Cultura

Coliseu – Um símbolo da cultura da cidade
5 Dezembro, 2017 / ,

Mais do que um edifício que marca a paisagem da Baixa da cidade, o Coliseu do Porto é um exemplo de superação de dificuldades e da forma como os portuenses defendem os seus símbolos.

O atual edifício foi inaugurado a 19 de dezembro de 1941, refletindo, num projeto em que participaram vários arquitetos, o Modernismo que tinha marcado o final dos anos 30. No entanto, o local onde hoje está o Coliseu já tinha recebido, no início do século XX, o Salão Jardim Passos Manuel, local de exibição de cinema, mas também de festas, de music-hall e de exposições de pintura. O sucesso deste conceito levou a que o proprietário pensasse em ampliá-lo. Em 1938 começaria a ser construído o Coliseu, que foi inaugurado com um Sarau de Gala. Esse concerto Inaugural viria ser recriado aquando das celebrações do 50º aniversário.

Desde a sua inauguração, e até ao final dos anos 60, a sala recebeu cinema, concertos, ópera e circo. Por lá passaram, durante esse período, nomes como Marcel Marceau ou Rudolf Nureyev. Nos anos 70, o Coliseu passou a acolher também o Cine-Estúdio Passos Manuel, uma sala mais pequena dedicada ao cinema de autor.

Em meados dos anos 90 ocorreram dois dos episódios mais marcantes da vida do Coliseu: em 1995 surgiram rumores de que seria vendido à IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), o que levou a que, durante vários dias, centenas de pessoas se manifestassem junto ao edifício. Devido à pressão, a empresa proprietária acabou por aceitar vender o edifício à Associação dos Amigos do Coliseu do Porto, surgida dessa onda de solidariedade entre artistas, agentes culturais e figuras anónimas.

A 28 de setembro do ano seguinte, e poucas horas depois de terem terminado os desfiles do Portugal Fashion, mais um sobressalto para o Coliseu e para a cidade: um incêndio destruiu a caixa de palco, danificando também a sala e os camarins. Mais uma vez, instituições, empresas e particulares uniram-se num esforço exemplar, permitindo que o Coliseu reabrisse em dezembro desse ano, cumprindo-se assim, como sempre, a tradição de receber o Circo de Natal.

O Coliseu modernizou-se no final dos anos 90 e hoje continua a ser um dos principais palcos da cidade.

 

 

As igrejas “gémeas”
5 Dezembro, 2017 / ,

Ficam lado a lado, separadas por uma casa estreita, que chegou a ser habitada. As igrejas do Carmo e das Carmelitas parecem uma só, mas têm histórias muito diferentes.

Entre estas duas igrejas fica o edifício mais estreito da cidade, que dá acesso à torre sineira. No entanto, para lá chegar, é necessário subir três andares e passar por cima da abobada da igreja das Carmelitas.

A Igreja das Carmelitas foi a primeira a ser construída e fica junto ao antigo Convento de Nossa Senhora do Porto (atual quartel da GNR). É uma igreja do século XVII, com uma fachada clássica, mas um interior riquíssimo, em talha rococó portuense. Foi a primeira casa dos monges da ordem das Carmelitas Descalças. A primeira pedra foi lançada a 5 de Maio de 1619 e a obra ficou concluída em 1622.

A Igreja do Carmo é mais recente, datando da segunda metade do século XVIII. Assim, o estilo rococó (caracterizado por uma enorme profusão de detalhes decorativos) está bem mais patente, tanto na arquitetura exterior como no interior. Os azulejos que cobrem a fachada lateral foram colocados em 1912. São da autoria de Silvestre Silvestri e são alusivas ao culto de Nossa Senhora.

Rua Sá da Bandeira
7 Novembro, 2017 / , , ,

Hoje é uma das ruas mais centrais e movimentadas do Porto, mas nasceu num local anteriormente ocupado por terrenos agrícolas, vielas e até cocheiras.

O próprio nome da rua tem uma história curiosa: Bernardo Sá Nogueira de Figueiredo era marechal fiel às tropas liberais. Durante o Cerco do Porto, na guerra travada entre Liberais e Absolutistas, o braço onde transportava a bandeira liberal foi-lhe amputado pelo inimigo. Passaria a ser conhecido como Sá da Bandeira. Mais tarde assumiria cargos políticos de relevo, chegando mesmo a ministro. Seria também distinguido com os títulos de barão, visconde e marquês.

A Rua Sá da Bandeira só surgiu no século XIX: até então, esta era ainda uma zona com quintas e terrenos de cultivo, muitos deles pertencentes a D. Antónia Adelaide Ferreira (A Ferreirinha), um dos nomes mais importantes na história do Vinho do Porto. A zona tinha também pequenas vielas, que foram quase totalmente demolidas.

A rua começou a ser construída em 1836, mas as primeiras casas só surgiriam sete anos depois. Em 1875 foi prolongada até à Rua Formosa e a continuação até à Rua de Fernandes Tomás (1904) obrigou à demolição das cocheiras onde estavam os cavalos que nessa altura puxavam os transportes públicos da época. Mais tarde, a rua viria a ser prolongada até para Sul e posteriormente para Norte, até ganhar a forma atual.

 

Pontos de Interesse

 

Teatro Sá da Bandeira

Abriu em 1870, mas antes já tinham existido no mesmo local estruturas mais rudimentares destinadas a espetáculos. Por ali passou, em1895, Sarah Bernhardt e foi também neste local que foram exibidos os primeiros filmes feitos em Portugal. Terá sido o primeiro teatro do Porto a usar iluminação elétrica.

 

 

Mercado do Bolhão

O mercado mais tradicional da cidade foi construído em cima de uma bolha de água (daí o seu nome). Datado de 1850, é um belo exemplo da arquitetura neoclássica, mas é o seu interior, onde a alma Porto está mais presente. Os produtos frescos, a simpatia dos vendedores e a frescura dos produtos tradicionais portugueses merecem uma visita.

 

 

Palácio do Comércio

Edifício de habitação, comércio e escritórios, que surpreende pela sua imponência. Vale a pena prestar atenção às esculturas de cavalos que estão no topo, bem como a toda a sua arquitetura. Foi construído nos anos 40 pelo casal de arquitetos David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva, filha de José Marques da Silva, um dos arquitetos mais importantes da cidade.

 

 

Antigo café A Brasileira

Atualmente está em obras para se transformar num hotel, mas este é um edifício com história. Em 1903, Adriano Teles, que tinha sido emigrante no Brasil, abriu este café para dar a conhecer a sua própria marca de café. Durante as décadas de 50 e 60 era local habitual de tertúlias.

O dia em que o Rei visitou o Porto
13 Outubro, 2017 / ,

Em novembro e dezembro de 1908 D. Manuel II, que viria a ser o último rei de Portugal, fez uma longa viagem ao norte do país, tendo passado vários dias no Porto.

Num desses dias, e depois da mãe, a Rainha D. Amélia, ter feito compras numa grande loja da cidade, o povo reuniu-se no Campo da Regeneração (atual Praça da República), para uma parada militar. Dizem os jornais da época que muitas pessoas subiram aos telhados para poderem assistir e que nas ruas, os automóveis, trens e elétricos que se dirigiam ao local tiveram de voltar para trás.

O desfile percorreu várias ruas da Baixa e, em plena Rua de Santa Catarina, o cortejo é recebido com uma grande chuva de flores. No final do dia, tem lugar um jantar de gala no Palácio dos Carrancas. Dona Amélia teve também um dia preenchido, tendo visitado o atelier do escultor Teixeira Lopes.

Depois de ter percorrido diversas localidades do norte, D. Manuel II regressaria ao Porto, tendo participado num sarau no Ateneu Comercial do Porto. Em mais uma homenagem ao rei, os banheiros da Praia do Ourigo deram o nome do monarca à praia. Em outubro de 1910 deu-se a implantação da República e a designação ficou para sempre esquecida.

Fonte: O Tripeiro 7ª série Ano XVI Número 1 e 2 Fevereiro 1997

Porto em Miniatura
8 Maio, 2017 /

Os principais monumentos da cidade do Porto estão representados numa exposição que pode ser vista no centro comercial La Vie Porto Baixa Center até ao próximo dia 15 de maio.

 

São cerca de 20 edifícios em miniatura, que retratam de forma fiel todos os pormenores destas referências da cidade. A exposição “Porto em Miniatura” pode ser vista em vários pisos deste centro comercial da Baixa do Porto, reunindo alguns dos monumentos mais importantes da cidade, como a Torre dos Clérigos (que nesta exposição tem “apenas” dois metros de altura), a Estação de São Bento, a Cadeia da Relação, a Sé do Porto ou a Igreja de Cedofeita.

Estas peças pertencem a uma coleção particular da autoria de Agostinho Conceição Gonçalves Teixeira, um tripeiro de gema que, entre os anos 30 e os anos 50 do século passado, se dedicou a transpor para ponto pequeno as principais referências da Invicta.

A mostra, realizada com o patrocínio do Hey Porto, tem entrada gratuita.

“São maquetas que retratam um Porto do passado e de saudade, fixando os principais monumentos da cidade, com pormenores de grande mestria”, refere Francisco Almeida Lemos, promotor da iniciativa e atual proprietário desta coleção.

Nesta iniciativa o Hey Porto promove um passatempo, desafiando os seus leitores a tirarem fotografias aos monumentos em miniatura presentes na exposição e aos reais. Depois, pode enviar as suas fotos para o e-mail geral@heyporto.com juntamente com nome, nacionalidade e data de nascimento. As imagens serão depois avaliadas pela equipa do Hey Porto. As 10 melhores fotos recebem uma entrada gratuita para subir à Torre dos Clérigos e serão publicadas na edição de junho do Hey Porto.

 

 

La Vie Porto Baixa Center

Rua Fernandes Tomás 506 / 508 Porto

Horários:

Segunda-feira a Sábado: 9h00 às 22h00

Domingo: 9h00 às 21h00

 

O Bolhão pelos olhos de duas americanas
23 Abril, 2017 / , ,

“The Undiscovered Food Stories of Northern Portugal” tem o Mercado do Bolhão como protagonista. Com textos de Gabriella Opaz e Sonia Andresson e fotos de Ryan Opaz, este livro, escrito em Inglês, é uma declaração de amor a um dos locais mais míticos do Porto.

O Bolhão é o ponto central das histórias que aqui se contam: as dos vendedores que são a alma do mercado, mas também as dos produtos que ali se vendem diariamente, incluindo receitas de pratos típicos onde são usados.

O livro The Undiscovered Food Stories of Northern Portugal, de Gabriella Opaz e Sónia Andresson (Oficina do Livro), foi nomeado para o Prémio Especial dos prestigiados Gourmand World Cookbook Awards, também conhecidos por “Óscares” da cozinha.

 

Gabriella Opaz, uma das autoras, revelou ao Hey Porto que a inspiração para este livro foi dada pelos próprios vendedores do mercado e pela forma com lidaram com tempos mais difíceis, contribuindo sempre para preservar a herança cultural portuguesa. Entre os variadíssimos produtos à venda no mercado, Gabriella Opaz destaca a broa de Avintes, as suculentas azeitonas do Douro e o peixe.

 

The Undiscovered Food Stories of Northern Portugal

Gabriella Opaz e Sonia Andresson

Disponível para venda em: https://store.catavino.net/

31 de janeiro de 1891 – Uma revolução que terminou em sangue
3 Março, 2017 / ,

A 31 de janeiro de 1891 teve lugar, no Porto, a primeira tentativa de implantação da República. Descontentes com a crise económica e com um Ultimato lançado pelos britânicos, que punha em causa a presença portuguesa em África, um grupo de influentes homens do norte comandou dezenas de soldados, em direção ao centro da cidade, com a intenção de tomar a estação de correios e telégrafos e implantar a República. Acabaram por ser travados pela guarda municipal, fiel à Monarquia e colocada na escadaria da Igreja de Santo Ildefonso.

A República chegou a ser proclamada na varanda dos Paços do Concelho, que seria o último reduto dos revoltosos. Os que não morreram na batalha acabariam por ser levados para navios fundeados em Leixões. Outros conseguiram fugir para o estrangeiro. A República só seria implantada em 1910.

A memória desta data permanece ainda hoje na toponímia da cidade, com a Rua 31 de Janeiro, na Baixa do Porto, bem como nas ruas que têm os nomes dos autores dessa revolução frustrada: Alves da Veiga, Rodrigues de Freitas ou Alferes Malheiro.

Fonte: O Tripeiro (Série Nova) Ano X número 1