Curiosidades

As sinagogas do Porto
23 Abril, 2017 / ,

A presença judaica no Porto será anterior à própria existência da cidade, mas os primeiros registos datam do século XII, altura em que muitos comerciantes judeus se instalaram na Ribeira.

A primeira sinagoga de que há conhecimento terá surgido no morro da Sé. Mais tarde, já no século XIV, terá existido outra casa de oração na atual Rua do Comércio do Porto, perto do Palácio da Bolsa. Viria entretanto a ser construída a Judiaria de Monchique, uma zona da cidade onde, ainda hoje, a presença judaica é visível na toponímia. Ali existiu também uma sinagoga de grande importância. A placa comemorativa da sua inauguração está exposta no Museu do Carmo, em Lisboa. O cemitério judaico ficaria perto do local onde hoje existe o Passeio das Virtudes.

Já no século viria a ser construída a Judiaria do Olival, que tinha também uma imponente sinagoga, vindo mais tarde a dar lugar ao Mosteiro de São Bento da Vitória. A Inquisição e a conversão forçada de muitos judeus também deixaram a sua marca no Porto. No século XVII foram muitos os judeus que deixaram a cidade.

Já no século XX viria a ser construída a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (na Rua Guerra Junqueiro, 340), a maior da Península Ibérica.

 

 

 

Cedofeita: uma rua com muitas vidas
23 Abril, 2017 / , ,

Foi uma das marcas da renovação urbana no século XVIII e um dos pontos de partida para o renascimento da Baixa, já no século XXI. Uma grande parte desta rua é pedonal, o que a torna perfeita para compras, passeios e para uma refeição tranquila.

As origens de Cedofeita parecem remontar ao século VI e à Igreja de São Martinho de Cedofeita. No entanto, estando afastada das muralhas medievais e da zona ribeirinha, só viria a desenvolver-se plenamente no século XVIII. Nessa altura, e perante o crescimento da cidade em termos económicos e demográficos, tornou-se importante fazer a ligação entre a parte portuária e a zona alta. A Rua de Cedofeita era então conhecida como Rua da Estrada e foi um dos pilares dos planos de urbanização que então foram delineados.

Começaram então a ser construídas as casas que ainda hoje existem: edifícios com dois a quatro andares, com varandas nos pisos superiores e montras voltadas para a rua. O elétrico chegou a passar nesta rua, célebre pelas lojas, como o extinto Bazar dos Três Vinténs (a placa ainda existe).

Apesar de ter sido “esquecida” durante algum tempo, Cedofeita tornou-se, nos últimos anos, um dos pontos centrais de nova vida da Baixa do Porto, tirando partido da proximidade de locais como a Rua Miguel Bombarda ou a Praça Carlos Alberto.

Curiosidades:

No n.º 395 desta rua terá vivido o rei D. Pedro, durante o cerco do Porto, em que as tropas liberais, lideradas por D. Pedro, estiveram cercadas pelos apoiantes do seu irmão, D. Miguel.

No número º 159 habitou Carolina Michaelis, uma ilustre crítica literária e escritora, que foi a primeira mulher a dar aulas numa universidade portuguesa

A Rua de Cedofeita tem 840 metros de extensão: começa na Praça Carlos Alberto e termina na Rua da Boavista.

A escritora portuense Agustina Bessa-Luís dizia que a Rua de Cedofeita era “a mais bonita” do Porto.

Na primeira década deste século, chegou a existir um projeto para que a Rua de Cedofeita passasse a ter uma cobertura em vidro

Uma amizade de séculos
14 Março, 2017 /

Uma amizade de séculos

É bem conhecida a influência dos ingleses na cidade por via do Vinho do Porto, mas a relação entre portuenses e britânicos é muito mais antiga.

O primeiro contacto terá acontecido em junho de 1147, quando os cruzados ingleses que se dirigiam à Terra Santa ficaram 11 dias no Porto à espera das forças comandadas pelo conde de Areschot e por Cristiano de Gistell, que se tinham separado da armada devido a um temporal. O primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques, ao saber deste facto, procurou estabelecer um acordo com os seus chefes, convencendo-os a ajudar na conquista de Lisboa aos mouros.

O relacionamento intensificou-se durante a Idade Média, com o estabelecimento de relações comerciais. Panos, vinho, madeira, peles e pescado eram os produtos transacionados entre os dois países.

A 2 de fevereiro de 1367 a Sé do Porto foi palco do casamento entre D. João I e D. Filipa de Lencastre, uma união que teve como contrapartida o apoio dos britânicos na luta com Castela.  Em 1642, dois anos após a restauração da independência de Portugal, o Porto recebe o primeiro cônsul britânico, Nicholas Comerforde

O Duque do povo
2 Março, 2017 /

Salvou muitas pessoas das perigosas águas do Rio Douro. O Porto prestou-lhe homenagem com um busto, colocado na Ribeira.

Deocleciano Monteiro foi o nome de nascença, mas a mãe começou a chamar-lhe Duque e foi assim que ficou conhecido. O Duque da Ribeira, falecido em 1996, foi uma das figuras mais emblemáticas da cidade. Com apenas 11 anos salvou um homem de morrer afogado no Douro. Durante toda a sua vida como barqueiro protagonizou muitos outros salvamentos, tendo também recolhido os corpos dos que não resistiram às traiçoeiras águas do rio que conhecia como ninguém.

Tornou-se numa das personagens mais famosas da história do Porto e conheceu figuras ilustres como a Rainha Isabel II e outros chefes de Estado. A cidade não o esqueceu e prestou-lhe homenagem no local que foi cenário do seu heroísmo. Na Rua da Lada, junto à Ponte D. Luís I, foi colocada uma lápide com um busto da autoria de José Rodrigues.