Cultura

Igreja St James Anglican Church
6 Junho, 2018 / , ,

Numa cidade com tão fortes ligações à comunidade britânica, conhecer a St James Anglican Church e o Cemitério dos Ingleses é ficar a saber um pouco mais sobre esta relação que dura há séculos.

As ligações entre o Porto e os britânicos são antigas e tornaram-se ainda mais intensas graças ao comércio do Vinho do Porto. Foi em 1671 que a Capelania do Porto foi fundada, mas como nessa época os Protestantes não podiam ter locais de culto nem celebrar abertamente serviços religiosos, as famílias inglesas residentes no Porto reuniam-se discretamente em casas particulares. Não podiam também ser enterrados nos cemitérios católicos, pelo que eram sepultados nas margens do Douro.

Em 1787, o cônsul-britânico John Whitehead foi autorizado a comprar um terreno, fora dos limites da cidade, para ser usado como cemitério. Em 1815 começou a ser construída a igreja, que ficaria concluída três anos depois. De cariz Neoclássico, teve obras de ampliação em 1866/67, aumentando a nave e passando a ter a forma de cruz.

Cercada por um muro – uma exigência das autoridades portuguesas aquando da sua construção – a propriedade inclui também o cemitério, onde estão sepultados, por exemplo, elementos da família Forrester, os aviadores ingleses que perderam a vida quando sobrevoavam território português durante a II Guerra Mundial ou o cônsul John Whitehead. A igreja e o cemitério podem ser visitados.

Informações:

Largo da Maternidade Júlio Dinis, 45

Site: www.stjamesoporto.org

 

De transporte tradicional a símbolo de uma região
6 Junho, 2018 / ,

O Barco Rabelo é um dos símbolos maiores do Porto e do Douro. Originalmente criado, no século XVIII, para o transporte dos barris de Vinho do Porto entre as terras vinícolas do Alto Douro e os cais da Ribeira do Porto e de Vila Nova de Gaia, conserva-se hoje na memória coletiva e constitui um elemento privilegiado no turismo da região.

Face à inexistência de vias rodoviárias e ferroviárias apropriadas, o Barco Rabelo era o meio de transporte mais confiável e exclusivo para a atividade vinhateira. Era geralmente tripulado por dez a doze navegadores e, se no sentido da corrente, as tripulações procuravam assegurar a estabilidade do produto mais valioso do comércio da região sobre as águas turbulentas, no sentido contrário, as embarcações eram levadas por caminhos de sirga, puxadas por cordas ao longo das margens do rio Douro.

Sem quilha, de fundo achatado e com um comprimento de entre 19 e 25 metros, integra uma estrutura de madeira chamada apégada e um longo remo sobre a popa, a espadela, utilizado para manobrar a embarcação.

A introdução dos caminhos-de-ferro do Douro nos finais do século XIX e o desenvolvimento das vias rodoviárias durante o século XX ditaram o declínio do tráfego fluvial assegurado pelos Barcos Rabelo.

Hoje, ancorados nas margens de Porto e Vila Nova de Gaia, são utilizados com um carácter exclusivamente recreativo na famosa Regata de São João, no dia 24 de junho de cada ano, pelas celebrações das festas populares na cidade do Porto.

Uma versão atualizada da embarcação original foi criada para o transporte de passageiros em passeios pelo Douro. São barcos em madeira, com o aspeto tradicional, mas que reúnem as condições de segurança e conforto hoje exigidas.

Queima das Fitas – A grande festa dos estudantes do Porto
26 Abril, 2018 / , ,

De 6 a 12 de maio os estudantes universitários do Porto estão em festa e a cidade é invadida por uma enorme onda de cor e alegria. Concertos, um gigantesco cortejo e várias atividades culturais envolvem mais de 350 mil estudantes.

A tradição mantem-se há décadas. Durante uma semana, os estudantes universitários do Porto estão em festa, saindo à rua com os trajes académicos, vestes negras que ganham cor cartolas, bengalas e fitas nas pastas que ostentam a cor de cada curso. A festa começa com uma monumental serenata, às zero horas de domingo, dia 6. Na terça-feira, durante a tarde e noite, os estudantes percorrem as ruas da cidade num cortejo que acaba por envolver os seus familiares, os portuenses e os turistas. O cortejo começa junto à Reitoria da Universidade do Porto e termina nos Aliados.

A Missa da Bênção das Pastas, que também tem lugar nos Aliados, é outro dos pontos altos de um intenso programa, que inclui também concertos no Parque da Cidade.

Igreja de Santo Ildefonso
18 Abril, 2018 / , , ,

A Igreja de Santo Ildefonso tem cerca de 11.000 azulejos na frontaria e nos lados das torres sineiras.

Estes azulejos são da autoria de Jorge Colaço, que também criou os azulejos da Estação de São Bento, e representam cenas da vida de Santo Ildefonso e do Evangelho. Foram colocados apenas em 1931, mas a construção da igreja é bastante mais antiga.

A Igreja de Santo Ildefonso começou a ser construída em 1709, tendo a primeira fase (ainda sem as torres sineiras) ficado concluída em 1730. No interior destacam-se oito vitrais e um retábulo em talha barroca e rococó da primeira metade do século XVIII, da autoria de Nicolau Nasoni. Ao visitar esta igreja, situada em plena Baixa do Porto, não deixe de prestar atenção a duas grandes telas de 5,80 x 4,30 metros, suspensas nas paredes laterais, pintadas entre 1785 e 1792.

Na zona do coro existe um órgão de tubos do início do século XIX, que foi restaurado. A igreja apresenta também vestígios de um antigo cemitério, descoberto aquando das obras de recuperação do pavimento realizadas em 1996.

Foi a partir da escadaria desta igreja que em 1891 foram disparados os tiros que acabariam com a revolução que foi a primeira tentativa de implantação da República em Portugal.

Cooperativa Árvore – Uma casa que respira arte
2 Março, 2018 / , ,

Numa antiga casa da nobreza, junto ao Passeio das Virtudes e com uma vista deslumbrante sobre o Rio Douro, nasceu nos anos 60 a Árvore – Cooperativa de Atividades Artísticas, um espaço de divulgação de arte idealizado por grandes nomes da arte portuense.

A Árvore foi fundada em 1963 por artistas, escritores, arquitetos e intelectuais, destacando-se o Mestre José Rodrigues, escultor e autor do famoso Cubo da Ribeira. Juntamente com Armando Alves, Pulido Valente e Ângelo de Sousa, instalaram-se numa quinta abandonada e iniciaram a recuperação do edifício, adaptando-o às novas funções culturais.

A galeria e o auditório foram inaugurados em 1971. Apesar de ter passado já por momentos difíceis, que obrigaram, por exemplo, a que tivessem sido leiloados algumas obras artísticas que pertenciam ao seu espólio, a Árvore tem sobrevivido e marcado, de forma indesmentível, o panorama artístico e cultural da cidade do Porto.

Tendo como objetivo a produção, divulgação e venda de obras artísticas e editoriais e a formação e informação dos sócios e do público em geral na área das artes visuais, dos estudos de arte e em outras áreas da criação e do saber, esta instituição tem uma intensa agenda cultural, com exposições, conferências, palestras e conversas, oficinas e cursos livres, concursos, edição de livros e produção e instalação de obras de arte. Ao longo das últimas décadas recebeu colóquios, ciclos de cinema, teatro e música e deu a conhecer o trabalho de centenas de pintores, escultores, fotógrafos, designers e arquitetos. Poderá visitar, para além das exposições, a loja, as oficinas de técnicas de serigrafia, gravura, litografia e cerâmica (mediante marcação prévia) e desfrutar de uma vista inigualável para o Douro a partir do seu jardim.

 

A casa
O edifício da Árvore foi mandado construir por José Pinto de Meireles e ficou concluído em 1763. O brasão da família é ainda visível na porta de entrada. A quinta e os jardins foram construídos para serem vistos por quem passava no Rio Douro. Hoje, são um miradouro privilegiado e um local bastante animado ao fim do dia, sobretudo no verão.

Informações:

Rua Azevedo de Albuquerque, 1, Porto

Horário

Segunda –Sexta-feira: 9.30-20:00

Sábado – 15:00-19:00

Encerrado: Domingos e feriados

 

Exposições para ver na Árvore:

 

  • 23 de Fevereiro a 3 de Abril– Emerenciano + Helena Jalles

 

João Queiroz – O arquiteto da Baixa
7 Fevereiro, 2018 / , ,

O Café Majestic é, talvez, a sua obra mais emblemática. João Queiroz trabalhou sempre sozinho num pequeno atelier na Baixa do Porto e ajudou a definir a estética de uma das zonas mais conhecidas da cidade.

Nasceu no Porto em 1892 e viveu durante toda a juventude numa casa situada na Rua de Santa Catarina, em frente ao local onde está hoje o Café Majestic. Esses terrenos, onde na altura existiam amoreiras que eram fundamentais para a produção de seda, viriam a ser ocupados por edifícios marcantes para a história da cidade, vários deles com a traça deste arquiteto.

Fez o Curso Preparatório de Desenho da Escola de Belas Artes do Porto e em 1926, depois de ter trabalhado na Direção Geral dos Edifícios e Monumentos do Norte, obteve o diploma de arquiteto. Voltaria a estudar aos 52 anos, matriculando-se no curso de Urbanologia, que tinha sido criado nesse mesmo ano. O seu percurso académico e a vida profissional foram marcados pelas duas guerras mundiais, pelo que desenvolveu também uma sólida carreira militar, tendo atingido o posto de capitão. Era, aliás, conhecido como Capitão Queiroz.

O seu primeiro projeto consistiu num prédio racionalista, localizado na Rua de Santa Catarina, no Porto, que criou para o seu pai. Foi lá que instalou o atelier onde sempre trabalhou.

O seu edifício mais famoso foi, sem dúvida, o Café Majestic, inicialmente chamado Café Elite; quando os proprietários do café decidiram criar uma janela para venda de jornais nas traseiras do café, recorreram novamente aos serviços deste arquiteto. O Cine Teatro Olímpia ou o Cinema Trindade são igualmente edifícios da sua autoria; foi também autor de um projeto, não concretizado, para o Coliseu do Porto.

Entre as suas obras estão também casas de habitação particular e loja; uma das mais inovadoras fica no número 54 da Rua de Santa Catarina e, na época, a montra circular não agradou aos mais conservadores. Em termos de habitações, destacam-se o nº 65 da Rua António Aroso e o n.º 315 da Rua António Patrício.

Faleceu aos 90 anos, a 25 de Fevereiro de 1982.

 

Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva
6 Fevereiro, 2018 / , , , ,

Totalmente dedicada à Biodiversidade, a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva é muito mais do que um museu. Juntando ciência e arte, este é um espaço moderno e pensado para criar experiências inesquecíveis. Até ao final de abril recebe a exposição fotográfica Photo Ark.

Este centro integra a Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), constituindo, com o Jardim Botânico, um dos polos desta instituição ligada à Universidade do Porto. Localizada na mítica Casa Andresen – que inspirou a famosa poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner – a Galeria da Biodiversidade está rodeada pelo Jardim Botânico, que é também um ponto de visita obrigatório para amantes da ciência.

É um local onde as artes se cruzam com a biologia e a história natural, estimulando a interatividade e as experiências sensoriais. A exposição permanente integra 49 módulos expositivos e instalações, organizados em 15 temas principais que abordam vários aspetos da diversidade biológica e cultural, mas de uma forma praticamente única em todo o mundo. Desde os modelos mecânicos até às plataformas multimédia, existem várias formas de envolver o visitante em histórias sobre a vida contadas através da ciência, da literatura e da arte.

 

 

 

Arca de Noé fotográfica

Até 29 de abril, a Galeria da Biodiversidade recebe a exposição fotográfica da National Geographic Photo Ark, baseada no projeto de Joel Sartore. Há 10 anos, este fotógrafo traçou um objetivo: fotografar todas as espécies existentes em cativeiro, para criar um dos maiores arquivos de biodiversidade do mundo. Esta “Arca de Noé fotográfica” pretende sensibilizar o público a dedicar-se à conservação dos animais mais vulneráveis. Foram já retratadas mais de 7000 espécies e as melhores imagens podem agora ser vistas nesta exposição imperdível.

Informações:

Galeria da Biodiversidade

Rua do Campo Alegre, n.º 1191, Porto

Horário: de Terça a domingo, 10h00 às 18h00

Bilhete normal: 5€

Os órgãos de tubos que funcionam desde 1779
15 Janeiro, 2018 / , ,

Os Órgãos Históricos dos Clérigos continuam a funcionar perfeitamente, apesar de já terem mais de 200 anos.

São da autoria do espanhol Dom Sebastião de Acunha e, tal como o edifício em que estão inseridos, são um notável exemplo do estilo Barroco que caraterizou o final do século XVIII. A caixa do órgão do lado da epístola é encimada por uma lua; a caixa do lado do evangelho por um sol. A unificação destes dois elementos remete para a ideia de absoluto e totalidade.

Em 2015, estes órgãos passaram a tocar diariamente, sempre à mesma hora (ao meio-dia), muitas vezes com os dois órgãos históricos em simultâneo e por vezes com a participação de cantores. Estes concertos gratuitos encantam os portuenses e os turistas e são mais uma atração para um local já muito procurado e apreciado por quem visita a cidade.

Em dezembro de 2017 foi celebrado o Concerto de Órgão nº 1000. Foi um dia especial, que contou com a presença de dois organistas e de uma soprano. Mas todos os dias pode celebrar a longa vida destes históricos órgãos de tubos e desfrutar da sua música.

 

Marques da Silva – O arquiteto do Porto
10 Janeiro, 2018 / ,

A sua obra marca definitivamente a cidade do Porto. De habitações particulares, passando por escolas e até por um monumento icónico, Marques da Silva ajudou a construir uma cidade mais moderna e mais bonita.

Nascido na Rua Costa Cabral, no Porto, viria a falecer na mesma cidade em 1947. José Marques da Silva nasceu, viveu e morreu no Porto, mas Paris e a estética francesa viriam a influenciá-lo. Começou por estudar na Academia Portuense de Belas-Artes, ingressando depois na  École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts.

Regressou a Portugal em 1896, assinando logo um projeto de grande importância: a estação de São Bento. Aliás, a Gare Central tinha sido o seu trabalho final no curso de Arquitetura tirado em Paris. No entanto, a ideia inicial teve de ser sucessivamente reformulada, pelo que a estação só viria a ficar concluída em 1916. No entanto, o facto de lhe ter sido entregue uma obra de tamanha envergadura – a primeira estação ferroviária da cidade – demonstra o prestígio que tinha já na fase inicial da sua carreira. Em 1900 recebeu uma medalha de prata na exposição de Paris, o que contribuiu para aumentar o seu prestígio nacional e internacional.

Ao longo da sua vida, Marques da Silva assinou vários projetos que modernizaram o rosto da cidade. São edifícios que aliam o lado estético à funcionalidade e que estão um pouco por toda a cidade, da Baixa a Serralves.

Foi também professor e diretor na Faculdade de Belas-Artes do Porto e na Escola de Arte Aplicada Soares Reis. Foi também autor de obras de relevo em Guimarães e em Barcelos.

Algumas obras emblemáticas no Porto:

Estação de São Bento (1896-1916)

Edifício das Quatro Estações (1905), Rua das Carmelitas

Casa Atelier Marques da Silva (1909),  Praça do Marquês de Pombal

Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular (1909), Rotunda da Boavista

Teatro Nacional S. João (1910-1920), na Praça da Batalha

Edifício dos Grandes Armazéns Nascimento, (1914-1927), esquina da Rua de Santa Catarina com Passos Manuel

Liceu Alexandre Herculano (1914-1931), na Avenida de Camilo

Palácio do Conde Vizela (1917-1923), na Rua das Carmelitas/ Rua do Conde de Vizela/ Rua de Cândido dos Reis

Liceu Rodrigues de Freitas (1918-1932), na Praça de Pedro Nunes

Edifício Joaquim Emílio Pinto Leite (1922), na Avenida dos Aliados,

Edifício de Rendimento (1925-1928), na Rua de Alexandre Braga

Casa e Jardins de Serralves (1925-1943), na Rua de Serralves