Perfil

Fernando Távora – O Mestre da “Escola do Porto”
3 Março, 2017 /

Foi um dos mais conceituados nomes da arquitetura portuguesa e o “pai” da chamada “Escola do Porto”.

Nascido no Porto a 25 de Agosto de 1923, no Porto, Fernando Távora pertencia a uma família conservadora, descendente da nobre linhagem dos Távoras. Os primeiros anos de vida foram passados nas propriedades da família, no Minho, na Bairrada e nas praias da Foz do Douro. Desde cedo mostrou grande aptidão para o desenho e muito interesse por casas antigas. Contrariando a vontade da família, que desejava que estudasse Engenharia Civil, inscreveu-se na Escola de Belas Artes do Porto, em 1941, para frequentar o Curso Especial de Arquitetura.

Foi professor em instituições como a Escola Superior de Belas Artes do Porto  (ESBAP), a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto  (FAUP) – que ajudou a instalar – e na Universidade de Coimbra. Fundador da chamada “Escola do Porto”, foi uma das grandes influências de outros grandes nomes da arquitetura nacional, como Siza Vieira.

Para além de várias obras que projetou, e que refletem criatividade, funcionalidade, mas também responsabilidade social, teve igualmente um trabalho notável na área da conservação do património.

Fernando Távora faleceu a 3 de Setembro de 2005.

Algumas das obras mais emblemáticas: 

  • Mercado Municipal de Santa Maria da Feira
  • Pavilhão de ténis e arranjos exteriores na Quinta da conceição, Matosinhos
  • Restauro e adaptação do Convento de Santa Marinha a Pousada, Guimarães
  • Plano geral de Urbanização de Guimarães
  • Remodelação e ampliação do Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
  • Restauro e adaptação do Palácio do Freixo a Pousada, Porto
  • Casa dos 24, Porto

 

 

Eugénio de Andrade
2 Março, 2017 /

Eugénio de Andrade, um dos poetas portugueses mais traduzidos, manteve durante grande parte da sua vida uma forte ligação ao Porto.

Embora tenha nascido no Fundão, Eugénio de Andrade (cujo verdadeiro nome era José Fontinhas), viveu no Porto mais de 50 anos, até à sua morte, a 13 de junho de 2005. Chegou ao Porto na década de 50. Nessa altura, e embora já tivesse obras escritas, a sua profissão era inspetor administrativo do Ministério da Saúde e foi nessa condição que, na sequência de uma transferência, veio viver para a cidade. Mais tarde receberia o título de cidadão honorário.

Autor de dezenas de obras que lhe valeram prémios nacionais e distinções internacionais, foi também tradutor de obras de autores como Federico García Lorca  ou Jorge Luís Borges. Entre as diversas antologias poéticas de que foi autor, destaca-se aquela que dedicou ao Porto (Daqui Houve Nome Portugal, 1968). Embora cultivasse fortes relações de amizade com outros escritores e artistas, era discreto. Não gostava de dar entrevistas nem de comparecer a eventos sociais e culturais.

Viveu largos anos no número 111 da Rua Duque de Palmela, mas desde 1994 até à sua morte habitou na Casa Serrúbia, na Rua do Passeio Alegre, na Foz do Douro. Esta casa viria a ser a sede da Fundação Eugénio de Andrade, entretanto extinta. Os seus manuscritos e outra documentação estão atualmente na Sala de Coleções Especiais da Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Não muito longe dali, no Cemitério do Prado do Repouso, fica a sepultura de Eugénio de Andrade: uma campa rasa em mármore branco, desenhada pelo amigo Siza Vieira, em que estão escritos versos do seu livro “As Mãos e os Frutos”.

Citações:

“A sabedoria do poeta é uma segunda inocência.”

“Uma palavra é como a nota que procura outras para um acorde perfeito”