Curiosidades

Rua Mouzinho da Silveira
17 Outubro, 2017 /

Um símbolo da modernidade do século XIX

Faz a ligação entre a Ribeira e a Baixa do Porto. Foi construída no século XIX, tapando um rio que dividia a cidade e hoje é ponto de passagem para milhares de turistas.

A construção desta rua, que homenageia o político liberal Mouzinho da Silveira (1780-1849), resultou da necessidade de ligar a zona da Ribeira – que até então era o coração comercial do Porto – ao centro da cidade. As obras foram financiadas com a Imposição do Vinho, um imposto que era cobrado com base nas pipas que fossem desembarcadas no Rio Douro.

Contrastando com as ruas estreitas da Ribeira, este novo arruamento constituiu já um sinal de modernidade numa época em que o Porto, impulsionado pelo comércio, crescia e ganhava poder económico. A rua foi construída sobre o Rio da Vila, um curso de água que dividia a cidade em duas partes e que corria a céu aberto; obrigou também a expropriações e à demolição de edifícios como a Capela de São Crispim, a Capela de São Roque e vestígios da antiga muralha medieval.

A rua, com 19 metros de largura, foi aberta em 1875.  Com a construção da Estação de São Bento (que ficaria concluída em 1916), esta artéria viria a ganhar ainda mais importância e maior centralidade. A proximidade da estação fez com que surgissem várias lojas que, para além dos portuenses, tinham como clientes os habitantes das aldeias do Douro e do Minho que se deslocavam à cidade. Além de sementes e alfaias agrícolas, estes estabelecimentos vendiam produtos como rolhas, balanças ou artigos religiosos. Algumas destas lojas ainda existem e merecem um olhar mais atento, já que constituem um valioso exemplo do comércio tradicional portuense.

Para além de restaurantes, lojas de artesanato e outros locais para fazer compras ou para degustar uma refeição, esta rua tem também outros pontos de interesse. Um deles é uma fonte em granito que tem uma história curiosa: é uma réplica da fonte que existia aquando da construção da rua e que foi demolida para dar lugar a duas lojas. Como estas desapareceram, recuperou-se a ideia da fonte original, formada por duas bicas e uma concha na parte central.  

Santa Clara
17 Outubro, 2017 /

A santa que veio de Roma

Nasceu no Império Romano, mas é no Porto, mais propriamente na Igreja do Bonfim, que esta santa é venerada. As festas em sua honra decorrem em setembro.

Filha de pais pagãos, Santa Clara ficou impressionada com o sofrimento dos cristãos nas arenas de Roma e converteu-se ao cristianismo. Perseguida pelos imperadores romanos, morreu como mártir. Inicialmente foi sepultada nas catacumbas de São Calisto mas, no século XVIII, um cardeal pediu ao Papa para expor as relíquias da Santa. José Teixeira, um pintor portuense, pediu ao cardeal para que a santa fosse trazida para o Porto.

Em 1779 o seu corpo foi trazido de navio para Portugal e, apesar de o barco ter sido apanhado numa grande tempestade, a tripulação e a embarcação nada sofreram. Em Saragoça e em Lisboa os bispos e padres terão tentado ficar com a santa, mas esta acabou por vir mesmo no Porto. Inicialmente ficou na Igreja de Nossa Senhora do Terço e Caridade do Porto, mas no primeiro domingo de setembro de 1803 Santa Clara foi trasladada para a Igreja do Bonfim. É a santa protetora dos marinheiros, mães com dores de parto e das crianças com problemas de fala.

A festa em honra da Virgem e Mártir Santa Clara é uma das maiores da cidade e decorre sempre no primeiro fim de semana de setembro.

Museu Nacional Soares dos Reis
22 Agosto, 2017 /

O museu que era uma fábrica

É o museu público mais antigo do país, mas já foi fábrica e habitação de uma família de negociantes.

O edifício começou a ser construído em 1795, para servir de habitação e fábrica da família Moraes e Castro, sendo um exemplo da arquitetura neoclássica que dominava a cidade do Porto nesse período. A decoração de interiores é requintada e foi feita pelos melhores artistas da época.

O então designado Palácio dos Carrancas recebeu – mesmo sem o acordo dos seus proprietários – personalidades como o General Soult (durante as Invasões Francesas), o Duque de Wellington, o General Beresford ou o príncipe Guilherme de Nassau. Foi também refúgio de D. Pedro IV, durante a guerra que este travou com o irmão.

Em 1861 foi transformado em Paço Real, para receber os reis quando visitassem o norte de Portugal. Com a implantação da República perdeu esta função, mas o último rei de Portugal estipulou, em testamento, que fosse entregue à Misericórdia, para que nele se instalasse um hospital. Como o anterior Museu Nacional Soares dos Reis (que funcionava desde 1833 em São Lazaro) estava em más condições, foi negociada a sua transferência para o Palácio dos Carrancas. O atual museu foi inaugurado em 1942.

 

A origem do nome Castelo do Queijo
10 Julho, 2017 /

O verdadeiro nome é Forte de São Francisco Xavier, mas é conhecido entre os portuenses como Castelo do Queijo, já que foi construído em cima de uma rocha de granito cujo formato arredondado fazia lembrar um queijo.

Esta designação terá surgido no século XVII, quando o forte foi construído para defender a costa dos ataques dos piratas vindos do Norte de África. A ideia de erigir o Forte de São Francisco Xavier terá surgido no século XVI, mas como a zona não tinha, naquela época, muito interesse estratégico, a construção foi adiada.

Apesar de possuir todas as características de um edifício militar, talhado para a defesa costeira – muralhas, um fosso, canhoeiras e guarias – a verdade é que nunca serviu verdadeiramente para o fim a que se propunha. Durante a Guerra Civil (1828-34) foi ocupado pelas tropas de D. Miguel e acabou por ver parte da sua estrutura destruída. Chegou a ser abandonado e saqueado mas, depois de restaurado, é hoje em dia um espaço aberto ao público, possuindo um pequeno museu e recebendo exposições e outros eventos.

 

Capela das Almas
26 Junho, 2017 /

Os 15 947 azulejos da Capela das Almas

É um dos edifícios mais fotografados e conhecidos do Porto. Situada em plena Baixa, a Capela das Almas chama a atenção pelos azulejos que cobrem a sua fachada.

Embora esta capela do século XVIII tenha uma arquitetura bastante simples, é impossível ficar indiferente às suas paredes, preenchidas com 15 947 azulejos que cobrem uma área de cerca de 360 m2. Na verdade, estes azulejos só foram colocados no século XX (1929), mas foram concebidos de forma a imitar os mosaicos característicos do século XVIII. São da autoria do ceramista Eduardo Leite e foram executados numa famosa fábrica de Lisboa.

Os azulejos representam episódios das vidas de Santa Catarina e de São Francisco de Assis. No entanto, não deixa de ser curioso que estes painéis misturem cenas das vidas de duas santas diferentes: Santa Catarina de Siena e Santa Catarina de Alexandria (na fachada principal).
Na capela destacam-se ainda uma torre sineira com dois andares e a imagem de Nª Srª das Almas. O retábulo do altar-mor, representando a Ascensão de Cristo, é da autoria do pintor Joaquim Rafael.

As sugestões de Katty Xiomara
23 Abril, 2017 / , ,

É um dos nomes mais internacionais da moda portuguesa. Embora tenha nascido na Venezuela, a sua carreira tem sido desenvolvida no Porto e é a partir daqui que desenha criações que desfilam nas passerelles de todo o mundo.

Katty Xiomara nasceu em Caracas, na Venezuela, tendo chegado ao Porto aos 18 anos. Foi nessa altura que decidiu começar a estudar moda. Ainda como estudante venceu, com apenas 22 anos, o primeiro prémio do Porto de Moda. Em 1996 participou no Porrtugal Fashion pela primeira vez e desde então tem sido presença assídua neste evento, tendo também apresentado coleções no Portugal Fashion Paris.

Desde 2005 que participa em feiras internacionais como a Bread & Butter, Berlim e Barcelona, e a Project, Las Vegas entre outras. Esta carreira internacional foi consolidada em 2013, quando começou a estar presente na Semana de Moda de Nova Iorque. Em 2014 recebeu o Silver Winner, atribuído pela IDA “International Design Awards”, prémio que voltaria a ganhar em 2015.

Em 2007 instalou o seu atelier numa casa na Rua da Boavista, mas é possível encontrar as suas coleções nos Estados Unidos e Japão. As suas criações são elegantes e intemporais, mas ao mesmo tempo alegres e românticas, destinando-se a mulheres confiantes e que apostam num estilo individual único.

Na carreira de Katty Xiomara destacam-se também colaborações com várias marcas internacionais, que vão desde a roupa desportiva à criação de uniformes. A designer é também professora na mesma escola de moda onde se formou, o Modatex.

Atelier

Rua da Boavista, 795
Telefone: +351 220 133 784

  • Bar – Sei que não é propriamente um bar, mas gosto muito do mojito, do blackberry fizz e do berrygood no Honorato (Baixa)
  • Restaurante – Um tradicional e sem pretensões: o Antunes. Noutro registo, salientaria o Flow ou o Reitoria
  • Passeio – Palácio de Cristal, a marginal da Foz até a Ribeira
  • Local romântico – O antigo solar do vinho do Porto, nos jardins românticos do Palácio de Cristal
  • Um segredo da cidade: Não é propriamente um segredo, mas gosto muito do Passeio das Virtudes, o Centro Português de Fotografia/Antiga Cadeia da Relação e Museu Soares dos Reis

 

As sinagogas do Porto
23 Abril, 2017 / ,

A presença judaica no Porto será anterior à própria existência da cidade, mas os primeiros registos datam do século XII, altura em que muitos comerciantes judeus se instalaram na Ribeira.

A primeira sinagoga de que há conhecimento terá surgido no morro da Sé. Mais tarde, já no século XIV, terá existido outra casa de oração na atual Rua do Comércio do Porto, perto do Palácio da Bolsa. Viria entretanto a ser construída a Judiaria de Monchique, uma zona da cidade onde, ainda hoje, a presença judaica é visível na toponímia. Ali existiu também uma sinagoga de grande importância. A placa comemorativa da sua inauguração está exposta no Museu do Carmo, em Lisboa. O cemitério judaico ficaria perto do local onde hoje existe o Passeio das Virtudes.

Já no século viria a ser construída a Judiaria do Olival, que tinha também uma imponente sinagoga, vindo mais tarde a dar lugar ao Mosteiro de São Bento da Vitória. A Inquisição e a conversão forçada de muitos judeus também deixaram a sua marca no Porto. No século XVII foram muitos os judeus que deixaram a cidade.

Já no século XX viria a ser construída a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (na Rua Guerra Junqueiro, 340), a maior da Península Ibérica.

 

 

 

Cedofeita: uma rua com muitas vidas
23 Abril, 2017 / , ,

Foi uma das marcas da renovação urbana no século XVIII e um dos pontos de partida para o renascimento da Baixa, já no século XXI. Uma grande parte desta rua é pedonal, o que a torna perfeita para compras, passeios e para uma refeição tranquila.

As origens de Cedofeita parecem remontar ao século VI e à Igreja de São Martinho de Cedofeita. No entanto, estando afastada das muralhas medievais e da zona ribeirinha, só viria a desenvolver-se plenamente no século XVIII. Nessa altura, e perante o crescimento da cidade em termos económicos e demográficos, tornou-se importante fazer a ligação entre a parte portuária e a zona alta. A Rua de Cedofeita era então conhecida como Rua da Estrada e foi um dos pilares dos planos de urbanização que então foram delineados.

Começaram então a ser construídas as casas que ainda hoje existem: edifícios com dois a quatro andares, com varandas nos pisos superiores e montras voltadas para a rua. O elétrico chegou a passar nesta rua, célebre pelas lojas, como o extinto Bazar dos Três Vinténs (a placa ainda existe).

Apesar de ter sido “esquecida” durante algum tempo, Cedofeita tornou-se, nos últimos anos, um dos pontos centrais de nova vida da Baixa do Porto, tirando partido da proximidade de locais como a Rua Miguel Bombarda ou a Praça Carlos Alberto.

Curiosidades:

No n.º 395 desta rua terá vivido o rei D. Pedro, durante o cerco do Porto, em que as tropas liberais, lideradas por D. Pedro, estiveram cercadas pelos apoiantes do seu irmão, D. Miguel.

No número º 159 habitou Carolina Michaelis, uma ilustre crítica literária e escritora, que foi a primeira mulher a dar aulas numa universidade portuguesa

A Rua de Cedofeita tem 840 metros de extensão: começa na Praça Carlos Alberto e termina na Rua da Boavista.

A escritora portuense Agustina Bessa-Luís dizia que a Rua de Cedofeita era “a mais bonita” do Porto.

Na primeira década deste século, chegou a existir um projeto para que a Rua de Cedofeita passasse a ter uma cobertura em vidro

Uma amizade de séculos
14 Março, 2017 /

Uma amizade de séculos

É bem conhecida a influência dos ingleses na cidade por via do Vinho do Porto, mas a relação entre portuenses e britânicos é muito mais antiga.

O primeiro contacto terá acontecido em junho de 1147, quando os cruzados ingleses que se dirigiam à Terra Santa ficaram 11 dias no Porto à espera das forças comandadas pelo conde de Areschot e por Cristiano de Gistell, que se tinham separado da armada devido a um temporal. O primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques, ao saber deste facto, procurou estabelecer um acordo com os seus chefes, convencendo-os a ajudar na conquista de Lisboa aos mouros.

O relacionamento intensificou-se durante a Idade Média, com o estabelecimento de relações comerciais. Panos, vinho, madeira, peles e pescado eram os produtos transacionados entre os dois países.

A 2 de fevereiro de 1367 a Sé do Porto foi palco do casamento entre D. João I e D. Filipa de Lencastre, uma união que teve como contrapartida o apoio dos britânicos na luta com Castela.  Em 1642, dois anos após a restauração da independência de Portugal, o Porto recebe o primeiro cônsul britânico, Nicholas Comerforde

O Duque do povo
2 Março, 2017 /

Salvou muitas pessoas das perigosas águas do Rio Douro. O Porto prestou-lhe homenagem com um busto, colocado na Ribeira.

Deocleciano Monteiro foi o nome de nascença, mas a mãe começou a chamar-lhe Duque e foi assim que ficou conhecido. O Duque da Ribeira, falecido em 1996, foi uma das figuras mais emblemáticas da cidade. Com apenas 11 anos salvou um homem de morrer afogado no Douro. Durante toda a sua vida como barqueiro protagonizou muitos outros salvamentos, tendo também recolhido os corpos dos que não resistiram às traiçoeiras águas do rio que conhecia como ninguém.

Tornou-se numa das personagens mais famosas da história do Porto e conheceu figuras ilustres como a Rainha Isabel II e outros chefes de Estado. A cidade não o esqueceu e prestou-lhe homenagem no local que foi cenário do seu heroísmo. Na Rua da Lada, junto à Ponte D. Luís I, foi colocada uma lápide com um busto da autoria de José Rodrigues.