Curiosidades

As igrejas “gémeas”
5 Dezembro, 2017 / ,

Ficam lado a lado, separadas por uma casa estreita, que chegou a ser habitada. As igrejas do Carmo e das Carmelitas parecem uma só, mas têm histórias muito diferentes.

Entre estas duas igrejas fica o edifício mais estreito da cidade, que dá acesso à torre sineira. No entanto, para lá chegar, é necessário subir três andares e passar por cima da abobada da igreja das Carmelitas.

A Igreja das Carmelitas foi a primeira a ser construída e fica junto ao antigo Convento de Nossa Senhora do Porto (atual quartel da GNR). É uma igreja do século XVII, com uma fachada clássica, mas um interior riquíssimo, em talha rococó portuense. Foi a primeira casa dos monges da ordem das Carmelitas Descalças. A primeira pedra foi lançada a 5 de Maio de 1619 e a obra ficou concluída em 1622.

A Igreja do Carmo é mais recente, datando da segunda metade do século XVIII. Assim, o estilo rococó (caracterizado por uma enorme profusão de detalhes decorativos) está bem mais patente, tanto na arquitetura exterior como no interior. Os azulejos que cobrem a fachada lateral foram colocados em 1912. São da autoria de Silvestre Silvestri e são alusivas ao culto de Nossa Senhora.

Pinto da Costa – O homem que colocou o FC Porto no topo
7 Novembro, 2017 / ,

Apesar de em tempos ter jogado futebol, não foi a marcar golos que se destacou no FC Porto. A sua visão para o clube, a estratégia que delineou e uma liderança forte transformaram o FC Porto num dos clubes mais prestigiados do mundo.

Jorge Nuno Pinto da Costa não é apenas adorado pelos adeptos do seu clube, que entoam cânticos com o seu nome durante os jogos e que lhe chamam carinhosamente “O Papa”. É também o presidente com mais títulos de futebol conquistados ao comando de um clube: duas Taças dos Campeões/Liga dos Campeões, duas Taças Intercontinentais, duas Taças UEFA/Liga Europa, uma Supertaça Europeia, 20 Campeonatos nacionais, 12 Taças de Portugal e 20 Supertaças.

Desde 13 de janeiro de 2017 deste ano que é também o dirigente que mais tempo liderou um clube a nível mundial: ao 12.684.º dia ultrapassou Santiago Bernabéu (ex-presidente do Real Madrid).

 

Nasceu em Cedofeita, no Baixa do Porto, a 28 de dezembro de 1937, numa família da alta burguesia, mais interessada na cultura do que no desporto. No entanto, um dos seus tios era já fervoroso adepto do FC Porto e levou-o a ver o seu primeiro jogo de futebol no Campo da Constituição. Viria a tornar-se sócio do clube e, depois de concluído o ensino secundário, deixou de ser apenas um adepto para se envolver em cargos relacionados com a gestão do clube. Começou a trabalhar na secção de hóquei em patins, passou pelo boxe e por outras modalidades.

 

 

A entrada no departamento de futebol aconteceu em 1976. Em 1978 o FC Porto volta a ser campeão nacional, 19 anos depois. O clube parecia ter iniciado um ciclo vitorioso, mas em 1980 Pinto da Costa desentendeu-se com a direção e afastou-se. Em 1982 candidatou-se pela primeira vez à liderança do clube e ganhou com 95% dos votos. O resto é uma história de sucesso.

Durante os anos 80 o FC Porto ganha prestígio nacional e internacional; nos anos 90, conquista pela primeira vez cinco títulos nacionais consecutivos. Na primeira década do século XXI, mais títulos, destacando-se a Taça UEFA em 2003 e a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental em 2004.

Às vitórias no futebol somam-se triunfos noutros desportos, bem como obras de relevo: o rebaixamento do antigo Estádio das Antas, a construção do Estádio do Dragão, do Dragão Caixa e do Museu do FC Porto.

Passeio – Capela de Fradelos
7 Novembro, 2017 / , , , ,

“O Porto a penantes” – penantes é uma expressão tipicamente portuense que significa “andar a pé” – é um projeto pessoal de Joaquim Lino, que gosta de percorrer a pé e de fotografar alguns dos recantos da cidade. Todos os meses vai partilhar com os leitores do Hey Porto! alguns desses passeios, deixando sugestões para que quem visita a cidade possa descobrir segredos que, muitas vezes, nem os próprios portuenses conhecem.

Recentemente, numa dessas incursões pela cidade, entrou na Capela de Fradelos, uma pequena igreja do final do século XIX, situada no cruzamento das ruas Guedes de Azevedo e Sá da Bandeira, que geralmente fica fora dos principais roteiros turísticos, mas que merece ser conhecida. Na fachada principal e no interior existem azulejos da autoria de Jorge Colaço, o mesmo autor dos azulejos que decoram a Estação de São Bento e a Igreja de Santo Ildefonso. Destacam-se ainda o teto de estuque decorado por medalhões de centro dourado.

PortoaPenantes

Rua Mouzinho da Silveira
17 Outubro, 2017 /

Um símbolo da modernidade do século XIX

Faz a ligação entre a Ribeira e a Baixa do Porto. Foi construída no século XIX, tapando um rio que dividia a cidade e hoje é ponto de passagem para milhares de turistas.

A construção desta rua, que homenageia o político liberal Mouzinho da Silveira (1780-1849), resultou da necessidade de ligar a zona da Ribeira – que até então era o coração comercial do Porto – ao centro da cidade. As obras foram financiadas com a Imposição do Vinho, um imposto que era cobrado com base nas pipas que fossem desembarcadas no Rio Douro.

Contrastando com as ruas estreitas da Ribeira, este novo arruamento constituiu já um sinal de modernidade numa época em que o Porto, impulsionado pelo comércio, crescia e ganhava poder económico. A rua foi construída sobre o Rio da Vila, um curso de água que dividia a cidade em duas partes e que corria a céu aberto; obrigou também a expropriações e à demolição de edifícios como a Capela de São Crispim, a Capela de São Roque e vestígios da antiga muralha medieval.

A rua, com 19 metros de largura, foi aberta em 1875.  Com a construção da Estação de São Bento (que ficaria concluída em 1916), esta artéria viria a ganhar ainda mais importância e maior centralidade. A proximidade da estação fez com que surgissem várias lojas que, para além dos portuenses, tinham como clientes os habitantes das aldeias do Douro e do Minho que se deslocavam à cidade. Além de sementes e alfaias agrícolas, estes estabelecimentos vendiam produtos como rolhas, balanças ou artigos religiosos. Algumas destas lojas ainda existem e merecem um olhar mais atento, já que constituem um valioso exemplo do comércio tradicional portuense.

Para além de restaurantes, lojas de artesanato e outros locais para fazer compras ou para degustar uma refeição, esta rua tem também outros pontos de interesse. Um deles é uma fonte em granito que tem uma história curiosa: é uma réplica da fonte que existia aquando da construção da rua e que foi demolida para dar lugar a duas lojas. Como estas desapareceram, recuperou-se a ideia da fonte original, formada por duas bicas e uma concha na parte central.  

Santa Clara
17 Outubro, 2017 /

A santa que veio de Roma

Nasceu no Império Romano, mas é no Porto, mais propriamente na Igreja do Bonfim, que esta santa é venerada. As festas em sua honra decorrem em setembro.

Filha de pais pagãos, Santa Clara ficou impressionada com o sofrimento dos cristãos nas arenas de Roma e converteu-se ao cristianismo. Perseguida pelos imperadores romanos, morreu como mártir. Inicialmente foi sepultada nas catacumbas de São Calisto mas, no século XVIII, um cardeal pediu ao Papa para expor as relíquias da Santa. José Teixeira, um pintor portuense, pediu ao cardeal para que a santa fosse trazida para o Porto.

Em 1779 o seu corpo foi trazido de navio para Portugal e, apesar de o barco ter sido apanhado numa grande tempestade, a tripulação e a embarcação nada sofreram. Em Saragoça e em Lisboa os bispos e padres terão tentado ficar com a santa, mas esta acabou por vir mesmo no Porto. Inicialmente ficou na Igreja de Nossa Senhora do Terço e Caridade do Porto, mas no primeiro domingo de setembro de 1803 Santa Clara foi trasladada para a Igreja do Bonfim. É a santa protetora dos marinheiros, mães com dores de parto e das crianças com problemas de fala.

A festa em honra da Virgem e Mártir Santa Clara é uma das maiores da cidade e decorre sempre no primeiro fim de semana de setembro.

Museu Nacional Soares dos Reis
22 Agosto, 2017 /

O museu que era uma fábrica

É o museu público mais antigo do país, mas já foi fábrica e habitação de uma família de negociantes.

O edifício começou a ser construído em 1795, para servir de habitação e fábrica da família Moraes e Castro, sendo um exemplo da arquitetura neoclássica que dominava a cidade do Porto nesse período. A decoração de interiores é requintada e foi feita pelos melhores artistas da época.

O então designado Palácio dos Carrancas recebeu – mesmo sem o acordo dos seus proprietários – personalidades como o General Soult (durante as Invasões Francesas), o Duque de Wellington, o General Beresford ou o príncipe Guilherme de Nassau. Foi também refúgio de D. Pedro IV, durante a guerra que este travou com o irmão.

Em 1861 foi transformado em Paço Real, para receber os reis quando visitassem o norte de Portugal. Com a implantação da República perdeu esta função, mas o último rei de Portugal estipulou, em testamento, que fosse entregue à Misericórdia, para que nele se instalasse um hospital. Como o anterior Museu Nacional Soares dos Reis (que funcionava desde 1833 em São Lazaro) estava em más condições, foi negociada a sua transferência para o Palácio dos Carrancas. O atual museu foi inaugurado em 1942.

 

A origem do nome Castelo do Queijo
10 Julho, 2017 /

O verdadeiro nome é Forte de São Francisco Xavier, mas é conhecido entre os portuenses como Castelo do Queijo, já que foi construído em cima de uma rocha de granito cujo formato arredondado fazia lembrar um queijo.

Esta designação terá surgido no século XVII, quando o forte foi construído para defender a costa dos ataques dos piratas vindos do Norte de África. A ideia de erigir o Forte de São Francisco Xavier terá surgido no século XVI, mas como a zona não tinha, naquela época, muito interesse estratégico, a construção foi adiada.

Apesar de possuir todas as características de um edifício militar, talhado para a defesa costeira – muralhas, um fosso, canhoeiras e guarias – a verdade é que nunca serviu verdadeiramente para o fim a que se propunha. Durante a Guerra Civil (1828-34) foi ocupado pelas tropas de D. Miguel e acabou por ver parte da sua estrutura destruída. Chegou a ser abandonado e saqueado mas, depois de restaurado, é hoje em dia um espaço aberto ao público, possuindo um pequeno museu e recebendo exposições e outros eventos.

 

Capela das Almas
26 Junho, 2017 /

Os 15 947 azulejos da Capela das Almas

É um dos edifícios mais fotografados e conhecidos do Porto. Situada em plena Baixa, a Capela das Almas chama a atenção pelos azulejos que cobrem a sua fachada.

Embora esta capela do século XVIII tenha uma arquitetura bastante simples, é impossível ficar indiferente às suas paredes, preenchidas com 15 947 azulejos que cobrem uma área de cerca de 360 m2. Na verdade, estes azulejos só foram colocados no século XX (1929), mas foram concebidos de forma a imitar os mosaicos característicos do século XVIII. São da autoria do ceramista Eduardo Leite e foram executados numa famosa fábrica de Lisboa.

Os azulejos representam episódios das vidas de Santa Catarina e de São Francisco de Assis. No entanto, não deixa de ser curioso que estes painéis misturem cenas das vidas de duas santas diferentes: Santa Catarina de Siena e Santa Catarina de Alexandria (na fachada principal).
Na capela destacam-se ainda uma torre sineira com dois andares e a imagem de Nª Srª das Almas. O retábulo do altar-mor, representando a Ascensão de Cristo, é da autoria do pintor Joaquim Rafael.

As sugestões de Katty Xiomara
23 Abril, 2017 / , ,

É um dos nomes mais internacionais da moda portuguesa. Embora tenha nascido na Venezuela, a sua carreira tem sido desenvolvida no Porto e é a partir daqui que desenha criações que desfilam nas passerelles de todo o mundo.

Katty Xiomara nasceu em Caracas, na Venezuela, tendo chegado ao Porto aos 18 anos. Foi nessa altura que decidiu começar a estudar moda. Ainda como estudante venceu, com apenas 22 anos, o primeiro prémio do Porto de Moda. Em 1996 participou no Porrtugal Fashion pela primeira vez e desde então tem sido presença assídua neste evento, tendo também apresentado coleções no Portugal Fashion Paris.

Desde 2005 que participa em feiras internacionais como a Bread & Butter, Berlim e Barcelona, e a Project, Las Vegas entre outras. Esta carreira internacional foi consolidada em 2013, quando começou a estar presente na Semana de Moda de Nova Iorque. Em 2014 recebeu o Silver Winner, atribuído pela IDA “International Design Awards”, prémio que voltaria a ganhar em 2015.

Em 2007 instalou o seu atelier numa casa na Rua da Boavista, mas é possível encontrar as suas coleções nos Estados Unidos e Japão. As suas criações são elegantes e intemporais, mas ao mesmo tempo alegres e românticas, destinando-se a mulheres confiantes e que apostam num estilo individual único.

Na carreira de Katty Xiomara destacam-se também colaborações com várias marcas internacionais, que vão desde a roupa desportiva à criação de uniformes. A designer é também professora na mesma escola de moda onde se formou, o Modatex.

Atelier

Rua da Boavista, 795
Telefone: +351 220 133 784

  • Bar – Sei que não é propriamente um bar, mas gosto muito do mojito, do blackberry fizz e do berrygood no Honorato (Baixa)
  • Restaurante – Um tradicional e sem pretensões: o Antunes. Noutro registo, salientaria o Flow ou o Reitoria
  • Passeio – Palácio de Cristal, a marginal da Foz até a Ribeira
  • Local romântico – O antigo solar do vinho do Porto, nos jardins românticos do Palácio de Cristal
  • Um segredo da cidade: Não é propriamente um segredo, mas gosto muito do Passeio das Virtudes, o Centro Português de Fotografia/Antiga Cadeia da Relação e Museu Soares dos Reis

 

As sinagogas do Porto
23 Abril, 2017 / ,

A presença judaica no Porto será anterior à própria existência da cidade, mas os primeiros registos datam do século XII, altura em que muitos comerciantes judeus se instalaram na Ribeira.

A primeira sinagoga de que há conhecimento terá surgido no morro da Sé. Mais tarde, já no século XIV, terá existido outra casa de oração na atual Rua do Comércio do Porto, perto do Palácio da Bolsa. Viria entretanto a ser construída a Judiaria de Monchique, uma zona da cidade onde, ainda hoje, a presença judaica é visível na toponímia. Ali existiu também uma sinagoga de grande importância. A placa comemorativa da sua inauguração está exposta no Museu do Carmo, em Lisboa. O cemitério judaico ficaria perto do local onde hoje existe o Passeio das Virtudes.

Já no século viria a ser construída a Judiaria do Olival, que tinha também uma imponente sinagoga, vindo mais tarde a dar lugar ao Mosteiro de São Bento da Vitória. A Inquisição e a conversão forçada de muitos judeus também deixaram a sua marca no Porto. No século XVII foram muitos os judeus que deixaram a cidade.

Já no século XX viria a ser construída a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (na Rua Guerra Junqueiro, 340), a maior da Península Ibérica.