Cultura

Ricardo Jorge – Precursor do Sistema Nacional de Saúde
21 Setembro, 2020 / , ,

Ricardo de Almeida Jorge nasceu no Porto, em 9 de maio de 1858.

Frequentou a Escola Médico-Cirúrgica do Porto entre 1874 e 1879, finalizando o curso de Medicina aos 21 anos, com uma dissertação “O nervosismo no Passado” Iniciando a sua vida profissional na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Porto. Em 1880, leciona na mesma Faculdade as cadeiras de Anatomia, Histologia e Fisiologia Experimental e concorre ao cargo de professor substituto no Departamento de Cirurgia da mesma escola. Elabora um trabalho sobre Localizações Motrizes no Cérebro, numa época em que a neurologia dava os primeiros passos. Não protelando a pratica clínica, desloca-se várias vezes ao estrangeiro, assistindo às lições do neurologista Charcot.

Entretanto de regresso ao Porto, publica vários artigos em revistas científicas e monta o primeiro laboratório de microscopia e fisiologia do Porto.
Sendo a neurologia seu primeiro interesse, deixou uma obra monumental, abrangendo assuntos diversos, incidindo a maior parte do seu legado sobre as especialidades da Higiene e Epidemiologia. O seu estilo vai além de um homem de ciência, como podemos observar num comentário de Camilo Castelo Branco de quem era amigo “O estilo de Ricardo Jorge desatrema de tudo que se conhece em oratória parlamentar, em dialética académica, em eloquência cívica dos clubes e até em oratória de púlpito…”, na obra Serões de S.Miguel de Seide.

Os estudos desenvolvidos sobre hidroterapia e o interesse de Ricardo Jorge pelo termalismo e hidrologia (realização de algumas experiências sobre os efeitos dos fluoretos alcalinos e nas águas termais) está na sequência, em 1888, do contrato de exploração por cinquenta anos, das Caldas do Gerês, onde exerceu o cargo de director clínico entre 1889 e 1892. Não se revelando vocacionado a actividade empresarial a Companhia das Caldas do Gerês, abriu falência em 1893.

Vários debates sobre a instalação dos cemitérios no Porto, induziram Ricardo Jorge a dar uma série de conferências (1884), numa atitude contestatária ao que as autoridades de saúde pensavam relativamente à higiene social, contribuindo para um grande debate. Foi um momento fundamental no processo evolutivo da saúde pública em Portugal.

A convite da Câmara Municipal do Porto, fez parte de um estudo sobre as condições sanitárias da cidade, elaborando um relatório publicado em 1988. Foi nomeado médico municipal do Porto em 1891, recebendo outro convite, em 1892, para administrar os Serviços Municipais de Saúde e Higiene do Porto e o Laboratório Municipal de Bacteriologia.

Em 1895 é nomeado Professor Titular da Cadeira de Higiene e Medicina Legal da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Os estudos de Ricardo Jorge, Arantes Pereira e do Conde de Samodães, ajudaram a influenciar a Rainha D. Amélia na criação da Assistência Nacional aos Tuberculosos e à construção de sanatórios para os doentes.

Em 1899 o Porto é atingido por um surto de peste bubónica (em teoria extinta no Ocidente desde 1700). Ricardo Jorge faz o diagnóstico relatando às autoridades competentes o eclodir da epidemia. Foi de imediato solicitada ajuda internacional sendo encomendados ao Instituto Pasteur de Paris duzentos tubos do soro “Yersin”. Ainda que várias pessoas tenham sido vacinadas pelo Dr. Calmette, entre as quais os próprios filhos de Ricardo Jorge.
Conhecendo este muito bem as condições de desenvolvimento da peste pôs em prática rigorosas medidas sanitárias e de eliminação dos agentes transmissores da doença tal como ratos e pulgas ( por cada rato grande entregue numa esquadra de polícia eram pagos 20 réis, por cada pequeno 10), além de medidas preventivas para a erradicação da praga (isolamento de pacientes e a desinfecção de casas onde eram encontrados casos patológicos)
O Conselho de Saúde decreta um cordão sanitário em torno da cidade, defendido pelo exército, no entanto, os prejuízos económicos advindos do isolamento e a instigação por parte de alguns grupos políticos originaram uma revolta da população, eclodindo alguns episódios violentos.

Ainda que protegido pelas autoridades e contando com a solidariedade dos médicos do Porto Ricardo Jorge parte para Lisboa onde é nomeado Inspector-Geral dos Serviços Sanitários do Reino, lente de Higiene na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e membro do Conselho Superior de Higiene e Saúde.

Em 1899 cria a Direcção-Geral de Saúde e Beneficência Pública e o Instituto Central de Higiene, mais tarde Instituto Superior de Higiene (que ostenta hoje o seu nome).

Podemos dizer que Ricardo Jorge nos finais do século XIX dá origem a uma profunda reforma na saúde pública em Portugal, em todas as vertentes que lhe estão ao alcance (académica, legislativa e de investigação)

A instabilidade politica da I República não permitiu desenvolvimento visionado por Ricardo Jorge e só durante o Estado Novo com Marcelo Caetano como Presidente do Conselho de Ministros se dá um novo impulso às questões da saúde, sendo exemplo de peso o modelo sanitário apresentado por Baltazar Rebelo de Sousa e Gonçalves Ferreira, fulcrais na criação do futuro Sistema Nacional de Saúde.

Uma curiosidade interessante foi o facto de ter proibido a coca-cola em Portugal (em 1927 enquanto Diretor-geral da Saúde.

Só em 1977 é desbloqueada essa proibição.
Foi activo até quase ao final da sua vida, intervindo e participando numa reunião do Escritório Internacional de Higiene três meses antes de morrer em Lisboa, em 29 de julho de 1939.

O dia em que o Rei visitou o Porto
21 Setembro, 2020 / , , ,

Em novembro e dezembro de 1908 D. Manuel II, que viria a ser o último rei de Portugal, fez uma longa viagem ao norte do país, tendo passado vários dias no Porto.

Num desses dias, e depois da mãe, a Rainha D. Amélia, ter feito compras numa grande loja da cidade, o povo reuniu-se no Campo da Regeneração (atual Praça da República), para uma parada militar. Dizem os jornais da época que muitas pessoas subiram aos telhados para poderem assistir e que nas ruas, os automóveis, trens e elétricos que se dirigiam ao local tiveram de voltar para trás.

O desfile percorreu várias ruas da Baixa e, em plena Rua de Santa Catarina, o cortejo é recebido com uma grande chuva de flores. No final do dia, tem lugar um jantar de gala no Palácio dos Carrancas. Dona Amélia teve também um dia preenchido, tendo visitado o atelier do escultor Teixeira Lopes.

Depois de ter percorrido diversas localidades do norte, D. Manuel II regressaria ao Porto, tendo participado num sarau no Ateneu Comercial do Porto. Em mais uma homenagem ao rei, os banheiros da Praia do Ourigo deram o nome do monarca à praia. Em outubro de 1910 deu-se a implantação da República e a designação ficou para sempre esquecida.

Fonte: O Tripeiro 7ª série Ano XVI Número 1 e 2 Fevereiro 1997

 

A Estátua que tem o nome da cidade
17 Setembro, 2020 / ,

Na centralíssima Praça da liberdade, mais precisamente na confluência com a Rua Dr. Artur de Magalhães Basto junto ao Edifício do Banco de Portugal, está instalada uma estátua, hoje em dia vista desenhada e fotografada não só pelos milhares de pessoas que nos visitam, mas igualmente por tantos habitantes locais nas suas passagens rotineiras, e que representa um guerreiro.

Ela tem uma série de particularidades que só por si despertam algum interesse.

Desde logo o facto de ser possivelmente a que mais ‘passeou’ pela cidade. Está neste momento e desde 2013 no local mais próximo do ponto para onde foi idealizada, que foi o alto do frontão triangular da fachada do palacete que existia no topo norte da actual Praça da Liberdade onde esteve instalada durante cerca de cem anos a Câmara Municipal até à sua demolição em 1916 para a abertura da então Avenida das Nações Aliadas, actual Avenida dos Aliados. Nessa altura foi apeada e colocada junto ao Paço Episcopal e mais tarde ao lado da Muralha Medieval. Mais tarde voltou a ser removida, desta vez para os Jardins do Palácio de Cristal até que o Arquitecto Fernando Távora, na obra de requalificação da Casa dos 24, a instalou no Terreiro da Sé até ser finalmente depositada no local onde hoje se encontra.

Outro aspecto curioso é que sabemos que foi idealizada e por isso muitas vezes atribuída ao Escultor João de Sousa Alão mas não por si feita. Ele encomendou-a ao Mestre Pedreiro João Silva que foi na realidade o seu autor.

A ideia inicial era adornar aquele palacete que até então tinha sido uma residência particular, com símbolos que o identificassem com as novas funções de Sede dos Paços do Concelho.
E assim foi concebido este guerreiro com as suas armas e um elmo encimado por um dragão, bem como um escudo onde para além da inscrição Portus Cale surgem as Armas da própria Cidade. Por todos estes motivos, esta obra recebeu o nome da própria cidade que simboliza: “Porto”.

Uma última referência tem a ver com o os custos e contrato de pagamento, pois de acordo com os documentos das contas municipais desse ano de 1818, deveria ser liquidada em 3 vezes a quantia de… 343$20. Se não contarmos com as obvias actualizações, este valor corresponde a cerca de € 1,60…

Roteiro dos escritores, pelo Porto ( Almeida Garret )
17 Setembro, 2020 / ,

O Turismo Literário oferece capital cultural pois dá aos leitores possibilidade de percorrer e descobrir lugares relatados, de inspiração, e lugares que marcaram as vidas de escritores e dos seus bens. Da dificuldade em descobrir esses lugares se denota que muito trabalho há a fazer na preservação e na divulgação deste património. Algumas das casas mencionadas têm uma placa informativa, mas não são consideradas património cultural, e nem há um levantamento, de todas as casas que existem. Esta modalidade turística estabelece relações fortes entre os turistas e os seus destinos, relações criativas, afectivas e sociais. O Porto pode assim destacar-se e diferenciar-se como destino rico em património cultural, com história e escritores de renome.

ALMEIDA GARRET

Nasceu em 1799 no Porto, na Rua Dr. Barbosa de Castro próxima dos Jardins da Cordoaria, na casa n.º 37-41, e aí viveu até aos cinco anos, deslocando-se depois para Vila Nova de Gaia.
A meio do primeiro andar da casa, de características setecentistas, num medalhão oval em gesso, colocado pela câmara municipal em 1864, uma inscrição homenageia a memória do autor de “Viagens na Minha Terra”.

 

Há marcas do escritor por toda a cidade :

– Igreja de Santo Ildefonso, onde Garrett foi baptizado em 1799;

– edifício do Colégio de S. Lourenço/Igreja dos Grilos na Sé, e regimento militar improvisado, onde se refugiou durante o cerco do Porto, em 1832, e onde deu início ao romance “O Arco de Sant’ Ana: crónica portuense”;

– Praça Almeida Garret junto à estação de S. Bento;

– Ele foi um dos responsáveis pela introdução do coração de D.Pedro no brasão da cidade do Porto;

– sepultura em sua homenagem no cemitério da Lapa, embora os seus restos mortais se encontram no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa;

– desde 1954, no 1.º centenário da sua morte, uma estátua sua em bronze, tem lugar de destaque em frente à câmara municipal do porto,

– em 2001, quando Porto foi Capital Europeia da Cultura, a Biblioteca Municipal nos jardins do Palácio de Cristal foi baptizada de Almeida Garret.

É descrito como um dandy petulante e vaidoso.

A fonte do Jardim do Marquês já esteve na Praça D. João I?
25 Março, 2020 / ,

 

A fonte que está no Jardim do Marquês tem já uma longa história. Foi colocada neste local em 2006, depois das obras de requalificação do jardim, mas durante décadas iluminou, literalmente, a Praça D. João I.

A Praça D. João I só foi inaugurada em nos anos 40 e com uma aura de grande modernidade, graças aos dois edifícios bastante altos que a ladeavam e que ainda existem. Um deles era, à época da construção o edifício mais alto do país. Fazendo a ligação entre a Rua Passos Manuel e a Avenida dos Aliados, esta nova praça, construída onde antes existiam outros edifícios, viria a receber elementos decorativos marcantes: as esculturas de bronze “Os Corcéis”, que ainda lá estão, e a fonte luminosa, que entretanto mudou de local e que está agora no Marquês, embora desprovida de alguns dos seus elementos originais.

A fonte estava colocada no centro da praça e, para além de ter no fundo o desenho da roda dos ventos, iluminava-se durante a noite. Estava instalada numa pequena rotunda, com calçada portuguesa e arbustos. Naquela altura, os carros e autocarros circulavam na praça e existiam cafés e outros estabelecimentos comerciais no local onde hoje estão as entradas para o parque de estacionamento. A imponente fonte foi mandada construir pelo proprietário de uma importante agência imobiliária.

Casa de São Roque
25 Março, 2020 / ,

A zona oriental da cidade do Porto tem vindo, ao longo dos últimos anos, a renascer quase das cinzas. De facto, um pouco marginalizada quando comparada com outras zonas da cidade, a parte oriental tem vindo a ser alvo de interesse crescente por parte da nova população que procura ali estabelecer-se e também por parte da gestão camarária que tem procurado incentivar a reabilitação da zona. Veja-se, a título de exemplo, o investimento dos Jardins e Parques Urbanos da zona oriental e a parceria que resultou na requalificação da Casa de São Roque.

Esta última merece um destaque particular, e a atenção do caro leitor!

Até há pouco quase em ruínas, a casa renasceu fruto de uma reabilitação primorosa que lhe devolveu o glamour e pôs em evidência a pérola arquitectónica que efectivamente é!

A casa, também conhecida por Palacete Ramos Pinto, fica situada no Parque de São Roque da Lameira, na freguesia de Campanhã, e pretende ser hoje um novo polo cultural da cidade. A casa vai dar a conhecer ao público grande parte da coleção de arte Peter Meeker/Pedro Álvares Ribeiro, estando actualmente patente a exposição “Inventória” com trabalhos assinados por Ana Jotta e a curadoria de Barbara Piwowarska.

Historicamente, temos de recuar até 1759, altura em que, fazendo parte da Quinta da Lameira, a casa funcionou como mansão e pavilhão de caça, como era típico na burguesia e nas famílias nobres do Porto de então. No século XIX, pertenceu à família de Maria Virginia de Castro, que em 1888 se casou com António Ramos Pinto, um dos mais conhecidos produtores e exportadores de vinho do Porto. Foi ele quem promoveu uma primeira remodelação da casa ao arquitecto José Marques da Silva (o mesmo que projectou a estação de São Bento).

Em 1979, toda a quinta e a casa foram adquiridas pela Câmara Municipal do Porto ao último dono, tendo sido preservados a mobília e os objectos mais importantes da casa (hoje em uso na colecção da Casa do Roseiral).

A Casa São Roque é hoje um exemplar marcante das casas da época no Porto, pela suas caraterísticas arquitetónicas e decorativas, acompanhada do seu magnifico jardim, no qual temos de destacar as belíssimas camélias (que inspiram toda uma programação na cidade nos próximos dias 2 a 9 de Março), da qual faz também parte uma visita guiada às camélias centenárias da Casa de são Roque no dia 2 de Março pelas 10h30 com o Professor Armando Oliveira.

A casa é linda, o jardim magnifico, a exposição actualmente patente desafiante – não dará o seu tempo por perdido se lhes dispensar uma visita!

Para mais informações e acompanhamento da oferta disponível, não deixe de consultar: https://www.casasroque.art/pt/

São Gonçalo de Amarante
16 Dezembro, 2019 / , ,

A Igreja, o Convento e a Ponte de São Gonçalo, são o “ex libris” da cidade de Amarante, indissociáveis da figura que lhes dá o nome. A miríade de lendas e crenças, que gravitam em torno deste local, esbatem a realidade numa encruzilhada de tal nebulosidade, que nos atira para a impossibilidade de discernir com rigor onde acabam umas e começa a outra. “Gonçalo foi Santo, e admirável Santo, na primeira idade de menino; santo, e admirável, na segunda de mancebo; santo, e admirável na terceira de varão; santo, e admirável na quarta de velho; e finalmente Santo, e admirável, na quinta, depois de morto” (excerto de sermão do Padre António Vieira no Brasil).

São Gonçalo de Amarante, nasceu por volta de 1190, na freguesia de S. Salvador de Tagilde, no concelho de Vizela, no seio de uma família nobre (os Pereiras). Sob a proteção do arcebispo da Arquidiocese de Braga, Gonçalo cursou as disciplinas eclesiásticas na escola-catedral da Sé arquiepiscopal, vindo a ser ordenado sacerdote e nomeado pároco da freguesia de S. Paio (ou S. Pelágio) de Riba-Vizela. Parte em peregrinação primeiro a Roma donde passou a Jerusalém, onde se demorou 14 anos, deixando os paroquianos ao cuidado dum sobrinho sacerdote. De regresso a Portugal, é escorraçado pelo mesmo que mediante uma trama teria sido nomeado como pároco da freguesia. Resignado, deixa S. Paio de Riba-Vizela, ingressa na vida conventual da Ordem dos Pregadores, recentemente fundada por S. Domingos, construindo uma pequena ermida que dedicou a Nossa Senhora da Assunção, nas margens do rio Tâmega. no local onde hoje se ergue a Igreja e Convento de São Gonçalo, em Amarante. O processo de beatificação foi promulgado em 16 de setembro de 1561. A devoção ao santo mais popular dos santos portugueses, depois de Santo António de Lisboa, espalhou-se por Portugal e Brasil. Em 1540 João III de Portugal e D. Catarina de Áustria, deliberaram a construção de um novo templo e convento dominicano no local, sob a invocação de Gonçalo de Amarante. As obras iniciaram-se em 1543, tendo-se prolongado até ao século XVIII, com intervenções no século XX.

São Gonçalo, no sec. XIII, inicia a construção de uma travessia entre as duas margens (é durante este período que surge uma imensidade de lendas). A ponte desmoronou-se no século XVIII devido às cheias, tendo sido recuperada posteriormente. A famosa defesa da Ponte de Amarante ocorreu em 1809 e foi um dos momentos mais marcantes das segundas invasões francesas. A heroica defesa da ponte, como ficou conhecido o episódio, aconteceu já após as tropas francesas terem ocupado a Igreja de São Gonçalo, tendo sido impedidas de atravessar o Tâmega. Passaram-se mais de 200 anos, mas as marcas de bala de canhão e mosquete ainda perduram na fachada do edifício.

 

 

Amadeo de Souza Cardoso
16 Dezembro, 2019 / ,

Amadeu de Souza-Cardozo  (1887-1918), nasce em Manhufe, Amarante, frequenta Belas-Artes em Lisboa e desloca-se para Paris onde frequenta a Academia Viti de Anglada Caramassa acabando por se dedicar integralmente à pintura. Convive com Modigliani, Brancusi, Archipenko, Juan Gris, Robert e Sonia Delauney. Em 1912 expõe n o Salon des Indépendants e no Salon d´Autonne. Expõe algumas obras no Armory Show (USA) em1913.

Em 1914, encontra-se em Barcelona com Gaudi e o escultor Sola seu amigo e regressa nesse ano a Portugal devido ao início da guerra, instalando-se na quinta em Manhufe com Lucia Pecetto com quem casa posteriormente no Porto.

Morre em Espinho em outubro de 1918, vítima da gripe espanhola.

Amadeo de Souza-Cardozo, constitui a principal referência do Museu ao qual dá o nome, localizado num espaço do edifício que abrigava o convento dominicano de S. Gonçalo de Amarante.

Amor de perdição – a história trágica de um amor impossível
3 Dezembro, 2019 / ,

Amor de Perdição é o livro escrito por Camilo Castelo Branco, em 1862, que narra o amor trágico de dois jovens. A obra, baseada em factos reais, foi escrita quando Camilo estava preso e vivia também um amor proibido.

É um dos romances mais famosos da literatura portuguesa. O livro já foi traduzido para vários idiomas e adaptado quatro vezes ao cinema, sendo uma das versões da autoria do famoso realizador Manoel de Oliveira. Amor de Perdição é também o nome do largo onde fica o Centro Português de Fotografia, antiga Cadeia da Relação do Porto. Foi nesse edifício que Camilo Castelo Branco, preso enquanto aguardava julgamento por adultério, escreveu a sua obra mais famosa.  O nome do largo é, assim, uma homenagem a esse famoso livro.

Camilo Castelo Branco tinha sido acusado de adultério: apaixonou-se por Ana Plácido; o marido dela descobriu e processou os dois amantes por adultério. Foram ambos detidos, julgados e mais tarde absolvidos. Viriam a casar, mas não viveram felizes para sempre. Camilo suicidou-se em 1890 e os últimos anos da sua vida ficaram marcados pela cegueira e pela doença. Enquanto estrava na prisão, o escritor verificou nos registos da cadeia, pormenores de uma história que lhe tinha sido contada por familiares: a do seu tio Simão Botelho, preso e condenado ao degredo por ter assassinado um rival num relacionamento amoroso.

Foi a partir destes factos que Camilo escreveu a história de Simão e Teresa, filhos de famílias rivais de Viseu. Uma paixão proibida, que faz lembrar a de Romeu e Julieta, e cujo desfecho também não foi feliz. Teresa deveria casar com um primo, Baltasar Coutinho, mas o seu amor por Simão levou-a a rejeitar o pretendente. Magoado, Baltasar convenceu o pai da amada a mandá-la para o Convento de Monchique, no Porto. Por curiosidade, referira-se que o edifício do convento, embora muito degradado, ainda existe.

Desesperado, Simão esperou o rival à saída da cidade de Viseu e matou-o a tiro. Entregou-se às autoridades e ficou preso na Cadeia da Relação do Porto, até ser condenado ao degredo na Índia. No caminho, e ao passar de barco junto ao Convento, ainda avistou o vulto da sua amada, que viria a morrer instantes depois, consumida pela tristeza. Ao saber da morte de Teresa, Simão morreu também. O tio de Camilo não teve um final tão trágico, já que chegou ao degredo e por lá viveu. Mas a história de um amor trágico ficou sempre perpetuada nas páginas do livro.

 

 

 

A ÁGUIA E O LEÃO
21 Novembro, 2019 / , ,

Há uns anos, subia a Avenida da Boavista, acompanhada pelos meus dois sobrinhos mais velhos:

– Meninos, quem sabe o que é aquilo lá em cima?!

– É a Águia e o Leão na Rotunda da Boavista!

Sorri ao pensar o quão certa – e também o quão errada – estava a resposta!

O Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular foi projectado pelo arquitecto Marques da Silva e pelo escultor Alves de Sousa. A sua construção, da responsabilidade da Cooperativa dos Pedreiros, iniciou-se em 1909 mas apenas viria a ser inaugurado em 1952, já após o prematuro falecimento de Alves de Sousa, pelo que a sua conclusão ficou a cargo dos escultores Henrique Moreira e José Sousa Caldas. O mesmo destina-se a honrar os heróis da Guerra Peninsular, travada no âmbito das invasões francesas, que opôs Portugal, contando então com a aliada ajuda inglesa, aos exércitos franceses de Napoleão Bonaparte, no período de 1808 a 1814.

Esta parte os sobrinhos não sabiam, mas como a sua tenra idade não aconselhava “guerras”, acabei a explicar-lhes que havia um francês um bocadinho mau que queria que em Portugal só se comesse queijo! Por isso, pedimos ajuda aos nossos amigos ingleses, e mandamos os franceses à fava com o seu queijo! Na altura não me ocorreu melhor disparate, mas eles retiveram a ideia base correcta. Espero….

Composto por um pedestal de 45 metros de altura e rodeado de grupos escultóricos que representam cenas de artilharia, no monumento destaca-se a figura de uma mulher – a Vitória!, à frente do povo,  empunhando na mão esquerda, a bandeira nacional e, na direita, uma espada. No topo, uma alta coluna encimada por um leão (símbolo da bandeira de Inglaterra) sobre uma águia (símbolo do império de Napoleão), elementos que lhe deram o nome popular por que é conhecido.