Sabia que?

O Porto já recebeu a Fórmula 1?
17 Outubro, 2017 /

Em 1958 e 1960 os melhores pilotos do mundo correram no Porto. O circuito urbano da Boavista atraiu centenas de milhares de pessoas.

A 24 de agosto de 1958 a Fórmula 1 fez a sua estreia em Portugal, trazendo, entre outros, nomes como Stirling Moss, Mike Hawthorn, Jack Brabham, Graham Hill e a primeira mulher a pilotar um Fórmula 1 – Maria Teresa de Filippis. Numa corrida a que terão assistido mais de 100 mil pessoas, Stirling Moss acabou por vencer. Moss e Hawthorn lutavam pelo título, mas protagonizaram um grande momento de fair-play: na saída de Antunes Guimarães,  Hawthorn falhou a travagem e não conseguiu pôr o seu Ferrari a trabalhar. Tentou empurrá-lo no sentido do Circuito, mas como o percurso era a subir, virou o carro ao contrário e, graças à inclinação, conseguiu finalmente pôr o carro a funcionar. Os Comissários Desportivos investigaram a possibilidade de ter havido uma violação do regulamento, mas Stirling Moss testemunhou dizendo que Hawthorn empurrara o Ferrari fora da pista. Um gesto de desportivismo muito importante: Hawthorn acabou por vencer o Campeonato do Mundo, com um ponto de vantagem sobre Moss.

Em 1960, a Fórmula 1 regressou ao Porto e ao Circuito da Boavista. Jack Brabham obteve a quinta vitória nesse ano, conquistando assim antecipadamente o seu segundo título mundial.

 

A Avenida da Boavista é a maior rua do Porto?
26 Junho, 2017 /

São 5,5 quilómetros de extensão, entre o Hospital Militar e o Castelo do Queijo, em que é possível conhecer o passado e o presente da cidade.

A maior rua do Porto só surgiu em meados do século XIX, sendo, já nessa altura, uma das zonas mais nobres da cidade. Os palacetes então construídos pelas famílias mais ricas do Porto (nomeadamente os emigrantes que tinha feito fortuna no Brasil) ainda existem, mas já sem a função habitacional a que foram destinados.

A Avenida da Boavista é hoje um local de negócios e de lazer, onde os edifícios de escritórios e de lojas coabitam com restaurantes, cafés e hotéis, numa paisagem onde se misturam influências de várias épocas.

Na parte norte da avenida destacam-se o edifício da Casa da Música e o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, no centro da Rotunda da Boavista. Seguem-se quilómetros de comércio e serviços mas, à medida que se avança para sul, a proximidade do mar e do Parque da Cidade fazem esquecer a agitação e convidam a momentos de lazer.

(EN) A 17 kilometers road
8 Maio, 2017 /

A Circunvalação servia para cobrar impostos?

A estrada que contorna o Porto tem 17 quilómetros de extensão, entre a zona de Campanhã e o mar. Terá sido construída com base num traçado militar e chegou a ter 13 locais destinados a cobrar impostos sobre os bens que entravam no Porto.

A construção da Estrada da Circunvalação (Estrada Nacional 12) começou em 1889 e teve como origem um traçado militar, já que existiam fossos com 2 a 3 metros de profundidade no local onde está agora a placa central.

O seu principal objetivo era fiscalizar os bens que entravam na cidade por via terrestre, cobrando os respetivos impostos. Ao longo da estrada existiam 13 pequenos edifícios (Esteiro, Freixo, Campanhã, São Roque, Rebordões, Areosa, Azenha, Amial, Monte dos Burgos, Senhora da Hora, Pereiro, Vilarinha e Castelo do Queijo) em que os funcionários da Coroa, do Bispado e do Município cobravam as respetivas taxas. Por exemplo, o “Real da Água”, um imposto extinto em 1922, incidia sobre a carne, bebidas alcoólicas, arroz, vinagre e azeite. As receitas destinavam-se a arranjar canos, fontes e aquedutos que forneciam água às populações. Em 1943 foram suprimidos todos os impostos municipais indiretos.

Muitos destes postos de cobrança foram entretanto demolidos, mas alguns ainda resistem.

 

Os espanhóis no Porto
7 Maio, 2017 /

A proximidade geográfica, sobretudo com a Galiza, criou desde tempos remotos condições para a existência de fortes relações entre os espanhóis e a cidade.

As origens do Porto e da Galiza são partilhadas, já que terão sido surgido ainda no século I d.C., quando a zona a Norte do Rio Douro era habitada por povos Calaicos. Quando a Península Ibérica foi conquistada pelos árabes, muitos habitantes refugiaram-se na Galiza e daí terá partido o repovoamento do Porto. O primeiro bispo do Porto tinha sido cónego em Compostela; o primeiro foral do Porto foi outorgado em 1124, ainda antes da própria fundação de Portugal enquanto país.

Entre os séculos XVI e XVII intensificou-se o comércio com a Galiza; posteriormente, as trocas comerciais seriam alargadas a zonas mais distantes, como a Andaluzia, Castela ou Barcelona. A emigração ente os dois países, motivada por razões políticas ou económicas, foi constante ao longo dos séculos. E a própria revolução liberal portuguesa (1820), que teve o seu epicentro no Porto, foi muito influenciada pela revolução espanhola. O primeiro vice-cônsul espanhol chegou à cidade em meados do século XVIII e no século XIX a colónia espanhola no Porto representava cerca de 60% do total de estrangeiros.

Qual é a rua mais pequena do Porto?
14 Março, 2017 /

Tem apenas 30 metros de comprimento e chama-se se Rua de Afonso Martins Alho, em homenagem a um comerciante do século XIV.

Esta pequena rua é uma transversal entre a Rua de Mouzinho da Silveira e a Rua das Flores e tem o nome de um mercador enviado pelo rei D. Afonso IV para negociar com a corte de Eduardo III o primeiro tratado comercial entre Portugal e Inglaterra, em 1353.

A cidade começou a crescer no período medieval, tendo o crescimento sido feito a partir da zona junto ao Rio Douro. Por isso, muitas das ruas desta zona são ainda pequenas e estreitas. Aliás, mais de 30% das ruas da cidade do Porto têm menos de seis metros de largura e 40% das vias são de sentido único.

Foi no século XVIII, por iniciativa do urbanistas João de Almada, que a cidade, tal como a conhecemos hoje, começou a ganhar forma. Até então, o Porto estava praticamente limitado pela muralha gótica, estendendo-se por pequenas paróquias rurais e pelas zonas piscatórias junto à margem do Douro. Nesta época foram prolongados arruamentos como as ruas de São João, Santa Catarina e Santo Ildefonso. Após a sua morte o filho, Francisco de Almada, continuou este trabalho de urbanização e modernização da cidade.

Uma igreja com 11 mil azulejos
19 Fevereiro, 2017 /

A Igreja de Santo Ildefonso tem cerca de 11.000 azulejos na frontaria e nos lados das torres sineiras.

Estes azulejos são da autoria de Jorge Colaço, que também criou os azulejos da Estação de São Bento, e representam cenas da vida de Santo Ildefonso e do Evangelho. Foram colocados apenas em 1931, mas a construção da igreja é bastante mais antiga.

A Igreja de Santo Ildefonso começou a ser construída em 1709, tendo a primeira fase (ainda sem as torres sineiras) ficado concluída em 1730. No interior destacam-se oito vitrais e um retábulo em talha barroca e rococó da primeira metade do século XVIII, da autoria de Nicolau Nasoni. Ao visitar esta igreja, situada em plena Baixa do Porto, não deixe de prestar atenção a duas grandes telas de 5,80 x 4,30 metros, suspensas nas paredes laterais, pintadas entre 1785 e 1792.

Na zona do coro existe um órgão de tubos do início do século XIX, que foi restaurado. A igreja apresenta também vestígios de um antigo cemitério, descoberto aquando das obras de recuperação do pavimento realizadas em 1996.

Foi a partir da escadaria desta igreja que em 1891 foram disparados os tiros que acabariam com a revolução que foi a primeira tentativa de implantação da República em Portugal.