D. João I quis inteirar-se do estado das fortalezas nacionais e da necessidade de construir mais fortes. O engenheiro francês Charles Lassart foi enviado ao Porto para definir as obras necessárias no forte; foi decidido demolir a igreja e a residência, tornando a fortaleza mais segura. Depois de concluídas as obras, foi reforçada a presença de tropas no local. No século XVIII a fortaleza era descrita como tendo quatro baluartes, um revelim, 18 peças de artilharia, mas no final deste século concluiu-se que seria necessário reforçar a segurança, nomeadamente com a finalização do fosso e com a construção de duas baterias. Em 1798 foi também projetado um portal em estilo neoclássico, com ponte levadiça, que substituiu a primitiva porta de armas.

A evolução do armamento e da capacidade de defesa fez com que este forte fosse perdendo importância durante o século XIX. Em meados do século XX estava ao abandono, mas acabou por ser considerado Monumento de Interesse Público e nos anos 80 e 90 foi alvo de trabalhos de limpeza e consolidação.

Curiosidades:

No século XVI as obras foram pagas com a verba angariada pelo imposto sobre o sal.

Durante a Guerra Peninsular (1808-1814), a 6 de junho de 1808, o Sargento-mor Raimundo José Pinheiro ocupou as instalações do forte. Na madrugada seguinte fez hastear no seu mastro a bandeira portuguesa. Foi o primeiro ato de reação portuguesa contra a ocupação napoleónica.

Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), protegeu, durante o cerco do Porto (1832-1833), o desembarque de mantimentos para as tropas liberais na cidade.

No século XIX serviu como prisão política

A poetisa Florbela Espanca, casada com um dos oficiais, viveu no forte no início dos anos 20

 

Coordenadas GPS: 41.148445879541, -8.6748862266541

Horário: de Segunda a sexta-feira 9:00-17:00

Igreja Senhora da Conceição
20 Julho, 2018 /

É uma das igrejas mais recentes do Porto e, para além de uma arquitetura ímpar, oferece, a partir da sua torre, uma vista privilegiada sobre o Porto e cidades circundantes.

Consagrada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, é conhecida entre os portuenses simplesmente como Igreja do Marquês, nome da praça onde se encontra.

A criação da Paróquia da Senhora da Conceição, em 1927, tornou necessária a construção de uma igreja que pudesse receber os habitantes daquela zona da cidade, que se tornava cada vez mais populosa. O projeto foi entregue ao monge beneditino Paul Bellot. A primeira pedra foi colocada em 1938, mas, devido a dificuldades económicas e à II Guerra Mundial a obra só ficaria concluída em 1947.

A arquitetura tem influências góticas, bizantina e árabe. No interior, destacam-se os vitrais com cenas de vida de Cristo e da Virgem Maria e um órgão de 39 registos. Uma das torres tem 18 sinos, que podem tocar 120 músicas diferentes. Subindo a torre, que é um dos pontos mais altos da cidade, é também possível desfrutar de uma vista deslumbrante.

Praça do Marquês de Pombal, 111, Porto
Visitas: das 10h30 às 12h00 e das 15h00 às 17h00

Igreja St James Anglican Church
6 Junho, 2018 / , ,

Numa cidade com tão fortes ligações à comunidade britânica, conhecer a St James Anglican Church e o Cemitério dos Ingleses é ficar a saber um pouco mais sobre esta relação que dura há séculos.

As ligações entre o Porto e os britânicos são antigas e tornaram-se ainda mais intensas graças ao comércio do Vinho do Porto. Foi em 1671 que a Capelania do Porto foi fundada, mas como nessa época os Protestantes não podiam ter locais de culto nem celebrar abertamente serviços religiosos, as famílias inglesas residentes no Porto reuniam-se discretamente em casas particulares. Não podiam também ser enterrados nos cemitérios católicos, pelo que eram sepultados nas margens do Douro.

Em 1787, o cônsul-britânico John Whitehead foi autorizado a comprar um terreno, fora dos limites da cidade, para ser usado como cemitério. Em 1815 começou a ser construída a igreja, que ficaria concluída três anos depois. De cariz Neoclássico, teve obras de ampliação em 1866/67, aumentando a nave e passando a ter a forma de cruz.

Cercada por um muro – uma exigência das autoridades portuguesas aquando da sua construção – a propriedade inclui também o cemitério, onde estão sepultados, por exemplo, elementos da família Forrester, os aviadores ingleses que perderam a vida quando sobrevoavam território português durante a II Guerra Mundial ou o cônsul John Whitehead. A igreja e o cemitério podem ser visitados.

Informações:

Largo da Maternidade Júlio Dinis, 45

Site: www.stjamesoporto.org

 

Jardim do Infante Dom Henrique: Uma homenagem aos Descobrimentos
6 Junho, 2018 / , ,

Esta praça, situada em pleno centro histórico, é o sítio ideal para relaxar entre as caminhadas pelas ruelas da cidade e as visitas aos pontos de interesse que rodeiam este jardim.

Erguida no topo de um pedestal, encontra-se a estátua inaugurada em 1900 que deu o nome a este jardim. O Infante Dom Henrique (1394-1460) foi um nobre navegador e importante figura da Era dos Descobrimentos. Terá nascido nas proximidades, na Casa do Infante.

As Ruas de Ferreira Borges, Infante D. Henrique, Mouzinho da Silveira e da Bolsa delimitam esta praça, que anteriormente era parte integrante da cerca do Convento de São Domingos.

A localização privilegiada desta praça permite vistas surpreendentes para os edifícios emblemáticos circundantes, como o Palácio da Bolsa, o Mercado Ferreira Borges, Igreja de São Francisco e a Igreja Paroquial de São Nicolau.

Rua do Infante Dom Henrique, Porto

Como chegar:

Autocarro:  1M, 500, 900, 901, 906, ZH, ZM, ZR e 10M

Elétrico: STCP – Infante – Passeio Alegre

Esta torre tem uma lenda?
6 Junho, 2018 / ,

Perto do Palácio de Cristal, uma torre medieval lembra uma história de arrogância e ganância que acabou mal.

Pertencente à casa brasonada que fica nas esquinas das ruas D. Manuel II e Júlio Dinis, esta torre medieval, classificada como Monumento Nacional, é também conhecida como Torre de Pedro Sem, recordando a lenda de um homem muito rico, que acabou os seus dias sem nada e a pedir esmola.

Segundo a lenda, no século XVI este palácio era habitado por um homem riquíssimo, proprietário de várias naus usadas para o comércio de especiarias e metais preciosos. Conta-se também que parte da sua riqueza tinha sido obtida emprestando dinheiro a juros elevados, arrastando muita gente para a pobreza.

Certo dia, ansioso pela chegada das suas naus, subiu à torre para dali poder avistar os barcos à entrada da Barra do Douro. Eufórico, terá gritado que a sua riqueza era tão grande que nem Deus seria capaz de o fazer pobre. Nesse momento, levantou-se uma tempestade que afundou todas as suas naus. E o castigo pela blasfémia foi ainda maior: um raio atingiu a torre, destruindo a casa e todos os seus bens.  Pedro Sem perdeu tudo e acabou os seus dias como mendigo.

Um monumento, mais de 40 anos de construção
6 Junho, 2018 / ,

Destinado a recordar o Centenário das Guerras Peninsulares, o monumento situado no centro da Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) começou a ser construído durante a Monarquia, mas só ficou concluído mais de 40 anos depois, já durante a República.

A ideia de homenagear a forma como as tropas e o povo nortenho derrotaram o exército de Napoleão – simbolizados na forma como o leão se sobrepunha à águia imperial – surgiu em 1908. A primeira pedra seria colocada em 1909, por D. Manuel II, que viria a ser o último rei português. Foi lançado um concurso para o projeto, mas o vencedor só seria conhecido em 1911, quando Portugal era já uma República.

O arquiteto Marques da Silva e o escultor Alves de Sousa foram escolhidos para uma obra que acabaria por só estar terminada já depois da morte de ambos. Alves de Sousa faleceu em 1922 e Marques da Silva, que tudo fez para que a construção fosse concluída, acabaria também por morrer, em 1947, sem que o monumento fosse inaugurado. Foi pelas mãos da sua filha e do seu genro, e já com contributos dos escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas, que este ex-libris da cidade viria a ficar pronto. Foi inaugurado a 27 de maio de 1952.

Fonte: O Tripeiro, 7ª série, Ano XXVIII, Número 5 – Maio 2009

Mosteiro de São Bento da Vitória
6 Junho, 2018 / , ,

Classificado Monumento Nacional em 1977, o Mosteiro de São Bento da Vitória é um dos edifícios religiosos mais importantes da cidade.

Quando foi construído, no século XVI, ficava dentro das muralhas da cidade, junto à Porta do Olival, ocupando terrenos que anteriormente integravam a Judiaria. Os frades beneditinos chegam ao Porto em 1597 e no ano seguinte tiveram autorização do rei para construir um mosteiro, destinado a assinalar a presença daCongregação Beneditina Portuguesae a apoiar os frades que passavam pela cidade.

A construção do edifício, projetado pelo arquiteto Diogo Marques Lucas, tem início em 1604, mas as obras duram longos anos. A igreja, por exemplo, foi construída em 1693, mas a sua decoração só ficaria concluída no final do século XVIII, pelo que a arquitetura maneirista e barroca do exterior é acompanhada, no interior, por diversos estilos decorativos, que revelam a mudança de estilos e de gostos verificada durante esse longo período. A primeira pedra do Claustro Nobre foi lançada em 1608, mas só seria concluído entre 1725 e 1728.

A grandiosidade deste monumento em granito é, ainda hoje, impressionante. Mas, na altura em que funcionava como mosteiro, foi um importante centro para a música e para o canto. O órgão que existe na igreja é testemunha deste período áureo.

Os séculos que se seguiram foram algo atribulados: em 1808, durante a Guerra Peninsular, o foi convertido em Hospital Militar e, em 1835, após a expulsão das Ordens Religiosas, foi transformado em Tribunal Militar e Casa de Reclusão, bem como Aquartelamento de Infantaria 31 e Engenharia.

Entre 1985 e 1990 sofreu obras de restauro, funcionando como sede da Orquestra Nacional do Porto e do Arquivo Distrital do Porto. Em 2001, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, o Claustro Nobre foi coberto por uma concha acústica. Em 2007, parte do Mosteiro é atribuída ao Teatro Nacional São João. Desde então recebe espetáculos teatrais, concertos e eventos especiais.

Informações:      

Rua de São Bento da Vitória, Porto

Visitas Guiadas:

De segunda a sexta-feira, às 12:00, e primeiro domingo do mês, às 15:00, para um número não superior a 30 pessoas.

Preço: € 3,00 por pessoa.Entrada gratuita para crianças até aos 10 anos, desde que acompanhadas por adultos.

Reservas: 00351 22 340 19 56 ou relacoespublicas@tnsj.pt

Igreja de Santo Ildefonso
18 Abril, 2018 / , , ,

A Igreja de Santo Ildefonso tem cerca de 11.000 azulejos na frontaria e nos lados das torres sineiras.

Estes azulejos são da autoria de Jorge Colaço, que também criou os azulejos da Estação de São Bento, e representam cenas da vida de Santo Ildefonso e do Evangelho. Foram colocados apenas em 1931, mas a construção da igreja é bastante mais antiga.

A Igreja de Santo Ildefonso começou a ser construída em 1709, tendo a primeira fase (ainda sem as torres sineiras) ficado concluída em 1730. No interior destacam-se oito vitrais e um retábulo em talha barroca e rococó da primeira metade do século XVIII, da autoria de Nicolau Nasoni. Ao visitar esta igreja, situada em plena Baixa do Porto, não deixe de prestar atenção a duas grandes telas de 5,80 x 4,30 metros, suspensas nas paredes laterais, pintadas entre 1785 e 1792.

Na zona do coro existe um órgão de tubos do início do século XIX, que foi restaurado. A igreja apresenta também vestígios de um antigo cemitério, descoberto aquando das obras de recuperação do pavimento realizadas em 1996.

Foi a partir da escadaria desta igreja que em 1891 foram disparados os tiros que acabariam com a revolução que foi a primeira tentativa de implantação da República em Portugal.

Igreja Românica de Cedofeita
10 Janeiro, 2018 / , ,

É a igreja mais antiga do Porto, com origens que remontam ao século VI e a um rei desesperado para salvar um filho doente.

Classificada como Monumento Nacional e localizada junto a uma outra igreja maior e mais moderna, a Igreja de São Martinho de Cedofeita, vulgarmente conhecida como Igreja Românica de Cedofeita, destaca-se pela sua simplicidade e antiguidade.

A atual igreja não é, porém, o edifício original, já que o templo inicia, que dataria do século VI e da Dinastia Sueva, sofreu várias alterações ao longo dos anos. Os vestígios mais antigos seriam de finais do século IX, portanto anteriores à própria formação de Portugal, que só ocorreria no século XII. Terá sido depois de 868 (ano da reconquista da cidade aos mouros) que aqui foi construído um templo, cujos capitéis ainda resistem. Estes elementos foram construídos em calcário, provavelmente vindo da região de Coimbra, enquanto o restante edifício foi feito em granito. As partes mais baixas da capela-mor serão posteriores, datando já de cerca de 1087.

No entanto, a fase românica desta importante obra só surgiu mais tarde, já no período do reinado de D. Afonso Henriques, o primeiro rei português. Para além da antiguidade, esta igreja tem características arquitetónicas e decorativas únicas nesta região do país: particularmente importante é o tímpano no Portal Norte, onde se pode ver um Agnus Dei (cordeiro místico que simboliza Cristo no Apocalipse), bastante semelhante a outra que existe atualmente no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. As influências dessa região podem ser explicadas pelo facto de nesta obra ter trabalhado Soeiro Anes, que esteve também ligado à Sé Velha de Coimbra.

A lenda:

O rei suevo Teodomiro, desesperado para salvar o filho doente, fez uma promessa a São Martinho de Tours, enviando para Tours ouro e prata com peso igual ao do seu filho. No regresso, um bispo trouxe uma relíquia do santo e, quando esta foi mostrada, o doente curou-se. Agradecido, o rei converteu todo o seu povo ao Catolicismo e mandou construir uma igreja em honra do santo. A igreja foi rapidamente construída, ficando conhecida como Cito Facta, que significa Feita Cedo. Desta expressão deriva o atual nome daquela zona: Cedofeita.

Informações:

Largo do Priorado, Porto

Horário: terça a sexta-feira:  16:00-19:00