Perfil

Pedro Burmester – Uma vida ao piano
13 Outubro, 2017 /

Toca desde criança, ter uma carreira de grande projeção internacional e é um dos mentores da Casa da Música. Pedro Burmester é um dos maiores nomes da cultura portuense.

Nascido no Porto a 9 de outubro de 1953, Pedro Burmester estudou durante durante dez anos com Helena Sá Costa (1913-2006), pianista de renome que, para além de uma notável carreira internacional, se destacou também pelo ensino. Burmester foi, desde muito cedo, um aluno prodigioso. Os primeiros concertos aconteceram quanto tinha apenas 10 anos.

Em 1981 terminou o Curso Superior de Piano do Conservatório do Porto com 20 valores. Entre 1983 e 1987 esteve nos Estados Unidos, onde trabalhou com Sequeira Costa, Leon Fleisher e Dmitry Paperno. Frequentou igualmente várias masterclasses com pianistas como Karl Engel, Vladimir Ashkenazi, T. Nocolaieva e E. Leonskaja.

Foi premiado em diversos concursos, como o Prémio Moreira de Sá, o 2º Prémio Vianna da Motta e o Prémio Especial do Júri no Concurso Van Cliburn, nos EUA.

Ao longo da sua carreira participou em todos os festivais de música portugueses e em eventos internacionais em todo o mundo. No final dos anos 90 fez uma tournée na Austrália com a prestigiada Australian Chamber Orchestra.

Colaborou com maestros como Manuel Ivo Cruz, Miguel Graça Moura, Álvaro Cassuto, Omri Hadari, Gabriel Chmura, Muhai Tang, Lothar Zagrosek, Michael Zilm, Frans Brüggen e Georg Solti.

A discografia de Pedro Burmester é vasta, incluindo discos a solo, mas também colaborações com outros artistas.

Em dezembro de 2013 atuou na Casa da Música, num recital editado em Janeiro de 2015. Nesse mesmo ano interpretou os cinco Concertos para piano e orquestra de Beethoven com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.

Foi Diretor Artístico e de Educação na Casa da Música, projeto que ajudou a criar e a implementar. Hoje em dia, para além da sua atividade artística, é professor na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) no Porto.

 

Hélder Pacheco
10 Julho, 2017 /

O contador das histórias do Porto

Estudioso da História da cidade, publicou dezenas de livros e centenas de artigos sobre o Porto. Conhece como poucos os segredos da cidade e a alma dos portuenses.

Nascido na antiga Rua do Correio, na freguesia da Vitória, Hélder Pacheco é, desde criança, um apaixonado pela cidade. O avô levava-o ao antigo Palácio de Cristal (que desapareceu nos anos 50); com o pai, adepto de vários desportos, acompanhava os eventos desportivos que decorriam no Académico, no Parque das Camélias ou no Parque do Fluvial.

Às memórias de infância juntou largos anos de estudo, que fizeram dele um dos maiores especialistas na História da Cidade. Para além de várias obras sobre a história e personagens do Porto, estudou também, por exemplo, os hospitais da cidade, a festa de São João, os tascos ou os elétricos. Mas, mais do que relatar factos e histórias, Hélder Pacheco põe nos textos que escreve toda a sua paixão pela cidade, partilhando também a sua opinião e a sua visão sobre o que é o Porto e o que é ser portuense.

Um percurso que pode parecer surpreendente, tendo em conta que estudou Belas Artes. Mais tarde, estudaria também Ciências Pedagógicas e História, tendo passado pelas universidades do Porto e de Coimbra. Como estudante e investigador aprofundou fora de Portugal os seus conhecimentos nas áreas da Educação e Património Cultural. Colabora com jornais e revistas, já teve programas de rádio e participou em conferências em Portugal e no estrangeiro.

Desde os anos 70 que tem tido uma intensa atividade cívica, integrando comissões e entidades nas áreas da Educação e do Património. O seu trabalho tem sido reconhecido com vários prémios, incluindo a Medalha de Mérito – Grau Ouro – da Câmara  Municipal do Porto (1988). É também sócio honorário de diversas coletividades da cidade.

 

Rui Veloso
26 Junho, 2017 /

O pai do rock português

Uma carreira com 37 anos, 25 álbuns editados, mais de um milhão de discos vendidos. Chamam-lhe o pai do rock português, porque foi com o seu primeiro álbum, lançado em 1980, que o rock nacional nasceu e cresceu, conquistando o grande público.

Rui Veloso nasceu em Lisboa em 1957, mas quando tinha apenas três meses de idade a família mudou-se para o Porto e foi aqui que começou a tocar harmónica, com apenas 6 anos. Os blues foram a sua primeira paixão e Eric Clapton, Bob Dylan e B.B. King as suas maiores influências. Ainda adolescente, formou uma banda e começou a compor música. Em 1976 conheceu Carlos Tê, o autor das letras da maior parte dos seus temas. Fez algumas gravações mais ou menos artesanais de temas inéditos e um dia, sem que ele soubesse, a mãe enviou as cassetes para uma editora portuguesa, que o desafiou a cantar em Português. É lançado em 1980 “Ar de Rock”, um álbum com uma sonoridade pioneira, que obtém grande sucesso junto do público e da crítica.

Seria apenas o início de uma carreira cheia de sucessos. Rui Veloso tem conquistado, ao longo das últimas décadas, um lugar de destaque na música portuguesa e o reconhecimento internacional que lhe permitiu, por exemplo, tocar ao lado de B.B. King, em 1990. Nesse mesmo ano, atuou para 12 mil pessoas no Pavilhão do Dramático, em Cascais, um feito nunca antes alcançado por qualquer artista português.

No ano seguinte atuou na primeira parte do concerto de Paul Simon, perante mais de 50 mil pessoas.

Para além de ter já realizado muitos concertos fora do país e de ter editado álbuns noutros países, Rui Veloso tem participado em vários projetos com outros músicos portugueses.

 

As sugestões de Katty Xiomara
23 Abril, 2017 / , ,

É um dos nomes mais internacionais da moda portuguesa. Embora tenha nascido na Venezuela, a sua carreira tem sido desenvolvida no Porto e é a partir daqui que desenha criações que desfilam nas passerelles de todo o mundo.

Katty Xiomara nasceu em Caracas, na Venezuela, tendo chegado ao Porto aos 18 anos. Foi nessa altura que decidiu começar a estudar moda. Ainda como estudante venceu, com apenas 22 anos, o primeiro prémio do Porto de Moda. Em 1996 participou no Porrtugal Fashion pela primeira vez e desde então tem sido presença assídua neste evento, tendo também apresentado coleções no Portugal Fashion Paris.

Desde 2005 que participa em feiras internacionais como a Bread & Butter, Berlim e Barcelona, e a Project, Las Vegas entre outras. Esta carreira internacional foi consolidada em 2013, quando começou a estar presente na Semana de Moda de Nova Iorque. Em 2014 recebeu o Silver Winner, atribuído pela IDA “International Design Awards”, prémio que voltaria a ganhar em 2015.

Em 2007 instalou o seu atelier numa casa na Rua da Boavista, mas é possível encontrar as suas coleções nos Estados Unidos e Japão. As suas criações são elegantes e intemporais, mas ao mesmo tempo alegres e românticas, destinando-se a mulheres confiantes e que apostam num estilo individual único.

Na carreira de Katty Xiomara destacam-se também colaborações com várias marcas internacionais, que vão desde a roupa desportiva à criação de uniformes. A designer é também professora na mesma escola de moda onde se formou, o Modatex.

Atelier

Rua da Boavista, 795
Telefone: +351 220 133 784

  • Bar – Sei que não é propriamente um bar, mas gosto muito do mojito, do blackberry fizz e do berrygood no Honorato (Baixa)
  • Restaurante – Um tradicional e sem pretensões: o Antunes. Noutro registo, salientaria o Flow ou o Reitoria
  • Passeio – Palácio de Cristal, a marginal da Foz até a Ribeira
  • Local romântico – O antigo solar do vinho do Porto, nos jardins românticos do Palácio de Cristal
  • Um segredo da cidade: Não é propriamente um segredo, mas gosto muito do Passeio das Virtudes, o Centro Português de Fotografia/Antiga Cadeia da Relação e Museu Soares dos Reis

 

Fernando Távora – O Mestre da “Escola do Porto”
3 Março, 2017 /

Foi um dos mais conceituados nomes da arquitetura portuguesa e o “pai” da chamada “Escola do Porto”.

Nascido no Porto a 25 de Agosto de 1923, no Porto, Fernando Távora pertencia a uma família conservadora, descendente da nobre linhagem dos Távoras. Os primeiros anos de vida foram passados nas propriedades da família, no Minho, na Bairrada e nas praias da Foz do Douro. Desde cedo mostrou grande aptidão para o desenho e muito interesse por casas antigas. Contrariando a vontade da família, que desejava que estudasse Engenharia Civil, inscreveu-se na Escola de Belas Artes do Porto, em 1941, para frequentar o Curso Especial de Arquitetura.

Foi professor em instituições como a Escola Superior de Belas Artes do Porto  (ESBAP), a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto  (FAUP) – que ajudou a instalar – e na Universidade de Coimbra. Fundador da chamada “Escola do Porto”, foi uma das grandes influências de outros grandes nomes da arquitetura nacional, como Siza Vieira.

Para além de várias obras que projetou, e que refletem criatividade, funcionalidade, mas também responsabilidade social, teve igualmente um trabalho notável na área da conservação do património.

Fernando Távora faleceu a 3 de Setembro de 2005.

Algumas das obras mais emblemáticas: 

  • Mercado Municipal de Santa Maria da Feira
  • Pavilhão de ténis e arranjos exteriores na Quinta da conceição, Matosinhos
  • Restauro e adaptação do Convento de Santa Marinha a Pousada, Guimarães
  • Plano geral de Urbanização de Guimarães
  • Remodelação e ampliação do Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
  • Restauro e adaptação do Palácio do Freixo a Pousada, Porto
  • Casa dos 24, Porto

 

 

Eugénio de Andrade
2 Março, 2017 /

Eugénio de Andrade, um dos poetas portugueses mais traduzidos, manteve durante grande parte da sua vida uma forte ligação ao Porto.

Embora tenha nascido no Fundão, Eugénio de Andrade (cujo verdadeiro nome era José Fontinhas), viveu no Porto mais de 50 anos, até à sua morte, a 13 de junho de 2005. Chegou ao Porto na década de 50. Nessa altura, e embora já tivesse obras escritas, a sua profissão era inspetor administrativo do Ministério da Saúde e foi nessa condição que, na sequência de uma transferência, veio viver para a cidade. Mais tarde receberia o título de cidadão honorário.

Autor de dezenas de obras que lhe valeram prémios nacionais e distinções internacionais, foi também tradutor de obras de autores como Federico García Lorca  ou Jorge Luís Borges. Entre as diversas antologias poéticas de que foi autor, destaca-se aquela que dedicou ao Porto (Daqui Houve Nome Portugal, 1968). Embora cultivasse fortes relações de amizade com outros escritores e artistas, era discreto. Não gostava de dar entrevistas nem de comparecer a eventos sociais e culturais.

Viveu largos anos no número 111 da Rua Duque de Palmela, mas desde 1994 até à sua morte habitou na Casa Serrúbia, na Rua do Passeio Alegre, na Foz do Douro. Esta casa viria a ser a sede da Fundação Eugénio de Andrade, entretanto extinta. Os seus manuscritos e outra documentação estão atualmente na Sala de Coleções Especiais da Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Não muito longe dali, no Cemitério do Prado do Repouso, fica a sepultura de Eugénio de Andrade: uma campa rasa em mármore branco, desenhada pelo amigo Siza Vieira, em que estão escritos versos do seu livro “As Mãos e os Frutos”.

Citações:

“A sabedoria do poeta é uma segunda inocência.”

“Uma palavra é como a nota que procura outras para um acorde perfeito”